“As redes sociais democratizam a comunicação”

João C. Silva é cofounder da digital connection, uma agência de comunicação e marketing que, durante o tempo de confinamento, sentiu um crescimento nos pedidos de gestão de redes sociais e criação de lojas online. Em entrevista, João C. Silva explicou, em particular, a importância das redes sociais e do marketing digital para a existência atual e futura das empresas.

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João C. Silva, cofounder

Como se abriu o mercado português às redes sociais e como é que estas foram usadas pelas marcas para se aproximarem do seu público-alvo?

As redes sociais são uma ferramenta de comunicação que está disponível para todas as marcas e todas as pessoas. É uma verdadeira democratização da comunicação. As marcas conseguem, assim, relacionar-se com os seus stakeholders e construir uma comunidade de relações positivas, que depois permitirá fazer crescer a marca, e consequentemente, produtos, serviços e mesmo informação. As redes sociais mais utilizadas em Portugal são o Facebook, o Instagram, o Youtube, o Whatsapp, o TikTok, o Twitter e o Linkedin e todas têm objetivos e formas de estar na própria rede social distintos, pelo que as empresas devem adaptar a sua estratégia de conteúdos à rede social em questão. optando por desenvolver mais estas redes, especificamente. Eu, particularmente, aconselho as marcas a estarem presente e com uma estratégia específica nas redes sociais mais relevantes para os seus públicos. São elas que permitem dar voz à marca, que esta se personifique.

A importância das redes sociais, para as marcas, aumentou. Com isso, aumentou também a importância do serviço de gestão de redes sociais, prestado por agências como a digital connection?

Sim, até porque as pessoas devem perceber que, quando estão a contratar um serviço destes, estão a contratar uma equipa e não uma única pessoa. Nessa equipa, existe um copywriter, um designer, um gestor de projetos, um técnico de campanhas, um fotógrafo e um operador de câmara – são seis pessoas, com seis diferentes valências, para gerir uma rede social. Sai mais barato contratar a agência do que contratar uma equipa interna. É necessário também que as pessoas compreendam que não é qualquer pessoa que gere uma rede social, porque todos os posts têm de ter uma razão para serem publicados. Existe um planeamento e uma gestão do que se pretende atingir com determinado conteúdo.

Esta presença das marcas nas redes sociais torna-as mais expostas aos comentários do público. Esta exposição das marcas é positiva?

Parece-me que uma marca não tem de se esconder, quando algo corre mal, porque isso só alimenta rumores. A marca tem de ser a primeira a falar sobre os temas. Nunca podemos deixar de comunicar. Este medo de ter comentários negativos é uma falsa questão, porque nunca podemos desaparecer com medo de que digam mal de nós. Se existe uma crítica negativa, a marca deve ser a primeira a querer saber o que aconteceu, a explicar porque aconteceu daquela forma e a desmistificar o acontecimento junto do seu público. A redes sociais vêm ajudar as marcas a falar e a poderem explicar no timing correto o que aconteceu e porquê. É por isso que o community manager é tão importante, pois esta gestão das redes sociais é o que permitirá às marcas darem o seu ponto de vista no tempo certo. Acredito, portanto, que a exposição traz mais benefícios do que problemas.

Sentiu um aumento significativo das empresas que procuram a vossa empresa para gerir as redes sociais e mesmo para criar campanhas de marketing e lojas online?

Não há qualquer dúvida. O facto de estarmos em confinamento permitiu perceber a importância das redes sociais. Até as escolas – nós de repente ficámos a gerir a comunicação de seis escolas – porque todos os outros canais que eles costumavam utilizar para angariar alunos estavam vedados, nomeadamente a realização de feiras. As campanhas de Google Adwords foram muito importantes para destacar um determinado serviço e para angariar novos clientes. Muitas empresas, de setores díspares e que nunca tinham pensado nisto como algo mais sério, procuraram-nos, alguns desesperados, para mudar essa situação. Reformulámos e digitalizámos vários negócios. É importante, também, trabalharmos não só as redes sociais, mas todo o digital – email marketing, SEO, Google Adwords, bloging, influencers – tudo isto faz com que a presença online seja notada. O que mais aumentou foi a criação de websites e um maior cuidado com os mesmos. As redes sociais também aumentaram muito, enquanto canal de relação com os consumidores, e o Adwords, para angariar clientes.

Como antecipa o ano de 2021?

Este será um ano de transição, onde se irá perceber como as coisas correm. Não sabemos como será a recuperação empresarial, mas acredito que o digital seja sempre uma solução, visto que o investimento é menor e será possível continuar a comunicar com os seus clientes. Depois, ainda irão surgir algumas tendências – primeiro na Ásia e na América do Norte – e a nossa relação com os gadgets – telemóvel, computador e tablet – irá evoluir. Daqui a pouco, acredito que seja possível termos gadgets sensoriais, por exemplo, bem como a pesquisa por voz, em vez da escrita e a inteligência artificial também será uma aposta. Haverá uma evolução tecnológica. O futuro é o digital e este será o caminho a ser trilhado pelas marcas.

www.digitalconnection.pt

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