No ano em que celebra 25 anos de atividade, o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável reuniu os Presidentes das suas empresas-membro num jantar que, além de comemorativo, marcou um momento de compromisso coletivo: a assinatura da Carta às Empresas do Futuro, um documento dirigido às gerações empresariais de 2050, escrito a meio de um percurso de 25 anos de sustentabilidade em Portugal.
Uma carta ao futuro, escrita e assinada no presente. A Carta às Empresas do Futuro foi redigida pelas empresas do BCSD Portugal em 2026 e dirige-se às suas congéneres de 2050. Reconhece que a transformação é contínua, exige inovação permanente, resposta às mudanças do mercado e criação de valor sustentável, e afirma que impacto positivo e desempenho económico não são opostos: reforçam-se mutuamente quando existe propósito. O documento deixa também um alerta claro: numa era de crescente desinformação, liderar pelo exemplo, de forma transparente, coerente e ética, tornou-se uma condição incontornável para a credibilidade do setor privado.
A assinatura da Carta às Empresas do Futuro assinala também o início da construção colaborativa da Visão 2050 do BCSD Portugal, que mobilizará as empresas-membro em torno de três pilares: afirmar a sustentabilidade como motor de competitividade, inovação e prosperidade; reforçar o papel das empresas como agentes centrais da transformação sistémica; e promover uma construção coletiva orientada para acelerar a inovação, a colaboração e o impacto positivo necessário para responder aos desafios ambientais, sociais e económicos. A Carta às Empresas do Futuro já foi assinada por 120 empresas-membro, representando mais de metade dos associados do BCSD Portugal.
Rita Nabeiro, Presidente da Direção do BCSD Portugal, sublinha o significado do momento: “Esta carta não é uma declaração de intenções, é um testemunho e um desafio. Se os últimos 25 anos foram sobre ganhar consciência e começar o caminho, os próximos 25 terão de ser sobre ganhar coragem e atuar com determinação. Deixar o campo da intenção e passar à ação. Num contexto de conflitos geopolíticos, aceleração climática e disrupção tecnológica, o setor empresarial não pode ficar à espera. É aqui, em momentos como este, com estas empresas, que se tomam as decisões que vão moldar o futuro”.

Visão 2050: um mapa para a transformação sistémica. Além do momento de networking e de celebração, os presentes, tiveram também oportunidade de conhecer o relatório Vision 2050: Time to Transform, apresentado pelo orador convidado James Gomme, do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), organização internacional à qual o BCSD Portugal pertence. O relatório estabelece um quadro de ação para que as empresas liderem as transformações sistémicas necessárias para que mais de nove mil milhões de pessoas possam viver bem, dentro dos limites planetários, até 2050.
Na sua apresentação, James Gomme destacou nove caminhos de transformação nas áreas de atividade empresarial essenciais para a sociedade, com 90 áreas de ação concretas. O relatório defende que as empresas não podem fazer a transformação acontecer sozinhas, é necessário influenciar e colaborar com as esferas essenciais à mudança: inovação e tecnologia, finanças e investimento, regulação e política pública, e o papel dos indivíduos enquanto agentes de mudança.
O relatório deixa ainda uma mensagem clara: o tempo para mudanças incrementais terminou. Perante a aceleração da crise climática, a perda de biodiversidade e o agravamento das desigualdades, as empresas têm um papel determinante na construção de uma economia mais resiliente, regenerativa e competitiva.
“O verdadeiro legado não é aquilo que cada um constrói isoladamente, mas aquilo que somos capazes de construir em conjunto. Quando as empresas se unem em torno de um propósito comum, a ambição deixa de ser uma aspiração e passa a ser um compromisso. Contamos com cada uma destas organizações para levar mais longe aquilo que hoje aqui iniciamos“, conclui Rita Nabeiro.










