Na sua experiência, qual é o maior erro que ainda se comete ao olhar para a mulher em funções de direção neste setor?
Ainda se avalia primeiro a mulher e só depois a profissional. Continua a existir a ideia de que uma mulher em cargos de direção tem de provar repetidamente a sua competência, autoridade e capacidade de liderança. Se é firme, é considerada demasiado exigente; se demonstra empatia, essa sensibilidade é confundida com fragilidade. Acredito que liderar não implica abdicar da identidade nem seguir um modelo tradicionalmente masculino. É possível decidir com rigor, negociar e defender os interesses da empresa sem perder humanidade. As soft skills são essenciais, porque permitem compreender pessoas, antecipar riscos e interpretar aquilo que os números não revelam. Competência, autoridade e empatia são fundamentais para apoiar os clientes.
Que tipo de valor cria hoje uma consultora fiscal que vai além da resposta correta e passa a ajudar a empresa a crescer com consciência, sustentabilidade e propósito?
Uma consultora fiscal próxima da empresa não se limita a cumprir obrigações legais. Procura conhecer o negócio, os riscos, os objetivos e o impacto de cada decisão. O verdadeiro valor está em transformar informação contabilística e fiscal em estratégia: antecipar problemas de tesouraria, avaliar investimentos, preparar a empresa para financiamento, proteger o património, melhorar a estrutura e encontrar soluções fiscalmente eficientes, legais e transparentes. Uma boa decisão fiscal deve ser sustentável e orientada para o futuro da empresa. Além disso, nunca esqueço que por detrás de cada organização existem empresários, trabalhadores, famílias e clientes. A consultoria cria valor quando protege essa realidade e promove decisões responsáveis.
Muito para além dos números, das obrigações fiscais e da gestão empresarial, quem é a Dora Libânio?
Sou uma mulher profundamente comprometida com as pessoas e com os projetos que me confiam. Nunca vejo uma empresa apenas pelos números, porque por detrás de cada decisão existem histórias, famílias e anos de esforço.
A lealdade, a responsabilidade e a justiça orientam o meu trabalho. As viagens e o contacto com diferentes culturas ensinaram-me a ouvir sem preconceitos, a adaptar-me e a compreender que existem várias formas de resolver um problema. Acredito na aprendizagem contínua e na capacidade de recomeçar. Tenho também uma forte ligação aos animais e à natureza e sonho criar um espaço para acolher animais abandonados ou maltratados. Proteger, cuidar e encontrar soluções faz parte daquilo que sou.
Quando olhar para o percurso que está a construir, qual gostaria que fosse o verdadei ro legado de Dora Libânio?
Gostaria que o meu legado não fosse medido apenas pelas empresas que ajudei a crescer ou pelos problemas fiscais e financeiros que contribuí para resolver. Quero ser recordada como alguém que esteve presente nos momentos mais difíceis, que disse a verdade, mesmo quando não era a resposta mais fácil, e que procurou sempre soluções responsáveis. Defendo uma consultoria tecnicamente rigorosa, estratégica e orientada para resultados, sem esquecer que os negócios existem porque existem pessoas. Se conseguir preservar empresas, proteger postos de trabalho, apoiar melhores decisões, criar oportunidades e concretizar o sonho de proteger animais que nunca tiveram quem os defendesse, sentirei que deixei um contributo com verdadeiro significado.











