CUCP celebra 150 anos de tradição, confiança e inovação

A Companhia União de Crédito Popular assinala 150 anos de história como referência no setor do crédito pessoal em Portugal. Sob a liderança de Maria Luísa Borges, combina tradição e confiança com inovação tecnológica, mantendo-se próxima dos clientes e preparada para os desafios do mercado contemporâneo.

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A Companhia União de Crédito Popular celebrou os seus 150 anos de existência. Como surgiu e quais foram os principais marcos históricos da sua evolução?
Em 1875 Portugal estava a meio da Revolução Industrial e o Porto destacava-se como centro empresarial e industrial, com fábricas de lanifícios, têxteis e outras indústrias, o que fazia com que os industriais e novos comerciantes necessitam de mais dinheiro. Eis que alguns distintos Senhores, da cidade, dão corpo à CUPP – Companhia União Popular Penhorista, Lda., para colmatar as necessidades de financiamento dos comerciantes emergentes. A 13/4/1875, João José Pereira Alves, diretor, paga o emolumento nº 193 no valor de 500 réis no Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria para constituição da CUPP, cujos estatutos são aprovados em 17/04/1875 e tendo como objeto emprestar sobre penhor. Na época já havia penhoristas na cidade, mas a falta de capacidade financeira destes, para fazer face às novas necessidades leva-os a juntarem-se à CUPP com algumas regras específicas. E os diretores substitutos passam a ser João Luís de Pinho e Silva; Francisco José Eugénio e Félix Hilário.

De notar que o Presidente da Assembleia Geral era o Conde de Samodães; vice-presidente Thomaz Joaquim Dias e o Conselho Fiscal tinha como Presidente Conde de Samodães e como vogais: Dr. Luiz Antonio de Andrade; António Ferreira dos Santos; Francisco José de Faria; Francisco Augusto Vaz Cerquinho; José Joaquim Moreira Freire e Luiz José Ribeiro da Costa. Entendemos que era necessário fazer jus a quem deu vida à atual CUCP. Como marcos: de 1930 a 1935 relançamento da companhia após um desfalque dado pelos diretores da época. Na década de 70 o foco sobre os empréstimos de ouro. Em 2002 o grande desenvolvimento informático. Em 2008 o enorme roubo de que a CUCP foi alvo. Em 2015 a nova expansão.

A confiança é elemento central no vosso modelo de negócio. Como garantem elevados padrões de transparência, ética e pro fissionalismo?
Com trabalho, palavra, colaboradores dedicados e dirigentes que pensam no capital humano de que dispõem, tudo se consegue, é isto que nos caracteriza. O mercado chega para todos os que são capazes de fazer bem com simplicidade, honestidade e olhos postos nos clientes que são a continuidade das empresas. Não há segredos.

O mercado atual apresenta novos desafios. Como caracteriza o momento atual do setor em Portugal, e que oportunidades e riscos identifica para os próximos anos?
A atividade prestamista neste momento está ao rubro. A constante subida do preço do ouro leva a que sejamos muito muito prudentes. Como na CUCP não fazemos leilão de penhores com quatro meses de juros em atraso, é preciso ter muito cuidado. Se a cotação do ouro baixa, perde-se muito dinheiro. Temos de olhar cliente a cliente e emprestar de acordo com o perfil de cada um, sendo que na CUCP há uma tabela fixa para o pr/gr de empréstimo.

Mas, atendemos sempre ao cliente. Este, está sempre no nosso horizonte. No entanto, dizemos: “vale mais chorar pelo que deixei de fazer do que chorar pelo que acabei de perder”.

Como caracteriza o posicionamento atual da CUCP no mercado português face à concor rência?
Na CUCP há menos burocracias. Basta trazer ouro e identificação para que na hora se faça o negócio. Se se trata de cliente novo, há que explicar como funciona a atividade e depois proceder ao contrato. Não sabemos se a banca empresta valores tão pequenos quanto os que os prestamistas emprestam. E, para valores das dezenas de euros, nunca a banca empresta na hora. O Juro atual dos prestamistas é mais barato 15% do que os do cartão de crédito, pelo que, dizemos: RECORRA a um prestamista. Nem sempre se vai ao prestamista porque se precisa de liquidez. Estranho? Pense no seguinte: está a fazer obras em casa. Porquê preocupar-se em esconder o seu ouro? Leva-o a um prestamista e tem o seu ouro seguro.

A inovação e a tecnologia têm um papel cada vez mais central em muitos setores. De que forma a CUCP tem integrado inovação nos seus processos, produtos ou atendimento ao cliente? Há planos para digitalização ou novas plataformas de serviço? A CUCP tem acompanhado a evolução tecnológica. Já lá vai o tempo em que o registo de penhores e contratos eram manuscritos. Neste momento todas as filiais estão
centralizadas e é possível analisar um cliente e movimentos na hora. O atendimento terá de ser, com a tecnologia atual, presencial pois implica a avaliação dos bens dados como garantia. Em termos administrativos estamos em vias de implementar serviços de digitalização de modo a diminuir o papel nomeadamente em faturas.

Que oportunidades e riscos identifica para o setor dos penhores e serviços associados nos próximos anos?
O grande risco é a concentração dos capitais, que irá fazer com que muitos dos prestamistas possam desaparecer. A CUCP está receosa? Não. Já vivemos 150 anos e vamos ainda viver mais outros 150. Podem esperar sempre que na CUCP vão encontrar: dedicação, seriedade, profissionalismo e assegurar a continuidade dos bens dos clientes. A expansão da CUCP é um dos objetivos para que possamos servir mais clientes de norte a sul de Portugal. Se ainda não nos vêm em mais lados é porque a falta de pessoal é uma realidade.