Dinamizar o mar para fazer crescer a economia

Portugal dispõe da terceira maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia, a 11ª do mundo e tem, na sua identidade e cultura, o mar impregnado no ADN nacional. Todavia, este é um recurso que tem sido deixado de lado economicamente e o seu subaproveitamento começa agora a ser tido em conta. O projeto Inovsea, dinamizado pela AEVC e pela ACIFF, é um exemplo disso mesmo.

0
136

A Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC) é, em conjunto com a Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF), fundadora e dinamizadora do projeto Inovsea, criado para potenciar a inovação nas PME que integram a economia do mar, tendo
sempre em consideração, simultaneamente, a valorização e sustentabilidade dos recursos marítimos.

A nível nacional, existem cerca de 200 mil empregos diretamente relacionados com a economia do mar, segundo os dados de Nuno Lopes, presidente da ACIFF: “Só no Baixo Mondego, mais de 1100 pessoas trabalham em empresas diretamente relacionadas com esta área”. Este número significa mais de 200 empresas, que geram anualmente uma faturação anual que ronda os 125 milhões de euros: “As exportações representam 40 milhões de euros
e o VAB é de 27 milhões de euros”. Os números aumentam quando olhamos para o Alto Minho, cujo presidente é Manuel Cunha Júnior, da AEVC: “No Alto Minho, a economia
do mar é composta por mais de 300 entidades, as quais representam um volume de negócios de 204 milhões de euros, exportações de 91 milhões de euros e um VAB de 62 milhões de euros”. Isto significa, em número de empregos, que duas mil pessoas trabalham em
atividades ligadas à economia do mar.

Foi tendo em consideração estes números, e aquilo que refletem da importância do setor, não só
para estas duas regiões, mas para o país, que a AEVC e a ACIFF criaram o Inovsea: “Este
visa potenciar a inovação na economia do mar, tendo como base o incremento da cooperação e a incorporação de novas capacidades e competências, procurando perspetivar o seu potencial de valorização por via da integração de conhecimento e valor acrescentado”, explica
Nuno Lopes. Manuel Cunha Júnior acrescenta: “Os objetivos do Inovsea passam por dinamizar e estimular todas as fileiras do setor da economia do mar, considerando o potencial global disponível. Importa recordar que a Zona Económica Exclusiva portuguesa é uma das maiores do mundo, com um extraordinário potencial ao nível dos recursos marinhos e das
atividades de turismo, lazer e recreio. Considerando as principais vantagens de Portugal neste setor económico, existem ainda inúmeras possibilidades em atividades específicas como a aquacultura, os portos marítimos, a construção naval e a energia”.

É precisamente na energia que o Alto Minho se destaca, segundo o presidente da AEVC: “A este nível, o Alto Minho destaca-se pelo seu papel pioneiro e peso da atividade de produção de energias renováveis no VAB e volume de negócios da economia do mar. Não obstante o potencial destas atividades ser também relevante no Baixo Mondego, nesta região as
empresas existentes são ainda muito jovens”. Os setores do Turismo, da Pesca e da Aquacultura são os que mais se destacam no Baixo Mondego e Nuno Lopes relembra a
importância de apostar na dinâmica e desenvolvimento de atividades, mas sempre sem esquecer as especificidades de cada região: “Com o Inovsea interessou-nos promover uma estratégia que não revogue o atual perfil de especialização e o potencial dos recursos marítimos das regiões, mas que promovesse uma orientação sensata das competências e recursos para as necessidades do mercado, num contexto concorrencial cada vez mais dinâmico”.

As empresas nacionais, sobretudo as PME, precisam, todavia, de orientação e cuidados
particulares, pois deparam-se muitas vezes com dificuldades inerentes ao seu tamanho e
capacidade económica: Por isso, a criação de sinergias e de processos de cooperação entre
estes agentes económicos é fundamental para o crescimento e capacitação dos mesmos, como detalha Manuel Cunha Júnior: “Promovemos o desenvolvimento das atividades emergentes, inovadoras e qualificadas, ajudando as empresas a ganhar maturidade e escala e prepará-las para alcançarem uma maior penetração em mercados internacionais e atrair um investimento para o setor. Ao longo do projeto foram desenvolvidas as seguintes atividades: Definição da estratégia para as regiões costeiras, onde fizemos um levantamento da capacidade de oferta instalada das atividades da economia do mar, definimos um plano de ação para estas regiões e realizamos um seminário de apresentação do estudo e plano de ação; Dinamização de ecossistemas de inovação/redes de cooperação, onde foram realizadas jornadas de inovação e transferência de conhecimento e desenvolvida uma plataforma de
disseminação de conhecimento; Qualificação e capacitação, conseguidas através da realização de um ciclo de workshops temáticos”.

O objetivo é conseguir dinamizar a economia do mar e fazê-la crescer, além da sua relevância atual para o país: “De uma forma global, as empresas da economia do mar representam 4,5 mil milhões de euros em exportações. As atividades mais características da economia do mar, a pesca e aquicultura, a salicultura, a construção naval, a atividade portuária, os transportes
marítimos, as obras costeiras, a náutica, etc. representam 45,8% do total do Valor Acrescentado Bruto e mais de metade do emprego (51,2%)”, salienta Nuno Lopes.


Precisamente sob o mote “Exportar”, irão ter lugar em Viana do Castelo, no próximo dia 9 de junho, as últimas jornadas temáticas do Inovsea. A sessão terá como objetivo explorar e potenciar as redes de inovação e cooperação empresarial e interorganizacional na promoção da competitividade: “Iremos juntar empresas das várias fileiras do setor da economia do mar em jornadas de inovação, animadas por especialistas, entidades do sistema científico e tecnológico, casos de estudo e responsáveis nacionais pela promoção da inovação”. À semelhança das anteriores, destina-se a empresas e entidades da economia do mar e realiza-se presencialmente e por via digital, mediante registo prévio.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here