“É necessário começar a consumir produtos portugueses”

Fátima Lopes é uma marca de moda mundialmente conhecida e apreciada, que herdou o nome da sua fundadora – a madeirense Fátima Lopes abriu a sua primeira loja em Lisboa,em 1992 e rapidamente viu o talento reconhecido. Três anos mais tarde, marca presença no Portugal Fashion e, em 1999,desfila pela primeira vez na Semana da Moda de Paris. Com uma marca de joias, calçado e eyewear, bem como uma agência de modelos própria – a Face Models – o maior reconhecimento chegaria em 2006, quando lhe foi atribuído o grau de Comendadora da Ordem do Infante Dom Henrique. Fátima Lopes falou sobre a marca, as dificuldades que todo o mercado sente e o que tem aproveitado para fazer durante este tempo de confinamento.

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Fátima Lopes, criadora de moda

Como é que a marca foi atingida?

A marca Fátima Lopes foi atingida como todas as marcas de moda. A indústria e o comércio tradicional estão parados à espera da retoma. Eu sou uma pessoa otimista e acredito que haverá melhores dias, desistir não é opção mas ninguém tem soluções milagrosas neste momento.

O confinamento é uma boa altura para avaliações de percurso e eventuais planos para o pós-crise?

Eu estou em confinamento há mais de um mês, mas aproveitei para fazer muitas coisas que normalmente não tenho tempo. Com calma e sensatez, estou a preparar a coleção comercial para o próximo Inverno 2020/21 e já a pensar no Verão 2021.

Esta paragem pode ser vista como uma oportunidade, nomeadamente no que respeita ao reshape e rethinking das marcas e do mercado?

Acredito que é obrigatório repensar e reinventar formas de trabalhar. Nada será igual e temos de ter essa consciência. O online, obviamente, é o presente e o futuro e tem de ser uma aposta prioritária.

Da sua experiência enquanto líder e empreendedora, como avalia o estado do setor da moda / têxtil no país?

Acho que o nosso país tem falta de visão e noção das mais-valias que representam as marcas. A maior parte da nossa indústria está vocacionada para a confeção a feitio das marcas estrangeiras, desperdiçando totalmente os talentos dos criadores portugueses e as interessantes sinergias que poderiam e deveriam coexistir entre indústria e criadores.

Que medidas lhe parecem necessárias para voltar a ativar a economia e o consumo, sobretudo no que respeita à Alta Costura?

Acho que a solução passa por um grande sentido de patriotismo e começar a consumir produtos portugueses.

No que respeita às coleções a apresentar este ano, sofreram alguma consequência devidoà chegada da Covid-19?

Tive a sorte de conseguir apresentar a coleção Outono/Inverno 2020/21 na Paris Fashion Week, no dia 29 de fevereiro, e logo a seguir parou tudo. O desfile em Lisboa, que teria sidoapresentado no início de abril, não aconteceu e não sei quando acontecerá…

Que mensagem gostaria de deixar àqueles empresários que estão a atravessar um momento difícil devido à paragem laboral?

Estamos todos no mesmo barco, em primeiro lugar, temos de sobreviver com inteligência e sensatez. Baixar os braços não é opção, mas cada um sabe de si e tem de agir de acordo com oque achar melhor. Acho que é altura para nos reinventarmos, mas também agirmos de acordocom as nossas realidades. Ninguém tem a solução ou consegue prever o futuro, quero ser otimista, mas é fundamental sermos muito realistas, porque ser empresário normalmente significa, assumir riscos pessoais para a vida.

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