Em que momento percebeu que já não estava apenas a ensinar dança, mas a construir um projeto capaz de transformar comunidades?
No início, a dança era o centro de tudo e o meu objetivo era dançar, ensaiar e dedicar-me à componente artística. Contudo, fui percebendo que muitas pessoas queriam participar e não tinham essa oportunidade. Não bastava criar atividades, era necessário criar oportunidades. Dessa necessidade nasceram os campos de férias, as aulas em instituições, os projetos de expressão motora e as ações solidárias. A dança continua a ser a nossa essência, mas o que mais me motiva é promover a inclusão, a igualdade de oportunidades e o acesso à cultura e à atividade lúdica e física para todos.
Que barreiras sentiu necessidade de ultrapassar para afirmar a credibilidade de um projeto ligado à dança?
Continua a ser um desafio, porque muitas pessoas olham apenas para a vertente artística e não reconhecem o impacto comunitário do trabalho que desenvolvemos. A Dream Dancing vai muito além das aulas e dos espetáculos. Colaboramos com comissões de festas, promovemos ações de voluntariado para manter os jovens ativos e desenvolvemos iniciativas internacionais em parceria com instituições, escolas, a Santa Casa e a Câmara Municipal. Somos uma das maiores associações juvenis do concelho e temos um forte impacto social, educativo e comunitário.
“Muitas pessoas olham apenas para a vertente artística e não reconhecem o impacto comunitário do trabalho que desenvolvemos. A Dream Dancing vai muito além das aulas e dos espetáculos”
Como define o verdadeiro retorno de um projeto que coloca as pessoas no centro da sua missão?
O sucesso não se mede pelo número de participantes, mas pelo impacto que conseguimos ter na vida das pessoas. Tenho a sorte de contar com uma equipa dedicada, que procuro valorizar, apoiar e formar, porque acredito que uma equipa motivada e unida consegue fazer a diferença. Mas, a minha principal preocupação está sempre nas pessoas que enfrentam maiores dificuldades. O verdadeiro retorno acontece quando uma criança consegue participar, independentemente das suas limitações financeiras, sociais, educativas ou de uma deficiência. A inclusão não é apenas um objetivo, é uma responsabilidade permanente. Enquanto existir alguém que queira participar e não tenha essa possibilidade, sentirei que ainda há trabalho a fazer.
Quando olha para o projeto Dream Dancing, que legado quer deixar?
Acredito que precisamos de mais jovens e cidadãos envolvidos na vida das suas comunidades e de um trabalho cada vez mais articulado entre associações, autarquias, escolas, instituições, empresas e organismos governamentais. Esta colaboração permite compreender melhor as dificuldades das famílias e criar respostas mais rápidas, flexíveis e humanas. Defendo, por isso, que o Município de Salvaterra de Magos deve apostar no associativismo, reconhecendo-o como um parceiro essencial na construção de respostas sociais, culturais, educativas e desportivas.
O legado que gostaria de deixar é a certeza de que a mudança acontece quando trabalhamos em conjunto. Quando associações, autarquias, escolas, empresas e cidadãos unem esforços, é possível transformar vidas e construir comunidades mais inclusivas, participativas e humanas.










