Teve um percurso profissional fora do normal. Pode contar-nos como foi?
Após concluir a faculdade, fiz um estágio no Bloomberg Euronotícias, onde tive a oportunidade de assinar páginas centrais, primeiras páginas e apresentar um programa de televisão de economia em horário nobre.
Apesar de gostar de contar as histórias dos outros, percebi que queria construir uma trajetória própria. E, de facto, a minha carreira desenvolveu-se na área das telecomunicações e dos sistemas de informação, e o projeto pelo qual era responsável — videovigilância e alarmística para todas as escolas públicas do país — chegou a ser considerado, à data, um dos maiores projetos do mundo.
Mais tarde procurei desafios internacionais, passando pelo Dubai, onde integrei a gestão de um programa de excelência num operador de telecomunicações. Em Angola, liderei a reestruturação do operador incumbente e assumi funções de Chief of Operations and Projects numa organização responsável por vários projetos, incluindo a implementação do sistema fiscal angolano. Posteriormente, na Suíça, desempenhei funções como Diretora Operacional para a tecnologia Salesforce numa multinacional de IT.
É nessa altura que nasce a Happyology – The Science of Happiness?
Quase. Aliada ao que costumo chamar uma crise de meia-idade, decidi conjugar a minha carreira profissional com um Doutoramento. Queria compreender, de forma científica, o que é a felicidade e o bem-estar, e porque o bem-estar varia tão significativamente entre países e sociedades. A Happyology nasce dessa investigação e da vontade de colocar o conhecimento científico ao serviço das pessoas e organizações. Atualmente, trabalhamos programas de formação, consultoria em bem-estar organizacional e apoio a processos de certificação para empresas, mas também com particulares que procuram construir uma vida mais equilibrada, feliz e sustentável.
“Queria compreender, de forma científica, o que é a felicidade e o bem-estar, e porque o bem-estar varia tão significativamente entre países e sociedades. A Happyology nasce dessa investigação e da vontade de colocar o conhecimento científico ao serviço das pessoas e organizações”
Publicou recentemente um livro. Fale-nos um pouco sobre ele.
O livro Do Capitalismo ao Felicidadismo: Proposta para um Novo Paradigma de Desenvolvimento resulta diretamente da investigação que desenvolvi. A obra parte da premissa de que o PIB foi um indicador essencial, mas que hoje já não traduz a performance de um país ou a verdadeira qualidade de vida das populações.
A proposta central consiste na adoção do bem-estar societal como principal indicador de desenvolvimento. O livro apresenta exemplos de países que já adotaram abordagens semelhantes e explora a forma como áreas da Educação, da Justiça, da Segurança ou do Estado social podem contribuir para uma sociedade mais equilibrada e sustentável.
O que resta fazer então? Quais são os principais desafios?
O principal desafio passa por consolidar e expandir a atividade da Happyology em Portugal e internacionalmente. A ambição é tornar a organização uma referência em bem-estar organizacional, deixando uma marca positiva, diferenciadora e mensurável nos clientes com quem trabalhamos.
Mais do que implementar iniciativas pontuais, pretendemos contribuir para uma transformação efetiva das organizações e da sociedade, cumprindo a nossa missão de colocar a ciência da felicidade ao serviço de empresas mais saudáveis, pessoas mais realizadas e comunidades com maior bem-estar.











