Eclipse solar faz disparar reclamações nas óticas

Procura por óculos específicos para observar o eclipse solar total de 12 de agosto esteve na origem de uma subida acentuada das queixas. Reservas, falta de stock e atrasos nas entregas estão entre os principais problemas identificados.

0
151

O setor da ótica registou um aumento significativo das reclamações nos primeiros oito meses de 2026. De acordo com dados do Portal da Queixa, foram apresentadas 283 reclamações entre janeiro e agosto, mais 46% face às 194 registadas no mesmo período de 2025.

O agravamento foi particularmente evidente em agosto. Só neste mês, o Portal da Queixa contabilizou 67 reclamações dirigidas ao setor, contra 31 no mesmo período do ano anterior, o que representa uma subida de 116%.

A evolução coincide com o aumento da procura por óculos especiais destinados à observação do eclipse solar total, que ocorreu a 12 de agosto. No total, foram identificadas 48 reclamações relacionadas com estes produtos: uma surgiu em julho e 47 foram apresentadas já durante agosto.

Destas, 38 foram dirigidas diretamente a entidades do setor ótico, correspondendo a 57% de todas as reclamações recebidas pelas óticas durante o mês.

Reservas confirmadas sem stock e entregas tardias
A proximidade do fenómeno astronómico terá contribuído para concentrar as queixas nos dias imediatamente anteriores ao eclipse e na própria data. Entre 11 e 12 de agosto foram registadas 28 reclamações relacionadas com os óculos, o equivalente a 58% do total associado a estes produtos.

As dificuldades no atendimento e na prestação do serviço representam 38% dos motivos apresentados pelos consumidores. Seguem-se os problemas relacionados com reservas e disponibilidade, responsáveis por 31% das queixas, bem como situações de atrasos ou falhas nas entregas.

Os consumidores reportaram ainda dúvidas sobre a segurança e a conformidade dos óculos, nomeadamente relativamente à certificação, às condições de utilização e à correspondência entre o produto anunciado e aquele que foi efetivamente recebido.

Entre os casos identificados encontram-se reservas previamente confirmadas que não correspondiam ao stock existente nas lojas, falhas nos sistemas de reserva e encomendas que apenas chegaram depois de o eclipse ter ocorrido.

Club da Visão lidera reclamações relacionadas com o eclipse
Entre as marcas do setor ótico analisadas, o Club da Visão foi a entidade que concentrou mais reclamações associadas ao fenómeno. Das 28 reclamações recebidas pela marca em 2026, 23 estavam relacionadas com os óculos para observação do eclipse.

Na ZEISS Vision Care, sete das 18 reclamações registadas no ano tiveram a mesma origem. Seguem-se o Alberto Oculista, com quatro reclamações relacionadas com o eclipse num total de sete, o Grupo Optivisão, com duas, e a Opticalia, com uma.

Os problemas não ficaram, contudo, limitados às óticas. O Portal da Queixa identificou ainda dez reclamações dirigidas a empresas de outros setores e relacionadas com os mesmos produtos, sobretudo devido a dificuldades na entrega. Entre as entidades mencionadas encontram-se a MRW, Paack, CTT, Auchan e Grandado.

Consumidores avaliam pior resposta das marcas
O crescimento das reclamações foi acompanhado por uma evolução negativa dos indicadores de satisfação. A classificação média atribuída pelos consumidores caiu 15,04%, para 4,18 pontos, enquanto a avaliação relativa ao comportamento das marcas recuou 17,32%.

Também o tempo médio de resposta diminuiu 21,63%.

Os dados revelam ainda que 86,57% das reclamações dirigidas às óticas começam com uma emoção negativa, acima dos 78,26% registados em 2025. Paralelamente, a taxa de agravamento das reclamações atingiu 10,24%, mantendo uma trajetória de crescimento pelo terceiro ano consecutivo.

A tendência de aumento das queixas no setor já vinha, aliás, a verificar-se. Em 2025, as subcategorias de ótica registaram 299 reclamações, face às 224 contabilizadas em 2024, correspondendo a um crescimento anual de 33,48%.

Os dados mostram, assim, que a procura excecional por óculos para acompanhar o eclipse expôs algumas fragilidades na resposta das empresas, sobretudo numa altura em que a disponibilidade dos produtos e a rapidez das entregas eram determinantes para os consumidores.