O Marketing digital e de influência sempre fez parte da sua vida? Por que motivo iniciou um projeto especializado nessa área? Sentiu essa necessidade no mercado?
De alguma forma, este universo sempre esteve na minha vida, eu é que não o via como carreira porque julgava não ser possível. Quando eu estive na faculdade não se falava disso. Mas, enquanto adolescente, adorava blogs. Gostava tanto que aprendi inclusivamente HTML de forma autodidata para saber como construir templates, e oferecia esse trabalho a bloggers conhecidos internacionalmente. Quando terminei a licenciatura em Comunicação Social e Cultural comecei a trabalhar em agências de comunicação, numa vertente de assessoria de imprensa e, mais tarde, trabalhei como diretora de comunicação em empresas. Fui percebendo, a cada experiência, que trabalhava muito para uma visão que não era a minha. Acabei por me despedir e durante cerca de cinco meses trabalhei como freelancer, a fazer gestão de redes sociais para empresas.
O trabalho evoluiu muito bem e, no início de 2017, tive necessidade de o formalizar e de abrir empresa. Somos formatados para acreditar que ter sucesso é sinónimo de ter muitos clientes, uma equipa com muitas pessoas e uma grande estrutura, e inevitavelmente comecei por aí.
Com o tempo, percebi que não era esse modelo de negócio que eu queria implementar. No pós-pandemia, deixei de trabalhar a área de clientes de Marketing Digital, onde fazíamos a gestão de todos os serviços online associados a uma marca, e aprimorei o serviço de Marketing de Influência.
Percebi que o que eu gosto de fazer é falar com as pessoas, gerir diretamente com elas as suas carreiras digitais e essa consultoria estava-me vedada pois, enquanto gestora de uma equipa já significativa, eu acabava a gerir a equipa e não diretamente os agenciados.
Adicionalmente, trabalhamos um máximo de três marcas clientes por ano, dando vida ao conceito de agência “boutique” nestas duas vertentes, de clientes e de agenciados, que beneficiam de um acompanhamento muito próximo.
Uma pessoa que seja hoje agenciada pela Oitenta8 vai contar com duas agentes dedicadas a si, em áreas complementares, e serão – agora como daqui a cinco anos – a Marta e a Luísa.
O dia 8 de agosto marca o nono aniversário da Oitenta8. Que balanço faz deste período?
Estes nove anos permitiram-me realinhar aquilo que eu considerava ser a definição de sucesso – antes era mais associado à quantidade (de pessoas, projetos, clientes e áreas) e hoje mais associado à liberdade de poder fazer exatamente aquilo de que gosto, e com isso ter construído um modelo diferenciador nesta área.
“Estes nove anos permitiram-me
realinhar aquilo que eu considerava ser a definição de sucesso”.
O que mudou em si, em resultado da experiência que este projeto lhe tem proporcionado viver, enquanto líder?
Sempre me considerei profissionalmente muito flexível, com facilidade de adaptação às circunstâncias, mas ter uma agência numa área laboral e de estudo que tem muito pouco tempo de existência na história, é fazer um mestrado
em reinvenção. Não podemos liderar se não conhecermos, e este universo digital tem de estar sempre a ser aprendido. Ao mesmo tempo, tornou-me mais empática.
Ao longo destes nove anos, como mudou o mercado relativamente ao Marketing de influência? Esta é uma área em crescimento?
Acredito que o Marketing de Influência vai continuar a crescer, ainda que vá assumindo formas diferentes. Mas isso também significa que quem quer construir carreira nesta área terá mais oportunidades. Sejam novos influenciadores com mais de 50 anos, nano-influenciadores e até criações de IA. Não há falta de espaço para novos talentos, mas existe uma saturação de quem não está a acrescentar. É preciso adorar comunicar e ter vontade de o fazer todos os dias.









