Engenharia, crescimento e projetos estratégicos

Da engenharia à construção e à saúde ocupacional, a PMT Engenharia tem consolidado um modelo de crescimento assente na inovação, na proximidade e na valorização das pessoas. Manuela Timóteo, CEO da empresa, explica como esta visão integrada tem impulsionado a evolução da organização e preparado o caminho para os desafios do futuro.

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A PMT tem vindo a consolidar a sua posição em diferentes áreas da engenharia. Que estratégia tem sustentado esse crescimento e de que forma a empresa procura diferenciar-se num mercado cada vez mais competitivo?
Sempre acreditei que as empresas não se distinguem apenas pela qualidade dos seus serviços, mas sobretudo pela visão que têm para o futuro. Quando fundei a PMT, não imaginei apenas uma empresa de projetos. Imaginei uma organização capaz de criar relações de confiança duradouras, de responder aos desafios mais complexos e de crescer ao lado dos seus clientes.

Ao longo destes anos, investimos continuamente na qualificação das nossas pessoas, na transformação digital, na metodologia BIM, na Inteligência Artificial, na melhoria dos processos e na inovação. Mas, acima de tudo, investimos numa cultura organizacional onde o rigor técnico caminha lado a lado com a proximidade, a responsabilidade e a ética. Com o tempo, percebemos que os clientes procuravam cada vez mais do que um projeto ou uma fiscalização. Procuravam parceiros que os acompanhassem durante todo o ciclo do investimento. Essa necessidade levou-nos a alargar naturalmente a nossa atuação.

Foi dessa visão que nasceram dois novos projetos. A TIMO, dedicada à construção e remodelação personalizada, permite-nos acompanhar o cliente na fase de execução da obra, garantindo que a qualidade pensada em projeto se concretiza no terreno. Mais recentemente surgiu a FACE a FASE, uma clínica especializada em Segurança e Saúde no Trabalho, Medicina Ocupacional, Medicina Estética e Bem-Estar, porque acreditamos que nenhuma obra faz sentido se não cuidarmos das pessoas que a tornam possível. Não vejo estas áreas como negócios distintos. Vejo-as como diferentes expressões da mesma missão: projetar, construir e cuidar.

Tenho igualmente o privilégio de partilhar este percurso com o João Lamego, meu parceiro de vida e parceiro neste projeto empresarial. A sua visão estratégica, a capacidade de antecipar tendências e de estruturar o crescimento da organização complementam a minha forma de liderar, mais orientada para a organização, para a proximidade com as equipas e para a concretização dos objetivos. Mas seria profundamente injusto atribuir este percurso apenas a nós. A PMT é hoje o resultado de uma equipa extraordinária. Tenho a felicidade de trabalhar diariamente com uma equipa de gestão em quem deposito total confiança – Afonso Timóteo, Vanessa Caetano, Luisa Simplicio, Catarina Rodrigues, Nuno Pombinho e Wilson Tafula – e com cerca de 150 colaboradores que fazem da competência, da dedicação e do compromisso a verdadeira marca da empresa.

Costumo dizer que as empresas não crescem pela visão de uma única pessoa. Crescem porque existem equipas que acreditam nessa visão e a transformam em realidade todos os dias.

A crescente complexidade das grandes obras exige equipas multidisciplinares e uma coordenação cada vez mais rigorosa. Como tem a PMT acompanhado esta evolução e que competências considera hoje essenciais para res ponder às exigências do setor?
A engenharia mudou profundamente nos últimos anos. Os projetos tornaram-se mais complexos, os requisitos técnicos mais exigentes, os prazos mais desafiantes e a sustentabilidade deixou de ser uma opção para passar a ser uma responsabilidade. Esta realidade obriga-nos a trabalhar de forma diferente.

Na PMT procuramos integrar todas as especialidades através de metodologias colaborativas, ferramentas digitais e processos que promovem uma comunicação permanente entre equipas. Mas acredito que o maior desafio já não é tecnológico. É humano. Hoje procuramos profissionais tecnicamente muito competentes, mas igualmente capazes de comunicar, liderar, trabalhar em equipa, tomar decisões sob pressão e adaptar-se à mudança. As empresas do futuro não serão necessariamente aquelas que tiverem a melhor tecnologia.

Serão aquelas que conseguirem desenvolver as melhores pessoas. É por isso que investimos tanto na formação, na valorização do talento e numa cultura onde cada colaborador sente que pode crescer profissionalmente e contribuir para a evolução da organização. Liderar nunca significou, para mim, decidir sozinha. Significa criar condições para que pessoas competentes assumam responsabilidades, desafiem ideias e acrescentem valor. É isso que faz crescer uma empresa.

A inovação tem assumido um papel determinante na construção. Que tecnologias, metodologias ou processos têm vindo a integrar nos vossos projetos para aumentar a eficiência, a segurança e a qualidade das intervenções?
A inovação faz parte do ADN da PMT. Vivemos um momento extraordinário na engenharia, onde a tecnologia está a transformar profundamente a forma como projetamos, coordenamos e gerimos as obras. Ao longo dos últimos anos integrámos metodologias BIM, plataformas colaborativas, sistemas digitais de gestão, automatização de processos e estamos atualmente a desenvolver soluções próprias baseadas em Inteligência Artificial para apoiar a análise documental, a verificação técnica e a gestão do conhecimento. Mas inovar não significa apenas adquirir tecnologia. Significa questionar continuamente a forma como fazemos as coisas. É simplificar processos. É reduzir desperdícios. É melhorar a comunicação. É aumentar a qualidade. É libertar tempo para que os nossos profissionais possam dedicar-se àquilo que nenhuma máquina consegue substituir: a capacidade de pensar, criar soluções e tomar decisões. Costumo dizer que a Inteligência Artificial não substituirá os engenheiros. Mas os engenheiros que souberem trabalhar com Inteligência Artificial irão certamente liderar a engenharia do futuro. É por isso que continuamos a investir na inovação, sem nunca perder aquilo que consideramos essencial: as pessoas. Porque acreditamos que a tecnologia só faz sentido quando melhora a vida de quem trabalha e de quem confia em nós.

A PMT prepara-se para inaugurar uma nova clínica, reforçando a sua aposta na Segurança e Saúde, com especial enfoque no setor da construção. O que esteve na origem deste investimento e que necessidades do mercado pretende responder?
A Face a Fase nasceu de uma reflexão muito simples, mas profundamente transformadora. Ao longo de mais de vinte anos acompanhei centenas de obras, reuni com equipas técnicas, visitei estaleiros e conheci milhares de profissionais que diariamente constroem escolas, hospitais, habitações, linhas ferroviárias e tantas outras infraestruturas fundamentais para o desenvolvimento do país. Foi nesse percurso que compreendi uma realidade que nunca mais me abandonou: por melhor que seja um projeto, nenhuma obra faz sentido se não cuidarmos das pessoas que a tornam possível. Essa consciência levou-nos a olhar para a Segurança e Saúde de uma forma diferente. Não apenas como uma obrigação legal, mas como uma responsabilidade ética e estratégica. Foi assim que nasceu a Face a Fase.

Mais do que uma clínica de Medicina do Trabalho, criamos um espaço onde prevenção, saúde, segurança e bem-estar coexistam de forma integrada. Ao mesmo tempo, este projeto complementa naturalmente aquilo que fazemos na PMT e na TIMO. Se através da engenharia concebemos os projetos e através da construção lhes damos forma, fazia todo o sentido criar uma estrutura capaz de cuidar das pessoas que os desenvolvem e também de todos aqueles que procuram melhorar a sua qualidade de vida. Para nós, projetar, construir e cuidar fazem hoje parte da mesma visão.

A segurança em obra continua a ser um dos maiores desafios do setor. De que forma esta nova estrutura poderá contribuir para uma abordagem mais preventiva e integrada da saúde ocupacional dos trabalhadores?
Durante muitos anos a Segurança e Saúde foi encarada essencialmente como um conjunto de procedimentos obrigatórios. Hoje sabemos que isso já não é suficiente.

A verdadeira prevenção começa muito antes de entrar numa obra. Começa na avaliação médica, na promoção de hábitos saudáveis, na formação, na criação de ambientes de trabalho mais seguros e numa cultura organizacional onde a vida humana está sempre em primeiro lugar. O setor da construção é um dos setores com mais acidentes e mais doenças profissionais. É preciso um cuidado direcionado para este setor É precisamente essa abordagem integrada que queremos desenvolver na Face a Fase. Pretendemos trabalhar lado a lado com as empresas, ajudando-as não apenas a cumprir a legislação, mas sobretudo a reduzir acidentes, diminuir o absentismo, melhorar a produtividade e aumentar o bem-estar dos seus colaboradores. Acredito que investir na saúde das pessoas é um dos melhores investimentos que qualquer organização pode fazer. Porque colaboradores saudáveis são também equipas mais motivadas, mais produtivas e mais felizes.

Mais do que prestar serviços de Medicina do Trabalho, a PMT pretende especializar-se na Segurança e Saúde aplicada à construção. Em que se traduz essa especialização e que valor acrescentado oferece às empresas?
A grande diferença é que conhecemos profundamente a realidade da construção. Não observamos o setor de fora. Vivemo-lo diariamente. Ao longo de mais de duas décadas acompanhámos obras de diferentes dimensões, conhecemos os riscos específicos das várias especialidades, percebemos as dificuldades das empresas e compreendemos aquilo que verdadeiramente faz falta no terreno. Essa experiência permite-nos desenvolver soluções muito mais ajustadas às necessidades reais do setor. Queremos ser parceiros das empresas e não apenas prestadores de serviços. Queremos ajudá-las a criar uma cultura de prevenção, onde a Segurança e Saúde deixem de ser encaradas como um custo e passem a ser entendidas como um investimento na qualidade, na produtividade e nas pessoas. É exatamente essa proximidade ao setor que diferencia a Face a Fase.

Paralelamente, a nova clínica aposta também na medicina e na estética, assumindo-se como um espaço integrado de saúde e bem-estar. Como surgiu esta complementaridade e que público pretendem alcançar?
Muitas pessoas associam a medicina estética apenas à imagem, mas acredito que ela representa muito mais do que isso. Representa autoestima. Confiança. Bem-estar. Qualidade de vida. Vivemos numa sociedade cada vez mais exigente, onde o equilíbrio físico e emocional tem um impacto direto na forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Por isso quisemos que a Face a Fase fosse uma clínica aberta à comunidade. Um espaço onde qualquer pessoa possa cuidar da sua saúde de forma integrada. Queremos acompanhar trabalhadores, empresas, famílias e todos aqueles que procuram não apenas tratar problemas de saúde, mas investir na prevenção, no bem-estar e numa melhor qualidade de vida. É uma visão humanista da medicina, muito alinhada com os valores que sempre orientaram a PMT.

Considera que investir na saúde e no bem-estar dos colaboradores deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um fator estratégico de competitividade e retenção de talento nas empresas?
Não tenho qualquer dúvida. As empresas que irão liderar o futuro serão aquelas que compreenderem que o seu maior ativo não são os edifícios, os equipamentos ou a tecnologia. São as pessoas. Hoje sabemos que organizações que investem na saúde física e mental dos seus colaboradores conseguem reduzir o absentismo, aumentar a produtividade, reter talento e construir culturas empresariais mais fortes. Na PMT sempre acreditámos que uma empresa só cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela. Essa convicção esteve presente quando investimos na formação, quando apostámos na inovação, quando obtivemos a certificação Great Place to Work e continua agora presente na criação da Face a Fase. Porque cuidar das pessoas nunca foi uma estratégia de marketing. Sempre foi parte da nossa identidade.

Olhando para os próximos anos, que papel pretende que esta nova área de negócio desempenhe na evolução da PMT e de que forma imagina a empresa a conciliar a engenharia, a construção e a promoção da saúde numa estratégia de crescimento integrada?
Vejo o futuro com enorme entusiasmo, mas também com um profundo sentido de responsabilidade. Ao longo dos anos percebi que a PMT nunca esteve apenas a construir projetos de engenharia. Estivemos sempre a construir relações de confiança. Hoje essa visão ganha uma nova dimensão.

A PMT Engenharia continuará a desenvolver projetos, fiscalização, coordenação e gestão de empreendimentos. A TIMO aproxima-nos ainda mais dos clientes, permitindo acompanhar a construção e a remodelação personalizada de imóveis com a mesma exigência técnica, proximidade e atenção ao detalhe que sempre nos caracterizaram. A Face a Fase completa naturalmente este percurso, promovendo Segurança e Saúde no Trabalho, Medicina Ocupacional, Medicina Estética e Bem-Estar, porque acreditamos que nenhuma obra faz sentido se não proteger quem a constrói e quem dela usufrui.

Tenho o enorme privilégio de partilhar esta caminhada com o João Lamego, cuja visão estratégica tem sido determinante para o crescimento da organização. A sua capacidade de pensar o futuro complementa a minha forma de liderar, mais próxima das pessoas, da organização e da concretização dos projetos.

É também motivo de grande orgulho ver os meus filhos – Diogo, Gonçalo, Afonso e Maria Timóteo – começarem a integrar este projeto, trazendo novas competências, novas ideias e uma energia renovada. Nunca esperei que seguissem este caminho por obrigação; desejo apenas que encontrem uma empresa sólida, ética e preparada para o futuro, onde possam crescer pelo seu mérito e contribuir com a sua própria visão.

Sinto igualmente uma enorme gratidão pela equipa de gestão que diariamente me acompanha – Luísa Simplício, Vanessa Caetano, Catarina Rodrigues, Nuno Pombinho e Wilson Tafula – e por todos os colaboradores que fazem da PMT uma empresa reconhecida pela competência, pela inovação e pela proximidade.

Nunca quis construir uma empresa dependente de uma única pessoa. Quis construir uma organização capaz de perdurar no tempo, de inovar continuamente e de crescer muito para além de quem a fundou. Porque acredito que o verdadeiro legado não são apenas as obras que entregamos. O verdadeiro legado são as pessoas que ajudamos a crescer, as equipas que construímos e a confiança que conquistamos ao longo do caminho.