Liderar sem fronteiras: a coragem de abrir novos caminhos

Entre desafios, mudanças legislativas e novos começos, Victoria Ferreira acredita que a verdadeira liderança se constrói com resiliência, serenidade e propósito. À frente da AVREN Advisory, ajuda pessoas a transformar a mudança de país numa oportunidade para encontrar um novo lugar a que possam chamar casa.

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Se pudesse sentar-se à mesa com a Victoria, que estava a decidir o seu futuro profissional, qual seria a conversa mais importante que teria consigo própria?
Dir-lhe-ia para ser resiliente, mas continuar a persistir apesar dos desafios, mantendo sempre o foco no objetivo principal, que é ajudar as pessoas no seu projeto de vida.

Ao longo da sua carreira tem ajudado pessoas a atravessar fronteiras físicas e burocráticas. Qual foi a fronteira pessoal ou profissional mais difícil que teve de ultrapassar para chegar à liderança da AVREN?
Ultrapassar um ambiente de trabalho conservador e, por natureza, mais masculino foi um dos desafios mais significativos a superar. Mas também o desafio de, para além de assistir o cliente nos seus direitos a atravessar a barreira física, ultrapassar os desafios psicológicos que uma imigração acarreta e o contacto com uma nova cultura, e proporcionar-lhe um certo conforto nessa transição. Algo bem exigente enquanto profissional, mas profundamente gratificante quando o objetivo do cliente é alcançado.

Num mundo onde o conceito de “casa” está cada vez mais ligado à mobilidade global, o que aprendeu sobre identidade, pertença e felicidade através das histórias dos clientes que acompanha diariamente?
A casa está hoje mais relacionada com um conceito abstrato de pertença a uma comunidade do que com uma localidade específica. As pessoas reinventam-se num novo país, numa nova cidade, muitas vezes ressignificando a sua própria identidade, ou ampliando-a. Aprendi que a felicidade nasce, muitas vezes, dessa coragem de recomeçar e de pertencer a algo maior.

Os Golden Visa têm sido alvo de alterações legislativas, debate político e alguma controvérsia pública. Enquanto mulher e líder num setor frequentemente condicionado por decisões governamentais, como se gere a incerteza sem perder a capacidade de inspirar confiança nos clientes e na equipa?
A instabilidade política e social é uma constante na legislação do mundo contemporâneo, sobretudo no que diz respeito à imigração. Transmitir a confiança de que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, enquanto advogados, para atingir o objetivo do cliente e da equipa é uma boa forma de manter a estabilidade num contexto de incertezas. A serenidade da liderança está, precisamente, em oferecer clareza onde outros apenas veem imprevisibilidade.

Quando se fala em mulheres de sucesso, fala-se muitas vezes dos resultados alcançados. Qual o momento que mais contribuiu para moldar a líder que é hoje? E que mensagem gostaria de deixar às mulheres?
A liderança feminina esteve sempre presente na minha vida, através da minha bisavó, avó e mãe. Mulheres em posições muitas vezes entendidas como “masculinas” foram uma realidade com que cresci e me desenvolvi como pessoa.

Não desistir de ter o meu espaço de voz e de direito, apesar de estar sempre num ambiente masculino, é a mensagem que gostaria de deixar às mulheres: ocupem o vosso lugar com firmeza e sem pedir licença.