ForBig – para crianças felizes e confiantes

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Muitas pessoas me dizem que ser mulher empreendedora em Portugal é muito difícil. Eu respondo sempre: “ser empreendedor é difícil, ponto”. Não se trata de género ou do local onde estás, trata-se de ter a coragem de começar algo do zero, de confiares em ti e nas tuas capacidades de colocar uma ideia a funcionar, sem saberes o tempo que vai demorar a ter retorno.

Para mim a parte mais difícil de empreender foi abdicar da “estabilidade financeira”, mesmo quando não te identificas com o que estás a fazer, mesmo quando estás contrariada e a tua saúde mental está em risco, o pensamento de “como vais pagar as contas ao final do mês?”, foi sempre algo que me aprisionou e não me deixou voar.

O empreendedorismo acompanha-me desde sempre, o inconformismo, o querer fazer diferente e fazer a diferença. Analisar, detetar problemas e tentar arranjar uma solução, o perseguir um objetivo e fazer acontecer. Agora, bem, quando fazes isto dentro das empresas deixas de ser empreendedora, para te tornar alguém que não se foca no seu trabalho.

Depois de várias tentativas à procura da tal estabilidade e de não conseguir encaixar, percebi que tinha de abrir a jaula e voar, que eu era a minha maior inimiga. A culpa não era das pessoas que estavam formatadas para fazer daquela forma, a culpa era minha por me querer formatar e ignorar a minha essência.

Aos 40 anos decidi dizer chega, e num impulso de loucura, apresentar a minha ideia à Acredita Portugal. Nesse momento percebi que estava num caminho muito difícil de percorrer, mas que sem dúvida esse era o meu caminho.

Assim nasce a ForBig, uma associação que através dos livros que escrevemos e dos jogos que criamos, permite incutir valores sociais nas crianças a partir dos três anos, prevenir sequelas no seu desenvolvimento e torná-las seres humanos mais conscientes e felizes.

O primeiro projeto é o No Bullying. Com ele ensinamos as crianças a detetar comportamentos de risco, estabelecer os seus próprios limites e a defender-se desde cedo, usando as palavras “não, pára, chega e basta”.

Quem me dera ter aprendido a dizer estas palavras em criança, com certeza teria voado mais cedo.

Estamos neste momento a trabalhar em projetos como “oh Não, o Divórcio” para explicar às crianças que quando os pais se separam, muitas coisas mudam, mas o amor por elas continua o mesmo, a “Pandemika” que mostra outras formas de demostrar afeto, mesmo quando nos obrigam a estar separados, “A Minha Avó é Uma Estrelinha” que os ensina a lidar com a saudade quando alguém nos deixa e o “It’s My Body” que ajuda a perceber que o corpo é nosso e devemos protegê-lo de situações que não nos deixam confortáveis.

Queremos deixar ferramentas de ajuda a escolas e famílias para que todos possam participar no crescimento saudável, confiante e feliz das nossas crianças.

E para mim, este é o verdadeiro significado de ser empreendedor, teres a coragem de avançar e com uma paixão arrebatadora fazeres a diferença na vida daqueles que acreditam em ti.

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