Como sente que ser mulher influenciou a forma como lidera o Colégio Luar do Saber e como enfrenta os desafios do empreendedorismo em Angola?
Biológica e socialmente somos feitas de resiliência, empatia, foco e uma capacidade multifacetada para desempenhar distintas tarefas em ambientes emocionalmente exigentes e de certo modo, desconhecidos. O projeto Luar foi a melhor prova de que quando queremos conseguimos, que muitas das vezes já temos as ferramentas necessárias, que não precisamos de 20 anos de experiência ou de mais uma formação na instituição de referência X para fazer as coisas como devem ser: só precisamos de querer servir, antes de ganhar o que quer que seja. E, assim, tem sido a minha trajetória enquanto mulher, líder e gestora de um projeto voltado para a comunidade. Servir, entregar qualidade, dar amor, ouvir, criar um espaço emocionalmente seguro são as principais ferramentas que tenho usado para levar esse barco avante.
“A Escola de hoje não dá resposta, em larga medida, à complexidade das relações humanas; não se trata apenas dos efeitos da tecnologia, mas sim da nossa identidade pessoal e profissional”.
Como pode a educação contribuir para a promoção da igualdade de género?
A educação pode e deve ser o mais importante palco para se explorar a criatividade humana de qualquer criança. E essa tem sido uma das muitas causas que defendo enquanto mãe e gestora escolar. A Escola de hoje não dá resposta, em larga medida, à complexidade das relações humanas; não se trata apenas dos efeitos da tecnologia, mas sim da nossa identidade pessoal e profissional. Quero com isto dizer que a construção da identidade pessoal da criança deveria ser explorada ao mesmo tempo em que se “descobrem” os dons e talentos, para que nos anos de escolaridade seguintes tivéssemos mais ferramentas para escolher o caminho profissional. Acredito piamente que cada um de nós nasceu com um talento, um dom que precisa ser descoberto e explorado desde cedo, para que não se perca no caos das obrigações sociais para se ter um bom emprego.
Que iniciativas do colégio promovem no em poderamento
das crianças?
Mais do que um projeto, o que tenho implementado é uma mudança de mentalidade. Não sinto que essa mudança que tanto almejamos deva ser, somente, trabalhada ao nível do empoderamento feminino, sob pena de criarmos desequilíbrios inesperados no sistema social. O que temos é de garantir que cada um ocupe o seu lugar na sua própria vida para, futuramente, saber onde e como se posicionar na relação com o outro. Não acredito em soluções rápidas quando se trata de resolver problemas dessa natureza.
Por outro lado, tenho trabalhado muito diretamente com a nossa Psicóloga, no sentido de proporcionar momentos de aprendizagem informal, junto dos nossos meninos e meninas, que promovam a autoestima e, construção e consolidação de uma identidade pessoal.
“Mulheres, todas nós nascemos com um talento e um tom de voz únicos que precisam ser vistos e ouvidos: é dessa forma que evoluímos enquanto sociedade”.
Que conselhos daria a mulheres para desenvolver as suas carreiras?
Mulheres, todas nós nascemos com um talento e um tom de voz únicos que precisam ser vistos e ouvidos: é dessa forma que evoluímos enquanto sociedade. Segura nos teus medos, caminha com eles faz da educação, do teu negócio um lugar seguro, feliz, com espaço para a individualidade, criatividade, amor, compaixão e empatia. Não precisas carregar o mundo sozinha, aprende a confiar na tua equipa e delega. Enquanto isso, sê muito feliz, porque é nesse caos que a vida acontece.










