Liderar com proximidade e rigor clínico

Lillian Castelão, diretora da Clínica PROREAB, partilha o percurso construído ao longo da última década, marcado pela exigência clínica, pela aprendizagem contínua e por uma liderança humana, próxima e focada no bem-estar das pessoas.

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O que a motivou a fundar a PROREAB em 2016 e qual considera ter sido a principal conquista alcançada pela clínica até hoje?
Em 2016, após nove anos de experiência em fisioterapia desportiva, mudei-me para Mira e surgiu a oportunidade de criar um espaço de reabilitação assente num modelo mais especializado, individual e consistente. Assim nasceu a PROREAB, inicialmente apenas constituída por mim. O início foi desafiante, sobretudo pela necessidade de desenvolver competências de gestão, uma aprendizagem que continua até hoje. A maior conquista foi o crescimento sustentado da clínica sem perder a essência do projeto. Passámos de uma estrutura unipessoal para uma equipa de 25 profissionais, mantendo valores que considero inegociáveis: proximidade com a comunidade, rigor clínico e cuidado humano e personalizado.

Ao longo destes anos, qual foi a decisão mais difícil que teve de tomar enquanto líder da PROREAB?
Uma das decisões mais difíceis foi deixar de centralizar todas as decisões em mim e aprender a delegar. Outro desafio passou por garantir que o crescimento da clínica não comprometesse a cultura de proximidade e acompanhamento humano que sempre defendemos. Estas decisões reforçaram a ideia de que crescer com coerência exige, muitas vezes, mais coragem do que crescer rapidamente, pois nem todas as oportunidades são progresso.

De que forma o seu percurso académico, a docência e a formação contínua influenciam a identidade técnica da PROREAB?
O meu percurso permite-me manter uma perspetiva clínica crítica e baseada na evidência. Mais do que isso, reforça a consciência de que nesta área nunca se sabe tudo, e é precisamente essa noção que nos faz evoluir. A aprendizagem contínua faz parte da responsabilidade de quem cuida, algo que procuro transmitir diariamente à equipa. Acredito que o crescimento individual de cada profissional acaba por moldar a identidade e a cultura da PROREAB.

Como docente, o que mais valoriza no contacto com as novas gerações de profissionais de saúde?
Valorizo muito a curiosidade dos alunos, a capacidade de questionarem e procurarem novas formas de pensar a prática clínica. As novas gerações chegam mais expostas à informação e à tecnologia, o que traz vantagens, mas também o desafio de preservar o raciocínio clínico e a relação terapêutica. Existe ainda uma maior procura por propósito, equilíbrio e ambientes de trabalho saudáveis, algo menos valorizado há alguns anos, o que obriga também as lideranças a evoluírem.

Para si, o que significa ser uma mulher líder num setor tão exigente e em constante trans formação como o da saúde?
Cresci rodeada de excelentes líderes e acredito que muito da minha postura resulta dessas referências. Na nossa área, liderar uma equipa depende de um trabalho diário de consistência, definição de prioridades e objetividade nas decisões. Não é possível estar em todo o lado, nem controlar tudo, o equilíbrio está em manter a coerência, a proximidade humana e a capacidade de continuar a evoluir sem perder identidade.