O que a motivou a fundar a PROREAB em 2016 e qual considera ter sido a principal conquista alcançada pela clínica até hoje?
Em 2016, após nove anos de experiência em fisioterapia desportiva, mudei-me para Mira e surgiu a oportunidade de criar um espaço de reabilitação assente num modelo mais especializado, individual e consistente. Assim nasceu a PROREAB, inicialmente apenas constituída por mim. O início foi desafiante, sobretudo pela necessidade de desenvolver competências de gestão, uma aprendizagem que continua até hoje. A maior conquista foi o crescimento sustentado da clínica sem perder a essência do projeto. Passámos de uma estrutura unipessoal para uma equipa de 25 profissionais, mantendo valores que considero inegociáveis: proximidade com a comunidade, rigor clínico e cuidado humano e personalizado.
Ao longo destes anos, qual foi a decisão mais difícil que teve de tomar enquanto líder da PROREAB?
Uma das decisões mais difíceis foi deixar de centralizar todas as decisões em mim e aprender a delegar. Outro desafio passou por garantir que o crescimento da clínica não comprometesse a cultura de proximidade e acompanhamento humano que sempre defendemos. Estas decisões reforçaram a ideia de que crescer com coerência exige, muitas vezes, mais coragem do que crescer rapidamente, pois nem todas as oportunidades são progresso.
“Crescer com coerência exige, muitas vezes, mais coragem do que crescer rapidamente, pois nem todas as oportunidades são progresso”
De que forma o seu percurso académico, a docência e a formação contínua influenciam a identidade técnica da PROREAB?
O meu percurso permite-me manter uma perspetiva clínica crítica e baseada na evidência. Mais do que isso, reforça a consciência de que nesta área nunca se sabe tudo, e é precisamente essa noção que nos faz evoluir. A aprendizagem contínua faz parte da responsabilidade de quem cuida, algo que procuro transmitir diariamente à equipa. Acredito que o crescimento individual de cada profissional acaba por moldar a identidade e a cultura da PROREAB.
Como docente, o que mais valoriza no contacto com as novas gerações de profissionais de saúde?
Valorizo muito a curiosidade dos alunos, a capacidade de questionarem e procurarem novas formas de pensar a prática clínica. As novas gerações chegam mais expostas à informação e à tecnologia, o que traz vantagens, mas também o desafio de preservar o raciocínio clínico e a relação terapêutica. Existe ainda uma maior procura por propósito, equilíbrio e ambientes de trabalho saudáveis, algo menos valorizado há alguns anos, o que obriga também as lideranças a evoluírem.
Para si, o que significa ser uma mulher líder num setor tão exigente e em constante trans formação como o da saúde?
Cresci rodeada de excelentes líderes e acredito que muito da minha postura resulta dessas referências. Na nossa área, liderar uma equipa depende de um trabalho diário de consistência, definição de prioridades e objetividade nas decisões. Não é possível estar em todo o lado, nem controlar tudo, o equilíbrio está em manter a coerência, a proximidade humana e a capacidade de continuar a evoluir sem perder identidade.










