A inovação para qualificar a economia do mar

Clara Simões, Diretora do Departamento de Planeamento, Formação e Certificação, afirma que a renovação dos polos e a aposta em simuladores avançados estão a fortalecer a oferta formativa do FOR-MAR, em resposta às novas exigências da economia azul.

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De que forma é que o FOR-MAR está a redefinir a sua oferta formativa para responder às necessidades reais do setor?
Para além das áreas tradicionais regulamentadas, reforçamos a formação em domínios emergentes, robótica, logística portuária, aquacultura e, muito em breve, em energias renováveis offshore, alinhando a qualificação com a transição digital e sustentável. Paralelamente, diversificámos os modelos de formação — presencial, e-learning e b-learning — garantindo flexibilidade e acesso a profissionais embarcados e comunidades costeiras.

Que mudanças concretas trará o projeto Hub Azul, que prevê a requalificação de polos, a aquisição de equipamentos tecnológicos e a criação de conteúdos pedagógicos para e-learning e b-learning?
Requalificámos polos, modernizámos equipamentos e concebemos conteúdos digitais inovadores. Este investimento materializa-se em infraestruturas modernas, laboratórios e ambientes de aprendizagem tecnologicamente avançados, que permitem formação mais prática, interativa e orientada para resultados. Por outro lado, vai permitir às empresas atualizar as competências profissionais dos seus trabalhadores, recorrendo, por exemplo, aos nossos simuladores de última geração.

De que forma a introdução de simuladores de navegação, automação, operação portuária, soldadura e máquinas marítimas na formação, aproxima a realidade operacional e melhora a empregabilidade dos formandos?
A introdução de simuladores e tecnologias avançadas aproxima a formação da realidade operacional do setor marítimo. Estes equipamentos permitem reproduzir cenários reais em ambiente seguro, reforçando competências técnicas, decisão em contexto crítico e preparação para operações complexas. Esta aproximação à prática aumenta a confiança das entidades empregadoras e melhora significativamente a empregabilidade e mobilidade dos formandos.

Como é que garantem que os novos centros, polos requalificados e plataformas digitais não se limitam à modernização física, mas criam uma rede duradoura de qualificação e inovação?
A estratégia do FOR-MAR vai além da modernização física. Estamos a consolidar uma rede nacional de polos interligados, suportada por plataformas digitais, conteúdos interativos e metodologias inovadoras. Complementarmente, estamos a desenvolver um novo modelo de negócio que integra serviços de valor acrescentado — como consultoria, prestação de serviços especializados e utilização de infraestruturas — potenciando a sustentabilidade e o impacto da organização.

Com a conclusão prevista para junho de 2026 e os níveis de execução atuais, que prioridades devem ser cumpridas para que os investimentos do PRR na economia do mar se tornem uma resposta estruturante?
A prioridade é consolidar este ecossistema de excelência: concluir a modernização das infraestruturas, operacionalizar plenamente os simuladores, centros de exame e outros equipamentos, operacionalizar o plano de negócios e expandir a oferta em áreas estratégicas. Em paralelo, será determinante afirmar o FOR-MAR como centro de referência nacional, aprofundando a ligação às empresas e dinamizando novas atividades e serviços que garantam sustentabilidade e resposta estruturante às exigências da economia do mar.