Ao longo deste tempo, que evolução nota na sua capacidade de trabalho, na forma como o faz e na sua capacidade de liderar a empresa?
A Mediaweb foi fundada pelo Nelson Rodrigues, atual sócio maioritário e Head of Services da empresa, e dois outros sócios, que posteriormente saíram. A minha entrada na Mediaweb resultou da necessidade, aos 27 anos,
de uma mudança na minha vida. Embarquei nesta aventura sem qualquer background na área da tecnologia – tenho uma licenciatura em Equinicultura e fui professora de equitação. Comecei como administrativa, passei para
Office & HR Manager e, em 2018, tornei-me sócia e iniciei funções como General Manager. Posso afirmar que foi um processo de muita aprendizagem. Quando entrei para a empresa, éramos apenas três pessoas. Neste momento somos 37, com uma estrutura por departamentos. Curiosamente, a equipa de gestão é essencialmente feminina, pois fomos percebendo que a capacidade organizacional das mulheres tem um papel preponderante para levaras ideias para a frente.
Que dificuldades já vivenciou, profissionalmente, devido ao seu género?
Inicialmente, o Nelson era o ponto de contacto com os clientes, quando alguns deles passaram para mim tive uma situação caricata. Um dos clientes não queria falar comigo, pois, para ele, eu não tinha autoridade para lhe responder. Até chegar ao ponto de se fazer anunciar pela secretária, penso eu, para me intimidar, o que não
resultou e teve que aceitar a minha decisão. Hoje, felizmente, cada vez há mais mulheres na área e são valorizadas pelas empresas, devido às suas competências.
Quais as capacidades que as mulheres possuem, que são particularmente interessantes para a empresa e para o desenvolvimento do seu trabalho?
A capacidade de organização que as mulheres têm é muito importante, quer seja em termos técnicos, quer seja em termos de gestão, porque ajuda a consolidar a estrutura da empresa. Se algum dos colaboradores tiver alguma necessidade, seja ela pessoal, técnica ou burocrática, é-lhes dado um suporte personalizado. Como sabe, a retenção nesta área é difícil, a concorrência entre empresas por colaboradores qualificados é enorme, mesmo assim temos pessoas connosco há oito anos. Consideramos que é resultado da nossa estrutura de gestão, que os ouve e apoia – no caso, feminina. Atualmente ainda temos mais técnicos homens do que mulheres, mas uma das colaboradoras técnicas mais recentes já está a gerir pessoas mais antigas na empresa, devido à sua capacidade de organização de processos e planeamento. Os homens são muito bons tecnicamente e desenvolvem projetos excelentes, mas, na sua maioria, não têm tanta atenção ao detalhe, nomeadamente prazos de entrega, especificações que o cliente pediu… Atualmente, a Mediaweb tem uma equipa constituída em 25% por mulheres, sendo que cinco delas entraram muito recentemente. Além disso, temos também nove estágios curriculares a decorrer e três deles são para raparigas.
Que mensagem gostaria de deixar a quem está a pensar trocar de carreira e seguir para a área tecnológica?
Se quisermos tudo é possível. O meu pai sempre me disse que eu conseguia ir mais longe e que, desde que trabalhasse, ia conseguir. Nesta área existem muitas pessoas autodidatas. O meu sócio, Nelson, tem o 12º ano concluído e depois aprendeu por si próprio tudo o que sabe sobre esta área. Hoje em dia o conhecimento está à distância de um clique, é só encontrar a informação certa e dedicar-se afincadamente ao objetivo. É uma questão de querer e de não desistir.











