“Não existe um único modelo de liderança”

Carla Silva partilha o percurso que a levou ao setor das energias renováveis, a visão que orienta a EML e as aprendizagens que moldaram a sua forma de liderar, sempre com as pessoas no centro das decisões.

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Que momentos, influências ou decisões acabaram por conduzi-la até ao setor das energias renováveis e quando sentiu que tinha encontrado o seu lugar?
O setor da energia surgiu de forma inesperada, mas rapidamente percebi que era uma área cheia de desafios. Desde cedo, consegui aplicar o que tinha aprendido no meu percurso académico e, ao mesmo tempo, contactar com várias dimensões deste setor, inclusive áreas técnicas que não estavam ligadas à minha formação. Esta combinação de aprendizagem, evolução e novos desafios foi determinante para o interesse e gosto genuíno que tenho por esta área.

Qual foi o momento mais determinante do seu percurso, aquele que a obrigou a reinventar-se e que moldou a líder que é hoje?
Ao longo de mais de 20 anos de carreira, não houve um momento determinante, mas um conjunto de experiências profissionais e pessoais. Ser mãe de três filhos ensinou-me a definir prioridades, gerir o tempo e desenvolver resiliência. As relações que fui construindo com diferentes pessoas ajudaram-me também a desenvolver empatia e capacidade de adaptação. Mas a maior mudança foi aprender a controlar a impulsividade, escutar e avaliar as várias posições e ideias e só depois decidir. Para mim, liderar é encontrar o equilíbrio e colocar as pessoas no centro.

Quem é a Carla para além do cargo de CEO? Que valores, paixões ou experiências pessoais moldam a sua identidade fora do ambiente profissional?
Quando desligo o computador tento estar verdadeiramente presente. Valorizo muito o tempo em família e com amigos, bem como acompanhar as atividades dos meus filhos, que são uma parte muito importante da minha vida e também me têm conseguido trazer bons momentos e amizades. A praia é o meu verdadeiro “reset” e tento incluir o desporto na rotina, sendo o padel uma das minhas formas preferidas de recarregar energias. São estes momentos que me dão o equilíbrio necessário para enfrentar os desafios profissionais.

Como avalia o contributo da EML para a transição energética e que desafios anteci pa para o futuro do setor?
A EML assume um papel relevante na transição energética, fiel ao seu propósito: Energy Means Life. Acreditamos que a energia está ligada à forma como vivemos, crescemos e evoluímos enquanto sociedade.

O setor enfrenta desafios exigentes, desde a implementação de soluções renováveis à necessidade de garantir estabilidade e eficiência dos sistemas energéticos. Por outro, a gestão da complexidade tecnológica, regulatória e em especial humana, será cada vez mais crítica. O grande desafio será encontrar equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e acessibilidade. E é aí que a EML faz a diferença, através de uma visão estratégica clara e da capacidade de adaptação.

Se pudesse voltar atrás, o que diria à jovem Carla sobre coragem, ambição e sobre o caminho que a levaria a liderar empresas?
No início, nem sempre temos todas as respostas, e está tudo bem. A coragem está em avançar na mesma, questionar, aprender com os outros e sair da nossa zona de conforto. É essa abertura que nos permite ganhar uma visão mais ampla das organizações e conquistar aquilo a que nos propomos. Diria também para ser ambiciosa, mas sem pressa, porque o percurso constrói-se com consistência. Acima de tudo, para nunca perder a autenticidade. Não existe um único modelo de liderança. Cada pessoa constrói o seu com base nos seus valores e experiências. É um processo evolutivo e é isso que torna tudo mais emocionante.