“Não há como a Madeira para viver e investir”

Rui Abreu é o diretor da Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa da Madeira e, nesta entrevista, destaca o papel deste organismo na atração de investimento para esta Região Autónoma, bem como a importância do Estatuto da Ultraperificidade, um mecanismo de proteção e regulação europeu que garante aos investidores a confiança e a segurança necessárias para apostar na Madeira. O número de investidores continua a subir e as perspetivas para 2022 continuam muito positivas.

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Rui Abreu, diretor

Qual a importância, para o arquipélago da Madeira, da alteração das regras de investimento, no que respeita aos Vistos Gold?

Estas alterações nas autorizações de residência para atividade de investimento (ARI) já eram há muito aguardadas. Há cerca de dois anos que está prevista a limitação dos chamados Vistos Gold na grande malha urbana do litoral português. A Madeira, desde sempre, apostou na heterogeneidade da sua economia. Não somos apenas uma região de Turismo, somos igualmente um território que há cerca de 40 anos apostou na captação de investimento, de que o exemplo maior é o Centro Internacional de Negócios – CINM. O nosso sucesso, nessa e outras áreas, demonstra a nossa vocação inequívoca para o acolhimento de investimento.

Como pode a Madeira tornar-se particularmente atrativa a estes investimentos?

A Madeira é uma Região, em si própria, particularmente atrativa. Quer para o investimento imobiliário, como para outros. E não vou destacar apenas o óbvio, que é a aprazibilidade do clima onde, aqui sim, gozamos de uma Primavera eterna, da hospitalidade das nossas gentes, da diversidade de oferta em termos de paisagem, aventura, cultura ou da nossa gastronomia muito particular. A Madeira é uma Região que concilia um conjunto de benefícios fiscais, decorrentes do estatuto de Ultraperificidade que nos confere o artigo 349º do Tratado de Funcionamento da União Europeia, ao mesmo tempo que está submetida aos mecanismos de regulação do país e das instituições europeias, o que confere aos investidores uma segurança e confiabilidade que outras paragens não oferecem. Sabe-se que, nos dias de hoje, a simples alusão de que uma determinada entidade, singular ou empresarial, tem investimentos em off-shores ou praças desreguladas fora da UE, pode macular a sua reputação. No caso da Madeira este perigo está salvaguardado pelo facto de estarmos protegidos pelos mecanismos europeus.

Qual a percentagem deste tipo de investimentos já realizada na Madeira?

A Madeira tem ainda muito para crescer neste campo. Os números mais recentes apontam para um valor de 60 milhões de euros, para investimentos superiores a 500 mil euros, entre 2017 e 2021, correspondendo a cerca de 50 autorizações de residência. Recordo que a gestão destes processos não está regionalizada. É uma competência exclusiva do SEF. O que a Madeira procura é criar as condições de atratividade para que o nosso destino seja escolhido. E o Governo Regional, estando atento à mudança da legislação, está empenhado, em 2022, em incrementar essas condições e a sua divulgação.

“A Madeira é uma Região que concilia um conjunto de benefícios fiscais, decorrentes do estatuto de Ultraperificidade que nos confere o artigo 349º do Tratado de Funcionamento da União Europeia, ao mesmo tempo que está submetida aos mecanismos de regulação do país e das instituições europeias, o que confere aos investidores uma segurança e confiabilidade que outras paragens não oferecem.”

O montante mínimo de investimento no setor imobiliário mantém-se nos 500 mil euros. Esta pode ser uma solução para a requalificação urbanística, sempre necessária nos centros das cidades?

É preciso ter em conta que os 500 mil euros de investimento em imobiliário não são solução
única para os ARI- VG. Em Áreas de Reabilitação Urbana (ARU’s) devidamente delimitadas por
uma autarquia, esse investimento pode ser de 350 mil euros. Os investimentos em fundações, cultura e ciência implicam um investimento ainda menor. Mas é todo este mix de opções, de que a Madeira felizmente dispõe, que pode tornar-nos um destino realmente apetecível. Naturalmente que a Madeira tem municípios que têm feito um esforço meritório para reabilitar as suas zonas históricas. Os ARI-VG são, obviamente, uma ferramenta importante nesse contexto. Tendo sempre em atenção que é fundamental criar uma
bolsa que não implique um aumento dos custos de renda ou de aquisição para os locais. O Governo Regional tem previstos 136 milhões de euros, ao abrigo do PRR, para habitação a custos controlados e apoio ao arrendamento. É muito importante que o acesso à habitação se faça não apenas em bairros periféricos, especificamente criados para o efeito, mas também através de uma integração harmoniosa nas zonas mais típicas e nobres da cidade, se falarmos especificamente do Funchal.

Quais as principais nacionalidades dos investidores que optam pelo arquipélago da Madeira para fazer os seus investimentos?

As principais nacionalidades são aquelas que, também no país, prevalecem, embora com as
nossas próprias particularidades, que advêm das ligações históricas da nossa Região,
nomeadamente em termos de emigração. Russos e norte-americanos em destaque, mas também brasileiros, chineses, sul-africanos e bolivianos. Destaco o grande investimento em imobiliário que tem vindo a ser feito por regressados da Venezuela, que acabam por não entrar nessa contabilidade oficial por via de terem nacionalidade portuguesa, ou dupla
nacionalidade, mas que serão os que mais impacto têm na nossa economia, bem como no
tecido social e laboral.

Qual o papel da Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa na divulgação das possibilidades que os Vistos Gold abrem aos investidores que invistam na Madeira?

O Governo Regional tem um conjunto de entidades que têm por missão atrair investimento.
A SDM, que gere o Centro Internacional de Negócios, a InvestMadeira e, numa vertente mais
de gestão direta, esta Direção Regional. Nós temos uma missão de maior aproximação com as comunidades, favorecendo o seu investimento na sua terra de origem e trazendo outros investidores dessas paragens. Mas trabalhamos com grande articulação entre departamentos, pois o objetivo comum é trazer riqueza para a Madeira e para Portugal.

Considerando as novas regras a aplicar a partir do início deste ano, como lhe parece que o investimento neste arquipélago evoluirá?

Nota-se um interesse crescente que advém já do final do ano passado. Muitos agentes com sede no continente, nomeadamente em Lisboa e Porto, estão a contactar-nos para perceber o mercado. Daí que seja fundamental estarmos abertos a trabalhar com os parceiros regionais, mas também nacionais. Em todo o caso, as perspetivas parecem-me ser as melhores. Não há como a Madeira para viver e investir.

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