Novos rumos do empreendedorismo feminino holístico

Isabel Guimarães, CEO da faces, fundadora e presidente da associação portuguesa de astrologia, construiu um percurso singular ao unir astrologia, terapias holísticas e rigor científico. A sua visão prova que espiritualidade, empreendedorismo e profissionalismo podem caminhar juntos, criando um impacto real e sustentável.

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A Faces é um centro de formação reconhecido internacionalmente. Como surgiu a ideia e que necessidades veio colmatar?
A Faces nasceu da consciência de um vazio enorme entre o saber astrológico tradiciona e as necessidades terapêuticas contemporâneas.

A minha experiência revelou três lacunas essenciais que a Faces veio colmatar: a falta de formação astrológica com rigor pedagógico e integração terapêutica; a inexistência de espaços credíveis que articulassem diferentes abordagens holísticas com credibilidade e profundidade numa visão verdadeiramente multidimensional do ser humano; e, talvez a mais desafiantes, a ausência de reconhecimento oficial que permitisse dignidade e legitimidade profissional. Ter a certificação pela DGERT em Portugal representou um marco histórico – não apenas para a Faces, mas para toda a comunidade astrológica portuguesa, validando anos de trabalho e demonstrando que a astrologia, quando ensinada com uma estrutura pedagógica sólida e metodologia comprovada, é uma área de conhecimento legítima e com aplicações terapêuticas reais.

A faces tornou-se mais que uma escola – é um laboratório vivo onde tradição e inovação se encontram. Formamos não apenas astrólogos, mas facilitadores de consciência preparados para os desafios do século XXI, com qualificações reconhecidas e respeitadas. Não nos limitamos a ensinar astrologia – formamos terapeutas equipados com instrumentos únicos que amplificam exponencialmente o potencial transformador do seu trabalho, posicionando-os na vanguarda desta área em constante evolução.

Que importância tem a formação que oferecem no empoderamento feminino e no empreendedorismo?
As formações oferecem às mulheres o reconhecimento e valorização de capacidades historicamente femininas como intuição, empatia perceção cíclica e visão integrativa. Ao formarem-se nestas áreas, reconectam-se com saberes ancestrais, compreendem que a sua sensibilidade não é fraqueza mas potência, e desenvolvem ferramentas concretas para transformar esta consciência em atividade profissional sustentável. Aprendem a confiar na sua perceção, a honrar os seus ciclos naturais e a criar modelos de negócio que respeitam o equilíbrio vida-trabalho, permitindo flexibilidade, autonomia e a possibilidade de trabalhar a partir de qualquer lugar.

As formações que oferecemos não ensinam apenas técnicas, cultivam a confiança necessária para que cada mulher se torne arquiteta da sua própria jornada profissional.

Que conselhos daria a mulheres que ambicionam criar os próprios negócios?
Invistam em formação sólida e contínua, pois a credibilidade constrói-se com conhecimento, não apenas com paixão. Estabeleçam preços justos, criem estruturas organizadas e tratem o vosso negócio com a seriedade que merece. Desenvolvam a vossa identidade única: não copiem outros profissionais, o mercado precisa da vossa voz e da vossa combinação singular de dons e aprendizagens.

Além disso, construam comunidade em vez de competir: a colaboração e o apoio mútuo potenciam o crescimento. Sejam pacientes, mas persistentes: criar um negócio sustentável requer tempo, mas permite alinhar a vida profissional com a vossa verdadeira essência.

E, acima de tudo, mantenham sempre a ligação ao propósito que vos trouxe até aqui, pois é ele que dará sentido e realização ao vosso trabalho.

Representou Portugal na ISAR e tem experiência em congressos e formações internacionais. Como avalia a recetividade do trabalho de mulheres empreendedoras a nível internacional?
A recetividade internacional tem evoluído significativamente, embora de forma desigual entre culturas. A participação em eventos internacionais evidencia um crescente reconhecimento do valor que aportamos, combinando sabedoria ancestral com rigor contemporâneo.

Quando apresento investigação fundamentada, metodologias inovadoras e resultados mensuráveis, o género torna-se secundário, pois a excelência do trabalho sobressai por si só. A pandemia acelerou esta transformação, aumentando a procura por bem-estar integral e desenvolvimento humano. É encorajador observar uma nova geração de profissionais e instituições que valorizam qualidades tipicamente associadas às mulheres, como abordagens integradoras, sensibilidade relacional e visão holística. As mulheres empreendedoras são reconhecidas não apenas como alternativas, mas como essenciais para a evolução da consciência coletiva.

Que impacto pretende deixar e como vê o papel das mulheres na transformação e inovação do empreendedorismo?
Pretendo deixar um legado que transcenda as instituições que criei, mostrando que é possível conciliar conhecimentos ancestrais com inovação, espiritualidade com profissionalismo, e valores como integridade e serviço com sucesso empresarial. Aspiro a que estas iniciativas inspirem futuras gerações a elevar estas áreas a patamares de excelência e reconhecimento.

Quanto ao papel das mulheres no empreendedorismo, acredito que estamos perante uma revolução silenciosa, na qual elas estão a redefinir o sucesso, promovendo modelos de negócio sustentáveis, colaborativos e humanizados, criando novos paradigmas onde intuição, razão, lucro, propósito, ambição e compaixão coexistem e transformam a própria noção de prosperidade.