O que a motivou a assumir a gestão da Infinitech Engenharia?
A Infinitech é, para mim e para o Luís Folgado, um exemplo de coragem e reconstrução. Em 2013, em plena crise da Troika, decidimos adquirir a empresa quando estava em insolvência. Foi um risco, mas acreditámos que, com o seu conhecimento técnico e o nosso compromisso total, conseguiríamos reerguer a empresa. E assim foi, em 2019 assumi a Gestão motivada por consolidar uma Infinitech sustentável e humana.
Hoje, acredito que a Infinitech cresceu, porque colocou o capital humano no centro das decisões e houve, desde o primeiro dia, uma enorme dedicação, esforço e resiliência para reerguer a empresa.
“A maior aprendizagem que retiro deste processo
é que a inclusão não se decreta, constrói-se com a
capacidade de olhar para cada detalhe como uma
oportunidade de garantir dignidade e autonomia
a todos”.
Como equilibra uma liderança orientada a resultados com uma gestão centrada nas pessoas, num setor masculino?
Apesar de termos uma estrutura maioritariamente masculina, sempre procurei construir uma liderança onde o respeito, a colaboração e a valorização das pessoas estão acima de qualquer diferenciação de género. Na Infinitech, tanto as mulheres que integram a área técnica como os restantes elementos da equipa sentem-se verdadeiramente integrados, reconhecidos e felizes, porque criámos um ambiente onde o mérito e o caráter contam mais do que qualquer estereótipo.
Equilibrar resultados com uma gestão centrada nas pessoas exige proximidade, escuta ativa, empatia e confiança. Acredito que é esse modelo que nos permite atingir metas ambiciosas sem perder a essência humana que nos define. No meu caso, sinto um orgulho imenso em trabalhar com esta equipa – uma equipa que me respeita, inspira e que todos os dias confirma que a confiança se constrói na relação, não no género.

Quais as práticas que melhor refletem a gestão humanizada da Infinitech?
Na Infinitech, a gestão humanizada sente-se no quotidiano. Valorizamos as pessoas não apenas pelo que fazem, mas pelo que são. Participamos em atividades fora do contexto laboral, que reforçam laços e criam memórias partilhadas. No dia a dia, promovemos momentos de descontração genuína: conversa-se sobre temas variados, há quem cante, surgem desafios entre colegas e até contamos com verdadeiros “comentadores” desportivos e políticos.
Sabemos também que cada pessoa traz consigo uma vida familiar, desafios e responsabilidades que não desaparecem ao entrar no trabalho. Por isso, oferecemos flexibilidade para que cada colaborador consiga conciliar a vida pessoal com a profissional. Para mim, humanizar uma empresa é precisamente isto: criar condições para que cada colaborador se sinta compreendido, respeitado e valorizado – só com pessoas felizes se constroem empresas sólidas.
Qual é a visão que tem para o futuro da Infinitech?
A minha visão para o futuro passa por continuar a crescer de forma sustentada. 2025 tem sido um ano de reconhecimentos que validam a qualidade da nossa gestão e dos nossos serviços. Para 2026, queremos dar continuidade a este caminho, aliando o crescimento económico ao crescimento estrutural da empresa. Um passo decisivo será o início das obras da nossa nova sede no primeiro trimestre do ano – um momento muito esperado por toda a equipa.
É a promotora do projeto Vale de Memórias – Turismo Inclusivo. O que a motivou a avançar com esta iniciativa?
O Vale de Memórias é um projeto profundamente pessoal. É arrojado na forma como olha para o turismo, porque nasce com a convicção de que o turismo deve ser para Todos – sem exceção. Esta iniciativa está a ser construída na casa dos meus avós maternos, em Vale da Madre, Mogadouro, um lugar onde passei grande parte da minha infância e ao qual estou emocionalmente ligada.
A decisão de avançar com este projeto vem também das vivências da minha família. As circunstâncias familiares confrontaram-me com uma realidade que não podemos ignorar: a vulnerabilidade existe. Senti que tinha de transformar estas vivências numa resposta concreta, inclusiva e humana.
Curiosamente, a coragem para dar o primeiro passo surgiu num encontro de empresários em Santa Maria da Feira. Partilhei a ideia com o Presidente da República, que me encorajou, desde o primeiro momento, a seguir em frente. Esse incentivo, aliado ao apoio incondicional da minha família, deu-me a força necessária para começar a tornar este sonho real.

Que aprendizagens retira deste processo e como avalia a importância de pensar a inclusão de forma holística?
O Vale de Memórias nasceu com a ambição de ser verdadeiramente inclusivo, preparado para acolher qualquer pessoa, independentemente das suas limitações físicas, cognitivas ou sensoriais. Do ponto de vista burocrático, o meu percurso na Infinitech tornou o caminho mais simples, juntamente com a equipa que me acompanha em backoffice. A arquiteta que desenhou este sonho, em colaboração com a nossa equipa de engenharia, colocou nele uma sensibilidade única. E agora, na fase de obra, o construtor tem honrado o projeto.
Esta visão holística só é possível quando existe uma equipa que acredita no propósito. A maior aprendizagem que retiro deste processo é que a inclusão não se decreta, constrói-se. Constrói-se com a capacidade de olhar para cada detalhe como uma oportunidade de garantir dignidade e autonomia a todos. Depois da Casa da Avó Ana e do Avô Quim estarem em funcionamento, contamos com uma parceria já estabelecida para garantir todas as atividades lúdicas, de lazer e desportivas para os seus utilizadores.
“Equilibrar resultados com uma gestão centrada nas
pessoas exige proximidade, escuta ativa, empatia
e confiança. Acredito que é esse modelo que nos permite
atingir metas ambiciosas sem perder a essência humana
que nos define”.
Quais foram as principais dificuldades sentidas ao longo desenvolvimento do projeto Vale de Memórias e como conseguiu superá-las?
A maior dificuldade ao longo do desenvolvimento do Vale de Memórias tem sido, sem dúvida, a morosidade na análise das candidaturas de financiamento. O projeto representa um investimento de cerca de 600 mil euros, e embora tenhamos iniciado a obra com capitais próprios – e assim continuaremos enquanto não existir uma decisão final – lamento profundamente que, passados mais de 12 meses, a candidatura submetida ao programa Inovação Produtiva – Baixa Densidade continue em análise. Esta falta de resposta atempada cria um bloqueio real ao empreendedorismo: muitos empresários acabam por desistir dos seus projetos por não terem previsibilidade, apoios e informação concreta.
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