Excelência e inovação no mercado nacional dos ovos

Gil Domingues, do departamento financeiro da Uniovo, revela como a aposta em sistemas automatizados, certificações rigorosas e práticas de bem-estar animal garantem um produto de qualidade e abrem portas a mercados internacionais.

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A Uniovo, fundada em 1987 e apoiada no know-how do grupo Globalfer, consolidou a sua reputação no mercado português através de uma aposta contínua na qualidade. Como revela Gil Domingues, o percurso da empresa “tem decorrido de forma constante, sempre assente num pilar fundamental: a qualidade do produto”. Nos últimos anos, a empresa viveu um dos seus maiores impulsos: “Duplicámos o número de colaboradores e mudámos a sede para a localização atual, que nos proporcionou as condições necessárias para implementar a estratégia de crescimento, apostar em modos de produção alternativos e reforçar o nosso compromisso com o bem-estar animal”.

Bem-estar animal como base da qualidade
Para a Uniovo, a qualidade dos ovos começa por garantir uma vida digna às suas galinhas. A empresa orgulha-se de cumprir a norma Welfair, uma certificação que traduz o seu compromisso com o bem‑estar animal. “As práticas que implementamos estão alinhadas, contemplando os standards definidos: a nutrição adequada das aves, o alojamento apropriado, e o acompanhamento sanitário. Além disso, realizamos uma análise contínua do seu comportamento, de forma a verificar se tudo se mantém dentro da normalidade”, explica o responsável. Num contexto em que circulam críticas e polémicas sobre o tratamento de aves, considera que a solução passa pela “formação e sensibilização das pessoas que lidam diretamente com os
animais”. Deste modo, a componente humana é decisiva e só através de profissionais bem preparados e conscientes se consegue transformar normas em cuidados efetivos para as aves.

Inovação tecnológica e valorização das pessoas
A Uniovo investiu em sistemas automatizados e controlo remoto, através de aplicações e plataformas, que permitem monitorizar e controlar os dados em tempo real. Esta modernização reduz tarefas físicas e direciona os colaboradores para funções de maior responsabilidade e especialização. “Esta estratégia, além de permitir a produção em escala, garante um produto final de qualidade e de forma eficiente”, afirma.
No centro deste processo encontram-se a classificação, o processamento e o embalamento dos ovos. A empresa recorre a robótica avançada para assegurar a higiene, segurança alimentar e uniformidade da qualidade. “Estamos a desenvolver um projeto de ampliação do centro de classificação, com aquisição de novos equipamentos mais modernos, como a tecnologia de inteligência artif icial”. Ainda assim, o capital humano continua a ser essencial. A formação dos colaboradores é planeada pelo departamento de Recursos Humanos, com especial foco no desenvolvimento pessoal – “programas mais inovadores e focados no desenvolvimento pessoal, como a inteligência emocional e o trabalho de equipa” – com o objetivo de melhorar o desempenho profissional, a coesão interna e o bem-estar dos colaboradores.

Desafios e oportunidades
Graças ao elevado padrão de qualidade, conseguiu expandir a sua atuação num mercado nacional exigente e ganhar espaço no mercado da saudade. Além da certificação Welfair, detém a certificação alimentar pela norma IFS Food que reforça a confiança dos clientes e abre portas a mercados internacionais. “Temos adquirido novos clientes precisamente devido a esse reconhecimento da qualidade, bem como do impulso gerado pelo mercado da saudade”.
A expansão internacional, contudo, enfrenta entraves: “os processos de licenciamento e a burocracia tornam-se frequentemente pesados e dificultam a concretização dos objetivos no tempo desejado”. Além disso, a necessidade de realizar investimentos avultados, em tecnologia, infraestruturas ou certificações, representa um desafio constante. Apesar disso, o aumento do consumo per capita de ovos, tanto em Portugal como no exterior cria um cenário favorável. “Estes elementos conferem-nos uma vantagem competitiva face a determinados concorrentes e permitem-nos aproveitar de forma mais eficaz o
crescimento da procura”, explica Gil.

Estratégia futura
A Uniovo prepara-se para uma nova fase de crescimento focada em sistemas de solo, reforçando a criação de galinhas ao ar livre e o reforço da oferta de ovos biológicos. “Os métodos convencionais – onde as aves são alojadas em ambientes como alas ou baterias – não fazem parte da nossa estratégia futura”, esclare o gestor. Para suportar esta transição, estão previstos novos investimentos, como a criação de uma nova unidade produtiva que permitirá ampliar a capacidade e diversificar estrategicamente a implantação geográfica. A sustentabilidade continuará a ser um eixo fundamental. Segundo Gil, existe um compromisso com as práticas ESG acompanhado por um departamento e uma comissão dedicados a monitorizar e implementar medidas concretas com esses princípios. “Continuaremos a investir, porque o mercado assim o exige e faz totalmente sentido estarmos atentos, ativos e permanentemente na linha da frente”. Com esta visão, a Uniovo procura manter-se como referência na produção de ovos de qualidade, aliando o bem-estar animal, rigor ambiental e capacidade de resposta ao mercado.