“O mercado de trabalho é cada vez mais inconstante”

O CECOA sempre foi conhecido pela sua dinâmica na realização de cursos e formações, bem como pela forma que prepara os seus formandos para o mercado de trabalho. Sílvia Coelho, a diretora interina deste centro de formação, destaca a importância da formação contínua para enfrentar um mercado de trabalho em constante mudança e adaptação, bem como os novos cursos disponíveis para 2022.

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Dr.ª Sílvia Coelho, diretora interina

Considerando que estes últimos anos foram difíceis, no que respeita à formação e ensino, como se adaptou o CECOA a esta realidade?

O CECOA passou a disponibilizar as suas ações de formação em formato online. Desta forma, continuámos próximos dos nossos clientes, individuais e empresas. Por outro lado, procurou-se responder aos desafios que a pandemia nos colocou, quer em termos de oferta formativa, quer em termos de programas e metodologias pedagógicas. Foi necessário adaptar e inovar a oferta formativa, procurando-se antecipar as necessidades do nosso público-alvo para que as dificuldades se pudessem minimizar e, sempre que possível, transformar em oportunidades. Em tempos atípicos e difíceis, o CECOA consolidou a sua presença e o seu desempenho enquanto operador de formação, sendo, inequivocamente, uma entidade a quem as empresas podem designar de parceira, na mitigação das consequências da pandemia, em termos de mercado de trabalho e de manutenção e desenvolvimento do negócio.

Quão importantes são áreas como a formação à medida e a formação interempresas, no que respeita aos novos moldes do mercado de trabalho?

São da maior importância. Estas modalidades de formação permitem responder, de forma eficaz, às necessidades específicas de cada cliente. Encontram-se soluções à medida de cada necessidade, problema ou desafio. No que diz respeito à formação interempresas, o CECOA procura antecipar as necessidades do mercado e colocar à sua disposição propostas formativas que contribuem para uma melhor gestão e adaptação à (nova) realidade laboral que cada vez mais se afigura como dinâmica, imprevisível e impermanente.

A formação à medida tem um público-alvo particular?

As empresas são as que mais recorrem a este tipo de formação. No entanto, também temos clientes particulares que recorrem à formação one-to-one, em que procuram colmatar alguma lacuna de conhecimento ou adquirir competências específicas em determinada área que lhes seja fundamental, ou complementar, para o seu desenvolvimento pessoal ou exercício profissional.

Quais as mais-valias que a formação interempresas aporta a quem nela participa?

A formação interempresas permite que quem a frequenta se mantenha atualizado e desperto para as constantes necessidades de adaptação a novas realidades laborais. O mercado é cada vez mais inconstante e a capacidade individual de adaptação é a melhor forma de se estar preparado para o que “der e vier”. Se a formação inicial e qualificante é fundamental para uma boa (re)entrada no mercado de trabalho, a formação contínua é a melhor forma de se manter e evoluir em termos de carreira profissional.

Que análise faz, no que respeita às áreas ligadas ao comércio, sobretudo, daquilo que mudou e das características profissionais de que o mercado de trabalho agora necessita?

A pandemia tornou evidente a necessidade que o comércio tradicional e local tem de evoluir, de se modernizar e de encontrar novas formas de negócio. São necessárias práticas diferentes para se potenciarem os resultados. Práticas essas que devem ser centradas nas necessidades e na satisfação dos clientes, que passaram a ser mais exigentes, a privilegiar a qualidade do produto e do serviço, a comodidade e a experiência de compra. As entidades que atuam na área do comércio têm de adquirir competências de análise de mercado e dos consumidores por forma a serem constantemente competitivas. No que diz respeito aos seus profissionais, precisam de pessoas cada vez mais adaptáveis, competentes e qualificadas. Já não basta saber atender, negociar e vender. É necessário antecipar necessidades de consumo, saber atuar no mercado digital e em todos os canais disponíveis para exposição e venda de produtos, saber comprar, otimizar stocks e encontrar as melhores soluções logísticas.

“A formação contínua é a melhor forma de se manter e evoluir em termos de carreira profissional”

Como antecipa a adaptação dos serviços de comércio à realidade digital e a um novo tipo de cliente (o cliente online)?

Existem duas realidades muito díspares e polarizadas. Por um lado, estão os que já se tinham adaptado e os que se adaptaram por força das circunstâncias, conseguindo sobreviver, evoluir e até melhorar a sua abrangência e volume de negócio. Por outro lado, existem os que não conseguiram acompanhar a realidade digital, que foi precipitada pela pandemia. Para estes vai a nossa preocupação fundamental. É necessário que as empresas se renovem e que adquiram as competências necessárias para se tornarem competitivas em novas formas de mercado. O CECOA pode contribuir nesse sentido.

Enquanto centro de formação, como lhe parece que a Economia irá reagir, nos próximos tempos? A recuperação económica é possível de acontecer em breve?

Adoraria dizer que sim, mas a experiência mostra-nos o contrário. As recuperações são difíceis, lentas e necessitam de ser bem sustentadas. A incerteza no futuro próximo continua a causar retração no consumo e no investimento. E estes são verdadeiramente os pilares para a retoma económica. Para além da pandemia e de todas as suas condicionantes e consequências, o país encontra-se igualmente numa situação politicamente pouco favorável à estabilidade, no que diz respeito ao crescimento económico. Estamos à beira de eleições, sem se poder antever quais serão as linhas condutoras em termos de políticas públicas. A inconstância sucessiva no que diz respeito a políticas fiscais estáveis também é um dissuasor do investimento privado, nacional e estrangeiro. Não antevejo uma recuperação económica significativa num futuro próximo.

Para 2022, quais as novidades formativas que o CECOA se prepara para apresentar?

Continuaremos a apresentar soluções ao nível da digitalização dos negócios do comércio, das novas formas de marketing, da modernização e otimização das empresas, da cibersegurança, do desenvolvimento pessoal e profissional, da gestão de recursos humanos e ainda da área dos cuidados pessoais e do bem-estar. No que diz respeito a formação inicial e qualificante, estamos a preparar um conjunto de cursos de Especialização Tecnológica, que decorrerão em Lisboa, Coimbra e Porto, nas seguintes áreas: Comércio Internacional, Cibersegurança, Contabilidade e Fiscalidade, Banca e Seguros. Muito em breve o nosso plano de formação poderá ser consultado no nosso site (cecoa.pt).