“O nosso trabalho realiza sonhos”

A RC Crédito nasceu da experiência de 24 anos da Rita Catita na área, 20 dos quais na banca, onde desempenhou diversos cargos, desde gerente dinamizadora a diretora de agência em algumas das principais instituições bancarias nacionais. Agora enquanto intermediário de crédito trabalha com a maioria dos bancos destacando os que apresentam - a cada momento - ofertas reconhecidas como as mais competitivas.

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Como analisa o mercado, relativamente à importância da intermediação de crédito, o conhecimento das pessoas sobre o que é e a forma como pode ajudar quem necessita de crédito?

A atividade de intermediação de crédito tem exatamente o pressuposto de estabelecer ligação e mediar a relação entre o cliente e o banco. Seja o banco com que já trabalha, seja outro.
A oportunidade em participar no processo de conceção de crédito, não só procurando as melhores soluções como pela possibilidade de tratar cada processo como único, partilhar recomendações personalizadas para cada caso, cada cliente, cada família, torna o processo mais ágil, mais eficiente. Gosto de pensar que somos a peça facilitadora. Ambicionamos descomplicar o processo, tornando-o mais célere e principalmente poupando preocupações e tempo aos nossos clientes.

Quais os principais desafios que um intermediário de crédito enfrenta, considerando a forma como os portugueses lidam com as questões financeiras e o seu conhecimento (ou não) sobre os mesmos?

Experienciei na Banca, entre 1998 e 2016, inúmeras fases. Foi importante e fundamental adaptar-me a situações influenciadas por todo o tipo de desafios económicos e financeiros com impacto direto na concessão de crédito. Os clientes estavam lá e as suas necessidades também. É impossível não destacar momentos como a crise do subprime, os máximos históricos da Euribor ou a entrada desta taxa de referência em terreno negativo. Todos
fomos “obrigados” a reaprender olhar para o crédito e a agir de forma mais preventiva.
Momentos como esses, entre outros naturalmente, e hoje com a vantagem de poder comparar as melhores ofertas no mercado, ajudam-me a estabelecer o propósito: aumentar a chance de cada cliente ter as melhores condições possíveis. Como intermediário de crédito, a
atividade em si enfrenta os desafios de sempre, comercialmente comuns, como a conjuntura, a concorrência, o nível de serviço e a qualidade. Da relação com clientes o desafio maior é claramente a desinformação. Focamo-nos em encontrar soluções, se e quando são possíveis. É fundamental enquadrar a viabilidade no primeiro momento. Conseguir estabelecer os limites de cada operação, aferir existência de aforro, apoio e motivação. Tratar os clientes pelo nome, conhecer a sua situação familiar, profissional e correr atrás de um objetivo que, mesmo não sendo originalmente nosso, nos pertence, faz a diferença, contribui para o
conhecimento e promove a divulgação não só do que fizemos, mas do que podemos vir a fazer.

Relativamente às alterações dos prazos máximos para crédito habitação, recentemente em vigor, como vê esta alteração? Influenciará significativamente as escolhas de quem queira comprar casa?

O Banco de Portugal já havia recomendado uma convergência gradual para uma maturidade média de 30 anos, até final de 2022. São inúmeras as recomendações e medidas macro
prudências inerentes à conceção de crédito e a diminuição do prazo dos empréstimos é sem
dúvida uma das mais impactantes, principalmente em clientes com taxas de esforço altas.
Mas permita-me partilhar uma outra visão desse impacto que se reflete mais na notícia do que efetivamente em prestações mais altas. Se o prazo ultrapassar a idade da reforma, altura em que habitualmente existe uma redução do rendimento médio, o esforço estaria comprometido e se olharmos para o prazo de reembolso do empréstimo, quanto mais longo for, mais demora a amortização de capital e mais juros o cliente paga. Com a redução de prazo o risco de incumprir é menor e o custo também.

A consequência da redução da maturidade, com maior expressão nos clientes com mais de 35 anos, pode ser “contornada” de outras formas, optando por soluções de taxa mista ou fixa, que não comprometam a estabilidade dos encargos, aumentando a entrada inicial no caso de compra de casa nova e claro, apoiar-se num intermediário de crédito que consultará o mercado e fará uma comparação das várias propostas, relevando diferenças em mais do que a prestação ou o spread. Apesar de não estarmos autorizados a intervir na comercialização de outros produtos ou serviços bancários, nem está em questão essa pretensão, tudo importa, como os seguros, as vendas associadas, a taxa efetiva, etc.

Esta medida também convida os consumidores a reverem os seus créditos atuais. Se a concorrência tiver condições mais interessantes, que proporcionem poupança mensal mesmo com a redução de prazo, então transferir o crédito habitação é sem dúvida uma excelente opção.

Tendo em consideração a guerra entre Ucrânia e Rússia e o aumento constante da inação, o que implica que todos os preços subam, como vê a influência que tal possa ter no acesso ao crédito?

Este é um ciclo económico improvável, muito relevante para as famílias e as empresas, quando chega o momento de tomarem decisões de consumo ou de investimento. Longe de
recuperarmos das consequências da pandemia, eclode uma guerra. Antes da guerra, a subida das taxas de juro já era assunto, num pressuposto de contrariar a subida da inflação. O fenómeno desta aceleração da inflação a que temos agora assistido pode acelerar também o
BCE a tomar novas medidas, mesmo com a pretensão de manter o controlo dos preços e não
comprometer o crescimento económico.

A tendência de aumento das taxas de juro na Zona Euro a manter-se, vai acabar por se refletir tanto nas prestações das famílias já com crédito – indexados à Euribor – como nas que pretendam contratar crédito futuramente. Esta circunstância já está a dinamizar a oferta de crédito, nomeadamente com alterações estratégicas de antecipação ao aumento da taxa de referência, estimulando soluções de taxa fixa em vez da taxa variável.

A análise da inflação na Europa é particular, se comparada aos exemplos no Reino Unido ou EUA. A forte influência da componente energética acentua o aumento da inflação que temos assistido, tendendo a considerar-se este fenómeno limitado no tempo e dando alguma esperança de que os estímulos à economia sejam retirados gradualmente.

Portugal é reconhecido como um dos países onde a população tem maior iliteracia financeira. O que lhe parece que seria importante fazer para alterar esta realidade? Que avaliação faz sobre a geração mais jovem, no que respeita à sua noção sobre a importância da poupança?

Tive oportunidade de ler recentemente alguns artigos sobre este desafio, despertada pelo papel que os intermediários de crédito podem ter na intervenção com o consumidor. Um dos artigos, foi até partilhado por um cliente, um estudo recente de perguntas relacionadas com juros, diversificação de risco, inflação, entre outros, que colocava Portugal numa das últimas posições do ranking de iliteracia financeira (Zona Euro).

Lembro-me de, oportunamente, ter respondido ao cliente que ambicionava um nível de comunicação mais acessível, ajustado a cada público em geral e/ou culturas (são tão diferentes, mesmo na Europa). O “tabu” pela complexidade é que me parece que seria importante ultrapassar para alterar esta realidade.

A comunicação é tradicionalmente dirigida a especialistas do mercado financeiro e não acessível a todos. Começam a sentir-se melhorias, não só dos bancos centrais como do BCE, com a introdução de texto explicativos e informativos associados a imagens, esquemas, gráficos, algo que também prefiro no meu dia a dia. É fundamental – e nossa responsabilidade – analisar, explicar e relevar a informação essencial da acessória contribuindo não só para simplificar a informação como otimizar o processo.

Um bom exemplo quotidiano é uma simulação de crédito. É partilhada com um cliente sob a forma de FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia). Desde 2018 que é assim, não obstante algumas diferenças de banco para banco quanto ao conteúdo, a estrutura segue as mesmas regras, em toda a União Europeia. É um documento informativo com todas as condições de crédito, mas que tem mais de 12 páginas de informação completamente especializada.

A geração mais jovem, com exceção da que academicamente se enquadra no acesso à
informação especializada, é proporcionalmente comparável às demais. Ainda que já comece a
detetar algum espírito aforrador nos jovens em início de vida, não é linear uma preocupação
generalizada ou noção da necessidade dos capitais próprios em detrimento dos capitais alheios seja qual for o investimento preconizado.

Relativamente à RC Crédito, quais os objetivos delineados para o futuro próximo, que possa divulgar?

Dizem que a partilha dos objetivos reduz a chance de os concretizar, por isso guardarei para mim e para a minha equipa onde queremos realmente chegar, mas é imprescindível que a repercussão dos mesmos seja alentada com determinação e uma atitude sempre positiva, que não seja influenciada pela maior ou menor dificuldade para concretizar, ou pela incerteza que assola a vida financeira de todos nós. Alguém dizia que “a sorte dá muito trabalho” e eu acredito inquestionavelmente nisso.

Sentir que o nosso trabalho pode contribuir para fazer alguém viver melhor, financeiramente mais saudável e concretizar sonhos será sempre a maior e melhor recompensa da nossa dedicação.

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