“O mar é fulcral para o desenvolvimento da economia”

A blueOASIS desenvolve o seu trabalho em áreas que envolvem o mar, sobretudo no que concerne à criação de soluções para as áreas da energia renovável e da aquacultura, descarbonização da atividade marítima, a acústica submarina e igualmente em projetos de limpeza oceânica e impacte ambiental.

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Como caracteriza o trabalho desempenhado pela blueOASIS e o espaço que ocupa neste mercado?

Eu formei-me em Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico e doutorei-me em
Engenharia Naval, na Holanda. Enquanto lá estava, trabalhei no maior instituto mundial de
investigação marítima e pude perceber que a investigação não é algo apenas feito nas
universidades. No fundo, o que lá existe é uma forte ligação entre a indústria e as instituições de I&D, públicas ou privadas, o que faz com que a investigação pura seja levada a cabo nas
universidades, mas que, problemas críticos industriais, sejam solucionados por institutos ou
empresas de investigação aplicada. Quando voltei para Portugal, em 2019, notei essa lacuna –há um grande hiato entre as indústrias e as universidades, e há poucas empresas privadas na área da I&D aplicada para a Indústria Naval, Marítima e de Energia Offshore. Ora, é neste nicho de ação, na ligação entre as instituições publicas e a indústria, que nós nos posicionamos. Só trabalhamos com assuntos relacionados com o mar, mas fazemos investigação aplicada, de forma a resolver problemas que surjam nas indústrias ligadas a esta
área, através da consultadoria e da investigação.

Quais os projetos que gostaria de salientar, por serem mais marcantes?

Nós trabalhamos com a SustainableMarine – ligada às turbinas de maré, que criam energia com a força das correntes dos rios/mares. Estudamos o impacte que as turbinas têm no meio ambiente e se as turbinas estão a ter o comportamento que se pretende. Também trabalhámos com uma empresa que faz recolha de plásticos no Oceano– a TheOceanCleanUp – e temos uma forte parceria com a SeaWindTechnology, em termos de turbinas eólicas flutuantes, que quer instalar um grande número dessas estruturas em Portugal. Igualmente,
uma das áreas em que estamos a apostar é a acústica submarina: medição, modelação,
propagação e mitigação, para aplicações ambientais e de segurança.

O mar tem de ser fundamental,
independentemente das políticas
adotadas. Não pode ser relegado para
segundo plano. É um recurso estratégico
principalmente para um país como
Portugal
.

Como pode ajudar a indústria 4.0 a economia do mar?

Aliar princípios da Indústria 4.0 à economia do mar ainda vai impulsionar mais este recurso. A computação de alta performance, BigData e a inteligência artificial vão ajudar em muito a conseguir otimizar, desenhar e analisar todas as estruturas no mar de uma forma holística. Só assim é que conseguiremos reduzir custos e aperfeiçoar estas tecnologias ao máximo. E o know-how para tal já existe em Portugal.

Fala-se bastante do aproveitamento do mar, economicamente, mas raramente se fala de impactes ambientais. Estes existem, quando falamos de dinamizar a economia do mar, correto?

Qualquer efeito de uma solução tecnológica no ambiente deve ser estudado, para perceber se há efeitos nefastos e, se os houver, como podem ser mitigados. Qualquer projeto de energias renováveis tem um impacto ambiental, no entanto, não nos devemos esquecer que eles também podem ser positivos – há estruturas no mar que, depois de criadas, passaram a servir como um sistema de recifes e a partir dali forma-se um novo ecossistema…

É agora a altura de apostar no mar, sobretudo tendo em conta a conjuntura internacional e a própria preocupação governativa de dar destaque ao Mar?

Sim, agora é o momento. Já se veem aspetos positivos, todavia este setor tem que ser
considerado e tratado como um desígnio nacional. Se falharmos esta oportunidade no setor das renováveis (energia), quer como aquaculturas (alimentação), descarbonização (ambiente) e na acústica marinha (ambiente e segurança), perderemos terreno para outros estados. Aliar a nossa vocação de investigação e inovação, a nossa vontade e experiência a um ativo estratégico que é o mar é potenciar a economia nacional; como disse Camões, será passar além da Taprobana.

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