A Solar Hands nasce do seu regresso a Portugal após uma carreira internacional. Que lacuna identificou no setor que o levou a criar uma empresa mais próxima e clara?
Em Portugal, o valor é capturado na venda e raramente depois dela. O cliente é empurrado a decidir depressa e fica sozinho a validar os pressupostos e a operar o sistema, com análises baseadas em médias ou informação pontual, não no consumo real. De médias saem sistemas-padrão. Só do detalhe sai uma solução à medida, com valor otimizado para quem paga. Por isso, desenhamos a partir dos dados reais e ajustamos posteriormente, nem mais nem menos do que é preciso. O valor cria-se em todas as fases, não apenas na assinatura.
A marca assume que “explica, não apenas instala”. Na prática, o que muda no acompanhamento dos clientes e como se traduz em confiança e resultados?
Muda não só a ordem do trabalho, mas também o que acontece depois. Dimensionamos com base nos consumos reais e no que o cliente prevê. Quando não há dados, recolhemo-los nós. E mostramos os números de cada caso antes de assinar. Um sistema mal dimensionado, a mais ou a menos, deixa valor para alguém que não o comprador. Instalado o sistema, os fornecedores costumam desaparecer, mas nós ficamos: monitorizamos continuamente e agimos, muitas vezes antes de o cliente dar por isso. Confiança não se promete, prova-se.
Que fatores distinguem hoje a Solar Hands em engenharia, execução no terreno e relação com o cliente?
Engenharia assente em dados e execução própria, com responsabilidade única do projeto à ligação à rede. Começamos pela geração, de resultado rápido, e seguimos pela eficiência e gestão do consumo, que somam ao longo dos anos. O retorno do cliente entra nesta decisão: é ele quem nos diz quais medidas fazem sentido a seguir. Não há solução padrão: com solar semelhante, temos 54 kWh de bateria numa casa em Sintra e 112 kWh no Rockalot Praia, o nosso próximo projeto. O que decide é o perfil de consumo, não o telhado.

A empresa fala num modelo de “dois motores”, juntando a componente física à plataforma digital Carga. Como se transforma isso em valor concreto?
O motor físico desenha e instala, já o motor digital, a Carga, gere. As políticas regulatórias e os mercados de energia são complexos e dinâmicos: até hoje, só quem tem equipas especializadas consegue reter todo o valor. A Carga põe essa capacidade ao alcance de qualquer utilizador. Com o histórico de dados, as decisões tornam-se automáticas e o cliente passa a decidir como um especialista, sem ter de o ser. Com o crescimento da plataforma, o mesmo ativo poderá suportar novos serviços.
Que objetivos estratégicos definiu para os próximos anos e que papel quer que a empresa assuma no futuro da energia inteligente?
Consolidámos o Residencial com uma abordagem integrada: geração e eficiência. O passo seguinte é consolidar o Comercial no próximo ano — hotelaria, restauração, empresas com consumos intensivos — e só depois preparar a expansão europeia. Queremos ser a empresa que provou que energia inteligente não é um conceito, mas sim uma fatura mais baixa, todos os meses.











