A CUCP transforma património em liquidez sem obrigar o cliente a abdicar dos seus bens. Na sua visão, o que este modelo revela sobre a forma como os portugueses encaram o crédito e a confiança financeira?
O crédito faz parte da vida económica das pessoas e das organizações. Quando é concedido com responsabilidade, rigor e transparência, constitui uma ferramenta importante para responder a necessidades concretas. Na CUCP acreditamos num crédito responsável, onde a simplicidade do acesso não significa ausência de rigor. O cliente encontra uma solução clara e segura, porque existe um processo de avaliação criterioso e um enquadramento legal que protege ambas as partes. O crédito garantido por penhor permite transformar um ativo de valor em liquidez, sem obrigar o cliente a vender o seu património e mantendo sempre a possibilidade de o recuperar. Ao longo de 150 anos aprendemos que, mais do que conceder crédito, é essencial construir relações de confiança.
O que é que se perde quando a decisão financeira deixa de ser humana e passa a ser apenas algorítmica?
A tecnologia hoje é indispensável e continuará a transformar a atividade financeira. A CUCP acompanha essa evolução, porque inovar também significa melhorar o serviço prestado aos clientes. Contudo, o crédito envolve sempre uma dimensão humana. Antes de existir uma operação financeira existe uma pessoa, necessidade e circunstância que devem ser compreendidas.
Ao longo do meu percurso profissional, passando por diferentes funções até assumir a liderança da CUCP em 2002, aprendi que uma organização se constrói pelas pessoas e pelos valores que orientam as suas decisões. Na CUCP dizemos que somos pessoas a trabalhar com pessoas para servir pessoas. Porque o crédito, antes de ser uma operação financeira, é uma relação de confiança.
A CUCP existe há mais 150 anos. O que é mais difícil de preservar?
A CUCP celebrou 150 anos de existência no dia 17 de abril de 2025. Uma instituição com esta longevidade só consegue manter-se porque nunca perde de vista os seus valores fundamentais. Ao longo dos anos mudaram os mercados, tecnologias e necessidades dos clientes. Mas manteve-se aquilo que considero essencial: conceder crédito com responsabilidade, profissionalismo e transparência.
A Administração da CUCP é uma equipa de pessoas que lidera outras pessoas para servir melhor. Liderar é olhar para a empresa como um património de valor impossível de desperdiçar, preservando o legado recebido e preparando a instituição para o futuro. Cumprimos o enquadramento legal definido pelo Decreto-Lei n.º 160/2015 e mantemos uma presença próxima dos nossos clientes, de Fafe ao Seixal.
Quando um cliente entrega uma peça com valor emocional, a CUCP está a avaliar um ativo ou a lidar com uma memória de família? Como é que essa dimensão influencia o vosso trabalho?
Na CUCP avaliamos bens, mas nunca esquecemos que estamos a lidar com pessoas. Uma joia de família, um relógio ou uma peça com significado especial podem representar histórias, memórias e afetos. Essa dimensão merece o nosso respeito e responsabilidade. Mas a realidade atual é muito mais abrangente. Hoje recorrem à CUCP pessoas de diferentes setores da sociedade, incluindo empresários que necessitam de responder a necessidades pontuais de tesouraria das suas organizações, utilizando património próprio como garantia de uma solução de crédito segura.
Os bens que nos são confiados são ativos com valor, como ouro, joias, relógios e outras peças avaliadas segundo critérios rigorosos, dentro do enquadramento legal da nossa atividade. Muitos clientes procuram igualmente a CUCP porque sabem que o seu património permanece guardado em condições de elevada segurança.

O crédito sobre penhor continua a ser visto como uma solução de último recurso. A CUCP sente que está a combater um estigma, ou a mostrar que esta pode ser uma escolha racional, discreta e até estrategicamente inteligente?
A realidade atual demonstra que essa visão está ultrapassada. O crédito garantido por penhor é hoje utilizado por pessoas com diferentes perfis e necessidades. Não está associado a uma determinada condição social, mas sim à existência de património e à procura de uma solução financeira eficiente. Quem recorre à CUCP possui bens com valor — ouro, joias, relógios e outros ativos que podem ser avaliados e transacionados — e utiliza-os como garantia para obter liquidez, mantendo a propriedade do seu património.
É uma solução rápida, discreta, segura e regulada. Existe ainda um princípio que consideramos diferenciador: a CUCP não cobra juros de mora. Entendemos que uma instituição de crédito deve ajudar a resolver uma necessidade e não contribuir para o agravamento de uma dificuldade.
Se tivesse de definir a CUCP numa única diferença face a outras formas de obtenção de liquidez, o que diria?
Diria que a nossa diferença está na forma como fazemos crédito. Na CUCP, o cliente encontra uma solução acessível, mas sempre acompanhada do rigor e da responsabilidade que uma instituição de crédito deve ter. Conceder crédito não é apenas disponibilizar liquidez. É assumir uma responsabilidade perante o cliente e perante a sociedade. Transformamos património em liquidez, preservando a propriedade dos bens, garantindo a sua segurança e mantendo uma relação baseada na confiança.
Imagine que, daqui a dez anos, um consumidor pergunta: “Em caso de crédito, a quem devo recorrer?”. A resposta será a mesma de hoje ou acredita que o setor terá de se reinventar para responder a um perfil de cliente muito mais exigente, informado e digital?
O setor continuará a evoluir e a tecnologia terá um papel cada vez mais importante. A CUCP acompanhará essa evolução, modernizando processos e respondendo às necessidades de clientes cada vez mais informados e exigentes. Contudo, acredito que haverá algo que permanecerá essencial: a confiança.
Uma instituição com 150 anos de história sabe que a sua maior responsabilidade é merecer essa confiança todos os dias. Continuaremos a inovar sem perder a nossa identidade, mantendo os valores que nos orientam desde a fundação: rigor, transparência, profissionalismo e respeito pelas pessoas. Porque o crédito só cumpre verdadeiramente a sua missão quando está ao serviço de quem dele necessita.











