Onde andam vocês, Knowmads?

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Já desde 2013, em que um senhor chamado John Moravec apresentou numa palestra TEDx um conceito fantástico intitulado de Knowmad Society,que se tem extrapolado e dissertado sobre os futuros profissionais que surgiriam, munidos de tais competências que inspirariam um verdadeiro tsunami de mudanças na sociedade e no mundo empresarial.

A sua plasticidade mental, emocional e comportamental seria tal, que de facto as organizações desejariam estes perfis avidamente: Construiriam o seu próprio conhecimento sendo capazes de o partilhar e gerir eficazmente; trabalhariam em qualquer local do mundo e ambiente sem quaisquer fronteiras; sendo nativos digitais, dominariam todas as tecnologias; criativos e inovadores estariam sempre prontos com ideias e soluções para as organizações; apaixonados pelo seu trabalho, sempre curiosos e inquietos fariam com que a aprendizagem contínua fosse uma necessidade, aprendendo e desaprendendo rapidamente e sendo a flexibilidade e a resiliência as suas principais armas, adaptarem-se a qualquer situação não seria um problema, bem como resistir ao falhanço e aprender com o mesmo. As suas habilidades de networking seriam outra das suas características, o relacionamento fácil com os outros, pelas suas várias experiências em ambientes multiculturais, fariam o trabalho em equipa fluido, desejável e produtivo. Supostamente em 2020, já 45% dos nossos profissionais trabalharia neste registo e com estas competências. Mas, estranhamente, ainda não consigo constatar estas estatísticas. Com muito infortúnio para mim pois os processos de recrutamento seriam com certeza bem mais fáceis. Pois então, onde andam vocês, Knowmads?

Sim, temos “novas” gerações com muitas competências académicas, muitos mestrados e Erasmus pelo mundo fora, mas muitas vezes cheios de uma soberba que até transborda. Sem noção de como se começa no mundo do trabalho e que não são propriamente o “Rei Midas”, transformando tudo em ouro por onde passam. Com capacidades fabulosas, mas que muitas vezes se esvaziam, mais rapidamente que um balão e uma agulha em encontro imediato, quando confrontados com questões práticas que expõem debilidades como o trabalho em equipa e gestão de conflitos ou até mesmo, no meio de tanta sabedoria tecnológica, lacunas de um domínio efetivo de uma ferramenta de folha de cálculo.

Constato algo que já sei e que todos sabemos. O nosso sistema de ensino continua a não ensinar a “como pensar” e só a ensina sobre “o que pensar”. As metodologias de resolução de problemas não estão presentes e continuamos a ensinar o mesmo, para o mesmo e não para um futuro que ainda não foi pensado. A aprendizagem significativa (ou com significado) continua a não significar nada para os currículos escolares e parecem também não entender que inovação na educação não é sinónimo de tecnologia, e isso conseguimos perceber perfeitamente quando assistimos nestes últimos meses a uma reprodução exata do modelo escolar em formato Zoom simplesmente a substituir as cadeiras da sala de aula. Se fizermos o mesmo que antes, apenas com outros recursos, o resultado é o mesmo, por muitos computadores ou quadros interativos que se possam usar.

As competências sociais e de inteligência emocional que se sabe tão valorizadas agora e ainda muito mais no futuro têm de ser trabalhadas agora e já se nota bem a sua falta. Pelo menos eu noto, quando entrevisto perfis qualificados que não sabem sustentar os chavões bonitos que colocam no currículo, nem fazem ideia de como se relacionar com hierarquias ou colegas, no fundo com pessoas com diferentes papéis, comportamentos, perceções, objetivos e que me deixa por vezes com vontade, de lhes segredar, bem baixinho, para ninguém ouvir, que o mundo não gira à volta dos seus umbigos, mesmo que alguém, algures no tempo, inadvertidamente com certeza, os tenha feito sentir assim.  

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