Parametrizar processos para transformar a indústria

Para Vítor Moura o futuro da indústria não passa por digitalizar mais, mas por digitalizar melhor. Através da tecnologia dyp, a mediasis propõe modelar processos em vez de artigos, criando uma visão integrada da produção e abrindo caminho à inteligência artificial como apoio à decisão.

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Quando falamos em tecnologia de modelação de processos, o que estamos realmente a modelar e o que é que muda, na prática, dentro de uma empresa? Há ainda a ideia de que digitalizar é simplesmente substituir processos manuais por software?
A MediaSis é especialista na modelação de processos industriais. A modelação consiste na representação digital de um processo real de produção, permitindo representar, de forma ágil, um processo complexo em ambiente de gabinete, criando um gémeo digital do que acontece no chão de fábrica.

Pode parecer que existem muitos softwares capazes de o fazer, mas a maioria parte do artigo a produzir. Ora, a indústria de grandes séries praticamente desapareceu de Portugal, tendo sido deslocalizada para a Ásia ou, em alguns casos, para o leste da Europa.

Atualmente, as empresas portuguesas produzem milhares de artigos diferentes por ano. Se a estratégia for criar um gémeo digital para cada artigo, a tarefa torna-se praticamente impossível: a modelação pode terminar quando o produto já está em casa do cliente e o esforço perde utilidade.

Este é um problema transversal à indústria portuguesa e tem contribuído para o regresso às folhas de desenho e às listas em Excel. Qual é, então, a solução?
A MediaSis desenvolveu a tecnologia DYP (Define Your Process), capaz de modelar processos com base no conhecimento estruturado numa árvore de decisão por atributos. Assim, em vez de parametrizarmos milhares de artigos, parametrizamos os processos necessários para os produzir, provavelmente algumas dezenas em vez de milhares.

Digitalizar não é substituir processos por software, mas parametrizá-los matematicamente, permitindo que a máquina sugira a forma mais otimizada de executar determinada tarefa. A combinação de processos e subprocessos permite produzir todas as encomendas finais. a ideia de base é simples: parametrizar processos em vez de artigos. Esses processos podem ser sequências de tarefas, curtas ou longas, e incluir componentes produzidos segundo a mesma lógica, bem como consumos, compras ou subcontratos.

Nenhuma empresa funciona exatamente como outra. Até que ponto uma tecnologia deve adaptar-se à forma como uma organização trabalha, em vez de obrigar a empresa a adaptar-se à tecnologia? E onde está o equilíbrio entre personalização e eficiência?
O equilíbrio entre personalização e eficiência é fundamental. Sempre que fazemos produção personalizada, atualmente uma realidade em cerca de 90% da indústria portuguesa, e temos de repensar todos os processos, a eficiência desaparece e, com ela, a rentabilidade da venda.

Muitas empresas respondem confiando em alguns postos de trabalho-chave, capazes de resolver diferentes situações. Esta solução encarece substancialmente o produto final e provoca atrasos devido à indefinição dos processos. surge, então, um dilema: não há orçamento nem prazos para modelar todos os processos antes de iniciar a produção, mas, sem essa modelação, será necessária muito mais mão de obra, muitas vezes através de horas extra, para compensar as indefinições. A isto somam-se erros nos pedidos aos fornecedores, na análise de stocks, na validação da qualidade, entre outros.

Muitos dos problemas das empresas não estão na falta de informação, mas no facto de esta estar dispersa. Como pode a modelação de processos criar uma visão integrada do negócio e transformar dados espalhados por diferentes áreas em decisões mais rápidas e acertadas?
Um dos grandes problemas atuais da indústria é precisamente a existência de várias ilhas tecnológicas. A informática e os softwares resolveram muitos problemas e obrigaram a uma melhor estruturação, mas os sistemas comunicam frequentemente mal entre si.

O lançamento de encomendas não comunica com o desenho, impedindo a geração de informação técnica para produção; o sistema de picking final utiliza etiquetas geradas noutro software, enquanto grande parte da informação permanece dispersa por folhas de excel.

Para os próximos anos, até onde pode evoluir esta tecnologia? A modelação de processos será uma ferramenta para tornar as empresas mais eficientes ou poderá tornar-se capaz de antecipar necessidades e apoiar decisões antes de os problemas acontecerem?
A Neste momento, a nossa tecnologia já é, em muitos casos, o sistema nervoso do negócio dos nossos clientes. Num futuro próximo, com o desenvolvimento dos modelos de Inteligência Artificial (IA), será possível utilizar a própria tecnologia para realizar testes e, a partir desses dados, treinar um modelo de IA capaz de explicar o que corre mal e sugerir formas de melhorar.

Não queremos, contudo, transmitir uma ideia de facilitismo. Para atingir este nível de análise são necessários, pelo menos, seis meses de dados reais consolidados sobre a tecnologia, permitindo que um modelo de IA analise e sugira alterações à formulação DYP aplicada a determinado contexto.

Neste momento, estamos a finalizar uma ferramenta que irá integrar a tecnologia DYP com modelos de ia. Será incorporada no GPAC e terá o nome QYD (Qualifying Your Data).