“Pedir ajuda é um sinal de coragem”

Bruno Lourenço é especialista em Hipnoanálise, uma abordagem da Hipnose Clínica, cujo papel é conseguir, através de técnicas de relaxamento da mente, aceder a memórias, traumas, e outros problemas que possam dificultar a vida de cada indivíduo. Com o confinamento, os problemas como stress, burnout, ansiedade e depressão agravaram-se, por isso Bruno Lourenço relembra a importância de pedir ajuda.

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De que se trata, exatamente, a Hipnoanálise?

A Hipnose Clínica é uma abordagem dentro de uma área, a Hipnologia, uma área de estudo científica acerca dos fenómenos hipnóticos. A Hipnose Clínica é também conhecida por Hipnoterapia, sendo a aplicação, em contexto clínico e médico, de uma junção de técnicas
de hipnose com metodologias psicoterapêuticas baseadas em evidências. Quanto à Hipnoanálise, pode-se dizer que esta é um desdobramento da Hipnose Clínica, onde se utiliza determinadas técnicas de hipnose em conjunção com técnicas psicanalíticas ou analíticas, nomeadamente a regressão de memória, técnicas de resposta ideomotora, associação livre, imaginação ativa ou semi-ativa e outras, para fazer surgir e tratar a causa-raiz dos sintomas psíquicos e psicossomáticos.

Pode explicar em que consiste o seu Método Terapêutico M.A.R.P.H?

O Método Terapêutico M.A.R.P.H.®, Modelo de Auto-Reintegração Psicodinâmica com Hipnose,
permite a reintegração da identidade do indivíduo no seu mundo mental, sendo a hipnose a
ferramenta utilizada para atingir esse fim. Este modelo é um conjunto de protocolos e técnicas integrativas de Hipnoanálise Transpessoal. É um processo técnico e terapêutico que permite uma reestruturação psíquica completa. Os métodos deste modelo baseiam-se nos mesmos pressupostos tanto da psicanálise como da psicologia analítica de Carl Jung. Permite identificar os aspetos da identidade que se encontram na causa-raiz do problema, e que foram distorcidos pela experiência negativa do passado, absorvidas pela mente como que fazendo parte da própria identidade. Utilizam-se arquétipos e métodos simbólicos, como o
exemplo da regressão simbólica, que permite ao indivíduo lidar com emoções difíceis de forma mais facilitada e sem o choque da exposição direta ao evento.

Quais os problemas que pode ajudar a tratar?

Como a hipnose permite baixar as defesas que o paciente tem e, assim, tornar a mente inconsciente está mais recetiva a lidar melhor com questões, memórias e emoções reprimidas, que estejam a causar perturbação na mente e na vida do indivíduo, estes métodos permitem tratar questões relacionadas a conflitos nas relações, depressão, ansiedade, ataques de pânico, medos, fobias e outras perturbações mais complexas.

A mesma pode ser complementada com outros tratamentos?

Tanto a Hipnose Clínica, como a Hipnoanálise são abordagens com duas vias, ou seja, tanto podem complementar outros tratamentos e abordagens terapêuticas, como podem também ser complementadas, dependendo da perturbação e da complexidade do problema. Esses
tratamentos podem ser convencionais ou alternativos – podemos complementar um tratamento de psiquiatria ou podemos ser complementados por uma massagem de reabilitação ou massagem ayurvédica.

Quais as mais-valias de recorrer a este tipo específico de terapêutica?

A Hipnose promove um relaxamento mental, uma capacidade mais expandida de introspeção, e facilita o acesso ao que está inconsciente, por exemplo, memórias e emoções reprimidas e pensamentos mais inconscientes. É uma ferramenta que promove o aumento da autoestima, da autoconfiança, o despertar de habilidades já perdidas e outras habilidades em potencial
que podem ser “ativadas”. A vantagem desta abordagem terapêutica em relação a outras é
permitir ir mais “fundo”, em poucas sessões, nas questões que noutras abordagens pode levar meses ou até anos.

Que mensagem lhe parece importante deixar, para a população, no que respeita à importância de não se ter vergonha de procurar ajuda para questões mentais?

A questão da saúde mental é bastante sensível no que diz respeito à exposição social. Há de
facto uma desvalorização das pessoas quanto ao próprio sofrimento psicológico e emocional, com medo de serem consideradas fracas, inferiores ou até mesmo loucas. Só que com isso
vão agravando ainda mais o problema. É importante mudarmos a nossa forma de ver as coisas. Passar a mensagem de que o sofrimento emocional é tão importante quanto qualquer outra doença física, e que ambas necessitam da mesma atenção. Estamos habituados a procurar ajuda quando temos algum problema físico e necessitamos de aprender a pedir ajuda psicológica para o sofrimento emocional. Não é sinal de fraqueza e sim sinal de força
mental, de coragem.

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