“Ponderação é a palavra-chave”

Fernando Celestino é o diretor da Easy City, uma agência imobiliária situada numa das principais avenidas de Lisboa. Se, durante o confinamento, a realização de negócios ficou mais difícil, por outro lado Fernando Celestino reconhece que o mercado é dinâmico e está otimista, quer no momento presente, quer na análise que faz a 2021.

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Fernando Celestino, diretor de agência Foto: Patrícia Murteira

Que análise faz do comportamento do mercado imobiliário este ano?

2020 previa-se como um ótimo ano para o mercado imobiliário. A pandemia levou à redução do mesmo. Os negócios não pararam, principalmente os que já se tinham iniciado antes do confinamento, mas a incerteza do futuro faz com que os clientes se retraiam a mudanças, principalmente na compra ou venda de um imóvel.

Qual a influência que teve no mercado imobiliário a redução do número de investidores e de compradores estrangeiros?

O capital estrangeiro veio alavancar o mercado através do alojamento local e do Golden Visa. Todas as empresas aproveitaram a maré de sorte que chegou depois de uma longa crise económica. Sem esse nicho de mercado e enquanto a pandemia viver ativamente entre nós, a economia como a conhecemos terá de se reinventar. Tudo vai passar, acredito que vão voltar e com mais força, vamos ter muito mais investimento.

Como se adaptaram ao período da pandemia, sobretudo à fase de confinamento? Foi possível continuar a fazer negócios?

Nos meses de confinamento foi quando o mercado se ressentiu mais. Os contactos pessoais deixaram de existir. Fazer mais e melhor através do online passou a ser fundamental. Fazer uma angariação ou ir mostrar um imóvel tornou-se desafiante. Apesar dos recursos online que existem, vídeos 3D ou fotos, dificilmente alguém compra um imóvel sem o ver pessoalmente. Novos acessórios fazem parte do nosso dia a dia: oferecemos aos clientes luvas, capas de proteção para sapatos, máscaras e gel desinfetante.

Muitas pessoas optaram por imóveis com espaços exteriores, durante e após o período de confinamento. A Easy City sentiu essa procura?

Sim, existe uma maior procura de casas com espaços exteriores. Antes passávamos mais tempo fora do que dentro de casa. Com o confinamento e o teletrabalho começámos a ver a nossa casa de outra maneira. Queremos a natureza dentro das nossas casas, visto que passamos mais tempo dentro das mesmas.

Se tivesse de destacar algumas questões que considera que devem ser alteradas, no setor onde exerce atividade, quais destacaria?

Não creio que seja preciso alterar muito mais, para além do que já foi feito, é preciso continuar a apostar nas redes tecnológicas. Houve uma adaptação dos serviços imobiliários entre todos que era urgente e necessária, como também do Governo Português, que tem vindo a facilitar a obtenção de documentos online necessários para a realização dos negócios.

Como prevê que o mercado imobiliário se comporte em 2021?

Nesta fase, ponderação é a palavra-chave, mas acredito que no princípio do segundo trimestre será mais fluído e a partir do terceiro tudo voltará praticamente ao normal de “antes pandemia”. Mesmo que esse “normal” não seja o que estávamos habituados, será um “novo normal”.

www.easycity.pt

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