“Portugal e Israel são muito semelhantes”

As relações bilaterais entre Portugal e Israel têm muitos anos. Todavia, Israel evoluiu e desenvolveu-se, sobretudo no setor tecnológico e científico, e a relação comercial entre estes dois países evoluiu significativamente, como detalha o Embaixador de Israel em Portugal, Dor Shapira.

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Dor Shapira, Embaixador de Israel em portugal

Como caracteriza a relação entre Portugal e Israel?

Historicamente, sempre existiu uma ligação de Portugal com a comunidade judaica, mas o seu incremento aconteceu após a revolução do 25 de abril, em Portugal. Os últimos 40 anos foram de cada vez maior aproximação entre estes dois países. Atualmente, temos relações de importação e exportação entre os países de cerca de 450 milhões de dólares. A grande maioria refere-se a importações feitas por Israel a Portugal e cerca de 100 milhões são exportações de Israel para Portugal, sobretudo no que respeita a produtos químicos e tecnologia. Cerca de 350 milhões de dólares dizem respeito a importações de Israel a Portugal, sobretudo produtos agrícolas e carne. Outra coisa que ajudou muito a fortalecer estas relações e ajudará ainda mais no futuro foi a existência de voos diretos de e para Israel. Isto só foi possível há poucos anos e encurtou consideravelmente a distância entre os dois países.

O setor tecnológico atravessa, nas suas palavras, um momento de crescimento. Como caracteriza Israel, no que respeita precisamente às áreas da Tecnologia e Ciência? 

Israel levou a cabo uma revolução, nos últimos 30 anos, isto porque até ao início dos anos 90 o nosso principal setor em desenvolvimento era o da agricultura. Depois, mudámos. Decidimos dar mais atenção ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, e foi isso que fez com que Israel se tornasse uma “nação de start-ups” no início do milénio.

Hoje, Israel é um dos líderes globais em tecnologia, e atua ativamente no desenvolvimento de software de comunicação e em cibersegurança… Os números mostram isso: atualmente, 50% das exportações israelitas para todo o mundo são de tecnologia. É um crescimento de 250% em 10 anos. Hoje, o principal setor de atividade em Israel é tecnologia: aplicada aos alimentos, tecnologia da informação, tecnologia para automóveis, fintech, cibersegurança…Isso fez com que muitas empresas do mundo – Google, Cisco, Amazon, Microsoft – decidissem mudar os seus centros de investigação e desenvolvimento para Israel.

Culturalmente, como se relacionam Portugal e Israel?

Nós temos muito em comum e temos laços culturais fortes. Muitos artistas israelitas vêm para Portugal e também temos alguns artistas portugueses que vão até Israel, embora ainda em menor quantidade. Essa é a melhor forma para as pessoas se conhecerem e se compreenderem. Não se aprende sobre as pessoas de um país ou um país a ver notícias na televisão. É por esse motivo que, para nós, Embaixada, é importante levar a cabo um Festival de Cinema Israelita em Portugal – que, este ano, se realiza em março – e trazer artistas israelitas para participarem na maioria dos grandes festivais portugueses.

É possível num futuro próximo virmos a estreitar ainda mais os laços comerciais, culturais e políticos?

Vai acontecer, de certeza. Esse é exatamente o meu papel aqui: certificar-me de que os laços políticos, culturais e económicos saem fortalecidos e continuarão a crescer. Acredito que já está a acontecer e o que temos de fazer é encontrar cada vez mais áreas onde faça sentido esta aposta conjunta.

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