50 anos na vanguarda da evolução da Engenharia

A Technoedif é uma empresa de Engenharia que desenvolve o seu trabalho sobretudo na área industrial, aplicado aos setores da Energia, Refinação, Oil & Gas, Petroquímica, Pasta e Papel e Farmacêutico, há já mais 50 anos. Com uma filosofia de trabalho e crescimento sempre voltada para o futuro, aproveitou a sua evolução para investir em processos tecnológicos de vanguarda, na formação dos seus recursos humanos e na expansão da sua área de atuação, internacionalizando-se. O CEO da empresa, o engenheiro Fernando Carvalho, e o diretor comercial, o engenheiro Herculano Silva, explicaram à Valor Magazine o caminho percorrido ao longo destas mais de cinco décadas de crescimento e valorização, bem como o seu ponto de vista sobre o futuro da Engenharia.

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Herculano Silva (engenheiro e diretor comercial) e Fernando Carvalho (CEO)

Com base nas mudanças do mercado e na vossa experiência, como vos parece que o setor da Engenharia evoluiu nestes anos?

Somos das maiores empresas portuguesas de Engenharia na área industrial. A nossa criação data de janeiro de 1965, já lá vão quase 57 anos e começámos por ser uma empresa de engenharia civil, virada para a indústria. Na época e como a quase generalidade das empresas nacionais não se apostava na vertente tecnológica dos projetos, ao contrário de muitas empresas internacionais que o faziam. Assim, estas empresas desenvolviam a parte de conceção dos projetos, a chamada Engenharia de base e nós, fazíamos a engenharia de detalhe necessária para construção. Há época, esta engenharia era executada recorrendo-se a mão de obra intensiva, dado que as ferramentas informáticas não existiam. Após o 25 de abril e coincidindo com a enorme expansão do sector industrial, nomeadamente no Oil & Gas, Refinação e Petroquímico , o nosso crescimento continuava assegurado, no entanto sempre apoiado pelas empresas estrangeiras, que detinham os processos tecnológicos. Até esse momento, não tínhamos a capacidade para elaborar engenharia de conceção. Por volta do final dos anos 80, fruto desta política, algumas empresas – foi o caso da nossa – começaram a interagir com grandes grupos de Engenharia
internacionais e começaram, aos poucos, a entrar na conceção de projetos. Foi assim que começámos a fazer grandes projetos em Portugal, com um grupo francês que acabaria, depois, por adquirir a empresa. Foi a partir desse momento que a nossa diferenciação relativamente aos outros concorrentes começou a acontecer, pois uma vez que este grupo francês era muito forte no que dizia respeito à tecnologia, os nossos engenheiros tiveram longos períodos de formação na casa-mãe, especialmente na área de processo, o que nos permitiu começar a desenvolver esta especialidade nos nossos escritórios, embora com o apoio e supervisão da casa-mãe. Assim, a partir do final dos anos 90, nós já tínhamos um grupo de pessoas com uma capacidade muito boa em termos de Engenharia de Processo, virada para a área da Refinação, terminais logísticos e petroquímica, e passámos a ser a única empresa portuguesa com a capacidade de realizar Engenharia de Processo, ou seja, capaz de desenvolver os estudos de conceção destes grandes projetos industriais. Continuou assim até à quebra, que aconteceu sobretudo na Europa, na área da Refinação e Petroquímica e que levou o grupo francês a optar pela alienação da sua participação social na Technoedif. A partir daí, sozinhos, continuámos a distanciarmo-nos dos nossos concorrentes, pois voltámos a investir em dois pontos essenciais: pessoas e novas ferramentas de produção tecnologicamente mais avançadas, nomeadamente software, hardware, tudo de vanguarda. Desde aí, temos vindo sempre a seguir esta trajetória e, atualmente, nesta área de atuação específica, somos a empresa portuguesa que tem mais capacidade, competência e capacidade de execução de projetos industriais. Nós temos “em casa” todas as disciplinas da
Engenharia, mas aquilo que nos diferencia é a Engenharia de Processo.

Este caminho do crescimento, baseado na inovação e no investimento na tecnologia e nas pessoas, é fundamental para continuarem a manter-se na vanguarda do setor?

Existem quatro aspetos muito importantes para nós. O primeiro é continuar os investimentos nas novas tecnologias de produção para sermos, efetivamente, o mais competitivos possível, de forma a não sermos reconhecidos pelos baixos salários, mas sim ganharmos competitividade por via de processos de produção atualizados e eficientes. Outro ponto fundamental é o investimento nas pessoas: Portugal tem dos melhores engenheiros do mundo – mesmo os jovens engenheiros acabados de sair da faculdade já têm conhecimento muito bons e são facilmente integrados nos projetos – e que dominam completamente as diferentes especialidades requeridas para a execução dos projetos, como por exemplo domínio dos simuladores de processo, modelação 3D e outras tecnologias. Por isso, temos uma ligação estreita com as Universidades, em Lisboa e no Porto, e muitos engenheiros juniores saem da faculdade diretamente para os nossos quadros, onde são, depois, formados de acordo com as nossas necessidades técnicas. A terceira vertente tem a ver com o alargamento das nossas áreas de atuação. Ainda dentro da área industrial, que é o nosso core, começámos a apostar nos setores dos combustíveis verdes, como o hidrogénio e os biocombustíveis, relativamente a esta última, já temos uma parceria, com um empresas que detém a tecnologia adequada, de forma a participarmos em projetos nacionais e internacionais. Depois, há ainda a vertente da dispersão geográfica – considerando a dimensão que temos atualmente, o mercado português começa a ser curto – pelo que temos de manter e conquistar novos mercados a nível internacional e é o que estamos a fazer. Desde 2013 que temos uma empresa do grupo a atuar em Moçambique e há ainda outra empresa do grupo na Malásia, em Kuala Lumpur.

Parece-lhe que é verdade que a Engenharia em Portugal é uma atividade que perdeu influência, enquanto profissão, bem como acabou por estagnar, ao longo do tempo?

É um facto que a Engenharia, para o cliente normal português, é um mal necessário. Mas não estou de acordo que ela esteja desvalorizada… Temos de olhar para o nosso caso: se nós não tivéssemos apostado numa trajetória diferente, evolutiva, com a aposta no investimento e modernização, também teríamos estagnado e quiçá desaparecido… Nós apostámos nas modernas ferramentas de produção e nas parcerias com grandes empresas internacionais, que detinham tecnologia, para que pudéssemos progressivamente evoluir e entrar nos
mercados aportando uma mais-valia tecnológica, que é mais valorizada. A aposta prende-se sempre com o desenvolvimento da própria empresa.

Como se aplica atualmente a tecnologia nas diferentes fases do vosso trabalho e em que é que a tecnologia contribui para ajudar os profissionais e o setor a apresentar soluções de vanguarda aos clientes?

A nossa empresa está direcionada, sobretudo, para projetos industriais, e a tecnologia que dispomos permite-nos elaborar projetos garantindo a máxima qualidade e eficiência ao nível dos prazos e custos. Todos os projetos são elaborados utilizando tecnologias tridimensionais minimizando os erros, quer na fase de conceção, quer na fase de construção. Adicionalmente o desenvolvimento nas tecnologias tem contribuído para que consigamos elaborar projetos com índices de segurança muito elevados e tendo em atenção a eficiência energética e
sustentabilidade. É o caso, também, dos últimos edifícios que foram pensados e projetados por nós, de grande complexidade como o edifício do Banco de Portugal, no Carregado; o Centro de Congressos do Estoril, a Caixa Geral de Depósitos do Campo Pequeno, a Torre do Tombo e o último edifício de uma farmacêutica – onde foi possível obter a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) símbolo da sustentabilidade e eficiência energética. Nós temos software específico para a área da indústria, que abrange todas as valências dentro da empresa – arquitetura, construção civil, eletricidade, instrumentação, controlo e comando, térmica, tubagem, pelo que não necessitamos de recorrer a subcontratação de serviços.

Como antecipam a vossa evolução e o vosso crescimento, para os próximos anos?

Nós estamos a desenvolver bastante os projetos nas áreas das novas energias –biocombustíveis, hidrogénio, energia solar…- e temos vários estudos de base feitos nessas áreas, além da parceria com a empresa norte-americana, na área dos biocombustíveis. Existem já alguns projetos para curto prazo – em Portugal e no Senegal – e um terceiro
que será entre a Malásia e a Indonésia. No mercado nacional, está tudo a correr bem, pois temos clientes com carteiras de investimentos bastante interessantes e nós somos os seus parceiros de referência. Estamos a trabalhar os projetos desde a raiz, a estudar cenários de evolução. Além disso, temos diversificado a nossa carteira de clientes. Perspetivamos um crescimento na ordem dos 10 a 15% para 2022 e, para 2023, a perspetiva é que a trajetória continue positiva. Estamos a perspetivar um futuro promissor, mas a pandemia deixa sempre alguma margem para a incerteza.

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