“Portugal tem capital humano com muito conhecimento”

A P-BIO, Associação Portuguesa de Bioindústria, foi criada em 1999 com vista a congregar as empresas de biotecnologia que, à época, começavam a surgir em Portugal. Duas décadas depois, a P-BIO continua a ser um importante intermediário entre estas empresas e os órgãos de decisão política nacionais, bem como na promoção da biotecnologia e a representar os interesses das empresas nacionais a nível europeu e mundial.

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Simão Soares, presidente

Qual o papel da P-BIO junto dos seus associados?

A P-BIO nasceu pela necessidade da primeira geração de empresas de biotecnologia nacional se organizarem e apresentarem os problemas em conjunto. A associação tem funcionado como um intermediário entre este setor e os órgãos de decisão política e é também o representante nacional a nível europeu, na Associação Europeia de Biotecnologia – EuropaBio. Além disso, promovemos a aposta nesta área junto de outras empresas que possam beneficiar do que a biotecnologia tem para oferecer e estabelecemos o contacto entre start-ups, spin-off’s e grandes empresas, muitas vezes na área da Saúde, como as biofarmacêuticas.

Como avalia a evolução do setor?

Em 20 anos, muita coisa mudou, com alguns projetos que foram terminando e novos que foram surgindo e atraindo também mais pessoas e isso é ótimo. Este setor resulta de uma forte aposta portuguesa em Ciência. Temos uma Ciência de excelência, no que respeita às Biociências e Ciências da Vida. Tal qualidade tem um forte potencial para se traduzir em impacto económico, que ainda não foi atingido. Temos cada vez mais pessoas neste setor com experiência e conhecimento no desenvolvimento de novos negócios e esse capital humano é muito importante.

O que falta para tornar o setor rentável?

A grande parte dos recursos humanos que são formados nesta área tem estado muito na academia. A formação de recursos humanos é fundamental, pois são eles que irão, depois, desenvolver a tecnologia, mas também é importante que as empresas tenham a capacidade de captar este capital humano. Dadas as condições de que Portugal dispõe, a P-BIO desenvolveu uma Estratégia, designada BioSaúde 2030, que visa a estruturação de instrumentos adequados à realidade das empresas biotecnológicas, para gerar valor a partir dos recursos que já temos. O que propomos é que Portugal se afirme como um Hub de desenvolvimento de novas tecnologias e de criação de produtos com alto valor acrescentado, com impacto direto a nível económico. Começamos por promover a investigação de base, embora não seja esse o nosso objetivo final. Propomos adequar os instrumentos financeiros às necessidades das empresas e uma forte aposta na transferência da tecnologia – promovendo a articulação com mecanismos de capital de risco, com investidores especializados nestas áreas. Os projetos de biotecnologia têm ciclos de desenvolvimento longos e é por isso também importante que quem investe neste setor tenha um verdadeiro entendimento do mesmo. Quando a Ciência já está amadurecida, a ligação às empresas e indústrias é feita com mais eficácia. Portugal deve olhar para este setor como capaz de criar produtos com alto valor acrescentado, tanto com impactos sociais, exemplos da Saúde e Sustentabilidade, como económicos, com base em conhecimento e pessoas qualificadas. É neste tipo de produtos que podemos ser competitivos, desenvolvendo localmente projetos com ambições globais.

A Semana Europeia da Biotecnologia vai realizar-se entre 28 de setembro e 4 de outubro. Que atividades estão agendadas?

Teremos um programa mais virtual, que passa por continuar a promover a Estratégia Bio-Saúde 2030, e vamos lançar o BioMentors Club, que consiste em colocar à disposição dos recém-chegados a esta área pessoas com muito conhecimento deste setor, que podem ajudar e partilhar experiências, com vista ao desenvolvimento de projetos. Além disso, iremos lançar o Estudo de Caracterização do Setor da Biotecnologia, que faz uma caracterização do setor.

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