Power skills

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“Vale mais uma hora de boa vontade que um dia de má vontade”

É do senso comum que os ditados populares trazem muita sabedoria associada. Os ditados são frases populares, ou seja, ditas pelo povo. São pequenas, mas produzem um efeito moral e fazem parte da cultura de um povo. Todo o ditado carrega uma história por trás, por isso podemos pensar que talvez os nossos antepassados tenham passado pelo que passamos e tenham criado estes ditados como forma de nos dar apoio moral na atualidade.

Todos nós já tivemos um, ou outro, dia daqueles em que nada nos apetece fazer e deixamos que o dia corra sem desenvolver aquilo a que nos tínhamos proposto. Muitas vezes até nos obrigamos a cumprir a agenda pré-estabelecida ou no pior dos casos desmarcamos e depois ficamos a culpar-nos pela falta de energia e motivação. Quando isso acontece o melhor mesmo é parar, respirar fundo, caminhar, apanhar ar ou fazer algo que nos traga satisfação e nos faça esquecer o que deixamos para trás.

Pelo contrário, também já todos tivemos certamente aquela hora de trabalho em que estamos com tanta energia que fazemos tudo o que estava previsto, e o que nem estava previsto. Pensamos, executamos, decidimos a um ritmo alucinante e sem quebras. Até parece que nos recarregaram com pilhas novas.

Em tempos de pandemia e com o teletrabalho a ganhar cada vez mais terreno, o estar em casa cria muitas vezes esta dualidade energética. Se por um lado, consideramos que estar em casa nos dá mais sossego e podemos trabalhar sem ser interrompidos, por outro lado, temos dias em que com tanta videoconferência e telefonema acabamos por ver o dia passar e não cumprir com as tarefas que tínhamos programado. Resta-nos depois uma hora de boa vontade já tarde da noite para recuperarmos o tempo perdido.

Esta alongada introdução tem por objetivo enquadrar o tema da opinião deste mês que me direciona para as caraterísticas que valorizamos na hora de contratar recursos humanos para as nossas organizações. Quando pensamos em recrutar são muitas as variáveis que nos são colocadas na hora de decidir por um ou outro candidato. Começamos pelas habilitações literárias, disponibilidade, competências adquiridas, experiência profissional anterior ou início de carreira. Mas são, cada vez mais, as chamadas “power skills” que fazem a diferença na hora de recrutar um novo colaborador.

Por “power skills” entendemos as competências de transformação que cada um de nós tem pessoalmente e que são intemporais e transferíveis.  Dentro das “power skills” encontramos competências como a criatividade, a adaptabilidade e a auto- responsabilidade, qualidades humanas que os equipamentos não podem duplicar. São estas as qualidades que nos colocam numa posição diferenciada, no agora e no amanhã.

Cada vez mais as “power skills” fazem a diferença na hora de recrutar um novo colaborador, ou quando é necessário dispensar alguém. E aqui volto ao título da minha opinião. Se até há um ano atrás a competência e os resultados eram demonstrados e avaliados presencialmente no dia a dia das empresas, nas relações entre colegas, chefias e todos os “stakeholders” de uma organização atualmente as competências e o desempenho de cada colaborador são sentidos e avaliados pelos resultados que o mesmo atinge sem estar visível. O trabalho à distância avalia-se não pela presença no local de trabalho diariamente das 9 às 18, em que até se pode não fazer nada, mas sim pelos resultados que são apresentados. Se o colaborador atinge os objetivos e os resultados pré-estabelecidos, quem lidera tem que aceitar que isso nem sempre possa acontecer no chamado horário normal de trabalho. Cada ser humano tem um ritmo próprio e cada vez mais há que aceitar, entender e valorizar essas diferenças.

Esta nova realidade vem demostrar ainda que as “power skills” são também primordiais para quem lidera porque tem que se adaptar, re-adaptar e confiar. E neste contexto a confiança de quem lidera para com quem é liderado é um fator de primordial importância, se não o mais importante mesmo, porque sem ela a relação profissional não sobrevive.

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