Prevenção oral continua negligenciada

Apesar do amplo acesso a informação, Alexandra Matos Oliveira sublinha que os portugueses continuam a negligenciar a saúde oral devido à falta de hábitos consistentes, medo e desvalorização cultural.

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Em Portugal, com tanto acesso a informação de saúde, como se explica a baixa adesão da população a hábitos de prevenção oral?
Apesar de termos hoje acesso a uma enorme quantidade de informação, o desafio está na tradução desse conhecimento em hábitos diários. Muitas pessoas sabem o que é recomendado, mas a prevenção exige disciplina, consistência e acompanhamento profissional. Além disso, fatores como medo, desinformação sobre procedimentos e falta de hábitos estabelecidos desde a infância continuam a limitar a adesão.

Na sua opinião, qual é a importância das consultas regulares de ‘check-up’ dentário e que sinais de alerta são ignorados pelos portugueses?
As consultas regulares de check-up são essenciais porque permitem detetar problemas antes que se tornem graves, garantindo um tratamento mais simples e eficaz. Muitos pacientes só procuram o médico dentista quando há dor, mas sinais como sangramento gengival, sensibilidade aumentada, alterações na cor ou textura da mucosa oral são frequentemente ignorados. Identificar estes sinais precocemente pode prevenir complicações maiores e promover uma saúde oral duradoura.

Que doenças orais crónicas podem ser prevenidas/minimizadas com higiene básica e acompanhamento regular, e qual o seu im pacto na saúde geral?
Doenças como a cárie dentária e a periodontite podem ser prevenidas e controladas com cuidados de higiene oral diária e consultas regulares de visita ao médico dentista. Além do impacto direto na cavidade oral, estas condições podem afetar a saúde geral, contribuindo para problemas como diabetes descontrolada, doenças cardiovasculares e complicações na gravidez. Ao apostarmos na prevenção estamos não só a cuidar dos dentes mas também a proteger o corpo como um todo.

Porque é que o acompanhamento dentário continua a não ser tão valorizado como outras áreas da saúde?
A saúde oral continua a ser desvalorizada sobretudo por uma perceção cultural ainda muito enraizada de que é “menos essencial” do que outras áreas da saúde. Muitos doentes só procuram o dentista em situação de dor, o que perpetua uma abordagem reativa em vez de preventiva. Além disso, a limitada integração da medicina dentária nos sistemas públicos reforça essa ideia. Na minha perspetiva, é urgente mudar este paradigma: a saúde oral faz parte da saúde geral e deve ser encarada como tal, com mais literacia, prevenção e acesso.

Ainda existe a perceção de que os cuidados de saúde oral são caros. É um mito ou uma realidade? Que mensagem gostaria de deixar aos leitores sobre este tema?
É verdade que alguns tratamentos podem ter custos significativos, mas a ideia de que manter a saúde oral é cara é, em grande parte, um mito. A mensagem que deixo é simples: investir em prevenção diária e consultas regulares é, na realidade, a forma mais económica de evitar problemas mais graves e tratamentos complexos e dispendiosos no futuro.