Quando o corpo fala pela criança

Com o regresso às aulas, Teresa Chuva explica como reconhecer os sinais de ansiedade, reduzir a pressão e criar espaço para que crianças e adolescentes se sintam ouvidos, seguros e confiantes.

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Que experiências e aprendizagens foram determinantes para definir a profissional que é hoje?
Em 27 anos de carreira, a prática clínica com adultos e adolescentes, a partir dos 13/14 anos, é o fio condutor. Todas as experiências trouxeram aprendizagem na relação. É ela que está na base de toda a boa intervenção. Neste ponto, o meu próprio processo terapêutico foi essencial.

Destaco a base cognitivo-comportamental na UC, o trabalho na PRP e tornar-me Terapeuta EMDR, em 2011, supervisões e formações avançadas e congressos a nível nacional e internacional. Saber sobre Trauma, Vínculo, Dissociação e Partes é fulcral, e o IFS está a ser determinante.

O regresso às aulas pode trazer ansiedade, insegurança e medo. Quais são os sinais a que pais e educadores devem estar atentos?
Ajustado a cada faixa etária, os sinais são não querer ir, chorar ou vomitar antes ou a caminho da escola, ter medo de responder, comparar-se com os colegas ou evitar falar da escola. Alterações no sono e apetite ou ficar muitas vezes doente são também sinais: o corpo fala o que a boca não diz.

Estamos a exigir demasiado às crianças e adolescentes? Como ajudá-los a encarar o novo ano letivo com segurança e confiança?
Pressão, expectativas e comparação não são exclusivas dos pais, mas de toda a comunidade escolar e sociedade. A integração pode ser harmoniosa, mas com as redes sociais tornou-se pouco saudável. Por isso, sim, estamos a exigir demasiado. Tudo evoluiu e o sistema educativo continua quase igual. Substituir livros por computadores não é evolução. Falta espaço para a individualidade, emoções, reflexão e pensamento próprio. O “engole e vomita igual” só serve para alguns.

Ajudá-los passa por uma comunicação eficaz e não agressiva; por ver e ouvir sem julgamento, com acolhimento e busca de soluções; por uma boa articulação entre aluno, pais e comunidade escolar; exigir empenho e responsabilidade, sem que disso dependa o amor, que dever ser incondicional; momentos livres, atividade física regular e psicólogos clínicos nas escolas.

Como podem os pais preparar emocionalmente os filhos para o regresso às aulas? E quando é que uma dificuldade de adaptação justifica o acompanhamento profissional?
O ponto de partida é conversar, ouvir e acolher dúvidas ou inseguranças. Ensinar estratégias simples de relaxamento e autorregulação, como respiração abdominal, “expirar por uma palhinha”, o abraço da borboleta, desenho e escrita.

O acompanhamento é aconselhado quando os sinais se mantêm por muito tempo, existem comportamentos autodestrutivos, como roer as unhas ou automutilação, angústia, não se lembrar do que aconteceu na escola ou da matéria – aqui, pode ter dissociado para se proteger de dor emocional ou física –, insegurança ou baixa autoestima. Há muitos outros sintomas. Somos seres únicos.

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Instagram: Teresa Chuva (@the.rainproject)

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