Recuperação económica: desígnios para o futuro

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João Torres Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor Foto: João Bica

O ano de 2021 será recordado como parte de um período repleto de desafios e de provações para Portugal, para os Portugueses e para a nossa economia. Após os impactos mais nefastos que, em consequência do contexto de pandemia, se abateram sobre o nosso tecido económico, registou-se ao longo de 2021 uma recuperação sustentada dos múltiplos setores de atividade.

As análises a setores específicos da economia permitem uma leitura positiva. Note-se, a título de exemplo, que o setor do comércio se tem demonstrado resistente e dinâmico, com a confiança dos agentes económicos a atingir o máximo desde o início da pandemia, em outubro, segundo o INE. Contudo, mais determinante do que os índices de confiança dos agentes económicos, é sabermos que estes correspondem a um contexto de real progresso e crescimento, sendo que o volume de negócios do comércio a retalho, mês após mês, está a aproximar-se dos níveis de 2019. Neste ponto, cumpre notar um outro dado, relativo à transversalidade do crescimento nacional. Aquilo que os indicadores demonstram é que toda a economia, de forma global, se encontra em recuperação. É certo que há setores que apresentam ainda um enorme potencial de recuperação, mas também é verdade que estes são, justamente, os setores que foram mais duramente afetados pelas restrições à circulação e que, por isso, têm merecido uma especial atenção do Governo.

A recuperação e a sua transversalidade não são frutos do acaso. Na verdade, são consequência da enorme capacidade dos trabalhadores e dos empresários, que nunca baixaram os braços ao longo destes dois anos difíceis, mas também representam o resultado das políticas públicas adotadas. Portugal destacou-se pela implementação de medidas fortes de proteção do emprego e das empresas, tais como o lay-off simplificado, que permitiu às empresas a manutenção dos seus postos de trabalho, reduzindo massivamente os encargos financeiros com os mesmos. É por isso que, ao contrário do ocorrido noutros países ou até, entre nós, em crises passadas, o desemprego somente teve uma ligeira subida como resultado da crise pandémica, encontrando-se já, nos dias de hoje, abaixo dos níveis do período pré-pandemia, com cerca de 6,1% da população ativa desempregada, de acordo com o INE.

Notavelmente, muitas das nossas empresas resistiram e regeneraram-se e, em alguns casos, cresceram. Parte deste fenómeno é resultado das políticas públicas desenvolvidas. Todavia, e certamente, uma outra parte só pode ser explicada pelo engenho e capacidade dos operadores económicos. Reconhecemos isso mesmo no comércio, serviços e restauração, setores em que muitas empresas inseriram a componente digital nos seus modelos de negócio e alargaram os seus canais de oferta. Esta mudança de paradigma foi e é essencial no combate aos efeitos da pandemia, permitindo às empresas continuar a escoar os seus produtos e permitindo aos consumidores continuar a adquiri-los.

É preciso, noutro prisma, reconhecer que, a par de todas estas transformações, também os cuidados de saúde e, principalmente, o processo de vacinação, permitiram a Portugal enfrentar com prudência, mas com confiança, novas vagas da pandemia. Acredito que ultrapassaremos esta pandemia podendo encarar o futuro com otimismo. O que nos convoca a todos é, não só a recuperação, mas, também, a constante reinvenção de processos, técnicas e dinâmicas.

Contamos hoje com um dos mais ambiciosos planos de investimento público da sua história, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que totaliza mais de 16 mil milhões de euros e que dará um novo impulso à economia. O objetivo deste plano não é, nem poderia ser, apenas o de recuperar o que a pandemia danificou. Em boa verdade, os desafios que tínhamos antes do surgimento da doença da Covid-19 mantêm-se e são até mais prementes. Mesmo com tantas novas empresas a fornecer serviços digitais, é mais urgente do que nunca prosseguir e aprofundar o impulso à transição digital na economia.

De igual forma, a emergência climática que atravessamos, assim como o desígnio da descarbonização, tornaram essencial a geração de modelos de negócios mais sustentáveis, o investimento em novas fontes de energia e a garantia de que toda a economia está apta a fazer a sua parte pela circularidade dos recursos, sem exceções.

Os desafios das transições gémeas – verde e digital – não se esgotam no PRR. As respostas dadas aos desafios do nosso presente e do nosso futuro necessitam de uma resposta coletiva e concertada. O Governo está disponível e motivado para ser um elo entre as forças vivas da nossa sociedade e, assim, impulsionar as transformações que todos ambicionamos.

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