A Fisioterapia deixou há muito de ser associada apenas à recuperação de uma lesão. Na sua perspetiva, qual é o verdadeiro lugar da Fisioterapia na saúde e na qualidade de vida das pessoas?
A Fisioterapia ocupa hoje um lugar central na saúde ao longo de toda a vida. Não se limita a recuperar uma lesão: ajuda a prevenir incapacidade, preservar autonomia, melhorar a função e permitir que cada pessoa continue a fazer aquilo que é importante para si. O nosso trabalho deve começar antes de a limitação se instalar e prolongar-se para além do desaparecimento da dor. Na NBfisio, vemos o movimento como um dos principais indicadores de saúde e qualidade de vida.
Muitas pessoas procuram ajuda apenas quando a dor já condiciona o seu dia a dia. O que ainda falta mudar na mentalidade dos portugueses para que a Fisioterapia seja encarada também como uma ferramenta de prevenção e não apenas de tratamento?
Ainda existe a ideia de que só devemos procurar um fisioterapeuta quando “já não conseguimos mais”. É precisamente essa mentalidade que precisamos de mudar.
Muitas alterações podem ser identificadas e trabalhadas antes de se transformarem em dor persistente ou perda de função. É importante criar uma cultura de prevenção, em que avaliar o movimento, corrigir fatores de risco e receber orientação especializada seja tão natural como fazer outros cuidados de saúde de rotina.
A NBfisio nasceu de uma visão ligada à excelência dos cuidados de Osteopatia e Fisioterapia, foi crescendo até se afirmar através de várias unidades e diferentes valências. Como consegue garantir que o crescimento de uma estrutura de saúde não faz perder aquilo que considera essencial: a proximidade, a personalização e a qualidade do acompanhamento?
Crescer só faz sentido se conseguirmos preservar a qualidade do cuidado. Para nós, isso passa por ter uma orientação clínica comum, critérios de avaliação acompanhamento consistentes e, ao mesmo tempo, dar espaço ao profissional para olhar para cada pessoa de forma individual.
A dimensão da estrutura nunca pode substituir a relação terapêutica. Procuramos que, independentemente da unidade ou da valência, o utente sinta que é conhecido, ouvido e acompanhado ao longo do seu processo.

Se pudesse deixar uma mensagem a alguém que convive diariamente com dor, limitação física ou perda de mobilidade e que ainda não procurou ajuda, o que lhe diria e porque é que recuperar movimento pode significar, muitas vezes, recuperar também uma parte da própria vida?
Dir-lhe-ia que não deve aceitar a dor ou a perda de mobilidade como uma condição inevitável do dia a dia. procurar ajuda não significa que exista sempre uma solução imediata, mas significa perceber o que está a acontecer e quais as possibilidades de melhorar.
Quando uma pessoa recupera movimento, muitas vezes recupera também independência, confiança e atividades que tinha deixado de fazer. E isso pode representar voltar ao trabalho, ao desporto, à família ou simplesmente voltar a viver com maior liberdade. Recuperar movimento é recuperar liberdade!
Ao longo de cerca de 20 anos de carreira, assistiu à evolução da Fisioterapia, tanto ao nível das técnicas como da relação com o paciente. Que mudança considera mais transformadora e que tendência acredita que irá marcar a profissão nos próximos anos?
A mudança mais transformadora foi deixarmos de olhar apenas para a estrutura lesionada e passarmos a olhar verdadeiramente para a pessoa, para a sua função, objetivos, contexto e expectativas. Hoje, a Fisioterapia é muito mais participativa e baseada na decisão partilhada com o paciente.
Nos próximos anos, acredito numa prática cada vez mais suportada pela evidência, pela medição objetiva de resultados e pela tecnologia, sem nunca perder aquilo que nenhuma tecnologia substitui: o raciocínio clínico e a relação humana.










