O Dia Mundial da Fisioterapia 2026 coloca o foco na doença cardiovascular e no AVC. Considera que esta escolha reforça o papel da Fisioterapia não apenas na reabilitação, mas também na prevenção destas patologias?
Esta escolha mostra que a Fisioterapia não atua apenas depois da doença. Os fisioterapeutas ajudam a identificar fatores de risco, a combater o sedentarismo e a prescrever exercício seguro e individualizado, contribuindo para prevenir a doença cardiovascular e o AVC. Quando o evento ocorre, intervêm na recuperação da mobilidade, da capacidade cardiorrespiratória, da autonomia e da participação. A mensagem é simples: a Fisioterapia acompanha todo o percurso, da prevenção à reabilitação, e deve estar integrada de forma estrutural nos cuidados de saúde.
“A Fisioterapia acompanha todo o percurso, da prevenção à reabilitação, e deve estar integrada de forma estrutural nos cuidados de saúde”
Muitos cidadãos ainda associam a Fisioterapia apenas à recuperação após uma lesão. Como pode esta perceção ser alterada e que papel tem a Ordem na promoção da literacia em saúde?
É preciso comunicar melhor que a Fisioterapia também promove saúde e previne doença.
A Ordem tem procurado tornar esse contributo mais visível através da comunicação pública, de conteúdos de literacia e da defesa da integração dos fisioterapeutas nas políticas de prevenção. A campanha deste ano é uma oportunidade para explicar que atividade física e exercício não são recomendações genéricas: devem ser ajustados à condição e ao risco de cada pessoa. Nos cuidados de saúde primários, o acesso direto à Fisioterapia pode aproximar esta intervenção da população, mas exige a integração efetiva de fisioterapeutas nestas estruturas.
Que desafios persistem em Portugal no acesso atempado e continuado à Fisioterapia após um AVC e que mudanças considera prioritárias?
O principal desafio é garantir que a rapidez da resposta na fase aguda tem continuidade na fase de reabilitação. Persistem desigualdades territoriais, demoras e descontinuidades entre o hospital, as respostas de fisioterapia e os cuidados na comunidade. A Via Verde AVC não pode terminar à porta da urgência.
É necessário definir percursos céleres, assegurar equipas multidisciplinares com fisioterapeutas e garantir uma intervenção precoce, continuada e com intensidade ajustada às necessidades de cada pessoa, no internamento, em ambulatório ou no domicílio.











