“Sou apaixonada por pessoas e pelo seu papel transformador”

Matilde Duarte Geada é advogada de formação, mas conta com uma especialização em Recursos Humanos e mais de 20 anos de experiência em cultura organizacional e cultura humanizada. Acredita que, hoje, não basta liderar as equipas, é preciso inspirá-las e motivá-las para obter coesão e resultados. Movendo-se por princípios de justiça, equidade e impacto humano, coloca as pessoas no centro das suas decisões estratégicas para a SINTIMEX.

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Está a completar 20 anos à frente do Departamento de RH, Qualidade e Logística da SINTIMEX. Como tem sido este caminho profissional?

Ao longo dos últimos 20 anos na SINTIMEX, tive a oportunidade de construir um percurso sólido e multifacetado, sempre pautado pelo compromisso com a excelência e o desenvolvimento das pessoas e da organização. Enquanto mulher a exercer funções de liderança num setor maioritariamente masculino, procurei não apenas afirmar a minha competência técnica e estratégica, mas também demonstrar que a liderança no feminino acrescenta valor através
de uma abordagem inclusiva, empática e orientada para resultados.

Quais as principais mudanças que nota no mercado de trabalho, sobretudo quando falamos de mulheres trabalhadoras?

Hoje existe uma maior consciência sobre a importância da diversidade e da igualdade de oportunidades, não apenas como princípio ético, mas também como fator estratégico para a competitividade das empresas. As mulheres conquistaram maior representatividade em cargos de responsabilidade, embora ainda haja um longo e árduo caminho a percorrer, sobretudo em setores tradicionalmente masculinos. Vejo também mudanças relevantes no equilíbrio entre vida profissional e pessoal, com políticas mais inclusivas que permitem conciliar carreiras exigentes com a vida familiar.

Em algum momento sentiu particulares dificuldades por ser mulher e desempenhar funções numa área com maior prevalência masculina?

Nunca vi isso como uma limitação, mas sim como uma oportunidade para mostrar que competência, dedicação e visão estratégica não têm género. Claro que, em alguns momentos, senti necessidade de me afirmar mais, sobretudo para quebrar estereótipos ou resistências iniciais. Mas encarei sempre esses desafios como forma de
crescer, desenvolver resiliência e ganhar ainda mais confiança naquilo que posso aportar.


Como se define enquanto profissional? Quais as características que acredita que mais a ajudam a trabalhar numa área com ainda poucas mulheres?

Defino-me como uma profissional focada em pessoas, que acredita que ouvir sem julgar verdadeiramente é tão transformador quanto decidir estrategicamente. Tenho uma visão orientada para o futuro, mas com os pés bem
assentes na realidade, e encaro cada desafio com resiliência.

O que mais a orgulha nestes anos todos que já leva de profissão?

O que mais me orgulha é perceber que o meu trabalho deixa marcas que vão além dos números ou relatórios. São as políticas que abriram portas, os projetos que aproximaram equipas e, sobretudo, as pessoas que se sentiram mais
valorizadas e capazes de crescer. Orgulho-me de ter ajudado a transformar a cultura organizacional da SINTIMEX, tornando-a mais justa, colaborativa e humana.