“Ter empatia não é um extra: mas sim a parte essencial do processo”

Rita Catita olha para o crédito muito além dos números. entre histórias de vida, decisões difíceis e sonhos concretizados, acredita que o lado humano continuará a ser a verdadeira diferença num setor cada vez mais automatizado.

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Em que momento sentiu que o crédito deixou de ser uma área profissional e passou a ser algo que queria compreender em profundidade?
Percebi que o crédito não era só uma área técnica, mas uma forma de fazer parte da vida das pessoas. Ao acompanhar histórias reais, como a compra da primeira casa, um recomeço depois de uma fase difícil ou a concretização de um sonho, entendi que estava a lidar com muito mais do que taxas ou aprovações. Estava a lidar com decisões que mudam vidas. E isso mudou a minha vida e o meu trabalho também. Deixei de o ver apenas como função e passei a vivê-lo com propósito. Compreender o crédito sobretudo no seu impacto humano, deixou de ser sobre financiar, mas sobre ajudar alguém a chegar mais perto da vida que desejava, com a mesma exigência e cuidado com que olho para todas as pessoas à minha volta.

O que a experiência na banca lhe mostrou que nenhum manual poderia ensinar?
Mostrou-me que, nos momentos mais importantes, as pessoas procuram mais do que respostas técnicas. Por trás de cada pedido, há quase sempre um misto de esperança e receio Nenhum manual ensina o peso que uma decisão financeira pode ter quando está ligada a mudanças de vida, a uma separação, a um recomeço, a um sonho ou simplesmente à necessidade de respirar “financeiramente” melhor.

A diferença está na forma como fazemos o cliente sentir-se ouvido, respeitado, esclarecido e seguro. A empatia não é um extra, é parte essencial.

Quem é a Rita Catita fora do mundo do crédito, e o que a mantém ancorada?
Sou alguém feita de histórias profundamente transformadoras. Filha e irmã das duas grandes referências, que a doença teimou levar cedo demais. Perdas que me ensinaram que o tempo é precioso e a vida não deve ser adiada.

Travei uma das maiores batalhas de vida, a infertilidade. Uma luta silenciosa, dura, incompreendida, mas que venci com orgulho imenso. Hoje os meus dois filhos, de oito e 11 anos, são a minha maior exigência, mas a experiência mais avassaladora e mais bonita da minha vida.

Tenho a sorte de viver rodeada por um marido que comigo forma uma equipa de, e para, a vida, por uma família de mulheres determinadas e presentes sendo a minha mãe o exemplo maior, e por amigos (essa maravilhosa família que escolhemos) que tantas vezes, salvam sem sequer saber.

Sou muito de presença, de gesto, de intenção. Mas também sou intensa. Preciso de sentir, viver, estar, libertar o excesso de mundo cá dentro. No fundo, o que me mantém ancorada são as relações e a consciência de tudo o que já perdi, de tudo o que venci e de tudo o que tenho hoje para agradecer.

O que o tempo e a experiência lhe ensinaram sobre o significado de segurança financeira?
Segurança financeira não é apenas uma conta recheada ou uma prestação confortável. É um sentimento de paz e saber que uma decisão foi tomada com consciência, equilíbrio e respeito. O verdadeiro valor está na liberdade que traz: para viver com menos ansiedade, planear o futuro com serenidade e não transformar a vida numa luta constante para cumprir uma obrigação. A vida muda, dá voltas, surpreende-nos, por isso acredito que essa segurança não se constrói só com números, mas com bom senso, visão, responsabilidade e humanidade.

Por trás de cada pedido de crédito há quase sempre uma história de vida, um sonho, uma necessidade ou até um recomeço. Como lida com esse lado invisível do seu trabalho?
Lido com um enorme sentido de responsabilidade e também com gratidão, porque esse lado invisível dá alma ao trabalho. Por trás de cada processo está alguém numa fase importante da vida, nunca consigo ver isso como “mais um processo”. Gosto de ouvir, de perceber o contexto, de entender quem está do outro lado.

Uma das coisas que mais me emociona é ser referenciada pelas boas experiências. Quando um cliente volta, recomenda, fala nós com carinho, sinto que o trabalho foi além do técnico e as pessoas verdadeiramente cuidadas.

Como ajuda um cliente a sentir e não apenas a entender, que está a tomar a decisão certa?
Decidir bem não é só perceber números. As propostas podem parecer parecidas no papel, mas as pessoas não escolhem só com a cabeça, escolhem com a tranquilidade e confiança que sentem ao longo do processo. E é aí que eu acredito que podemos fazer a diferença ao traduzir o complexo em simples, explicar sem pressa. Não “empurrar” decisões, mostrar vantagens e riscos com transparência. Respeitar a realidade de cada pessoa, conhecer os clientes.

No fundo, quero que o cliente sinta que não recebeu apenas uma solução, mas que foi genuinamente acompanhado por alguém que se importou com a sua decisão.

Acredita que no futuro o crédito vai ser uma ferramenta fria e automatizada ou haverá espaço para relações de confiança?
A tecnologia vai continuar a evoluir e a transformar o sector, Vai simplificar processos, acelerar respostas, facilitar acessos. Tudo isso é positivo, mas nunca substituirá o lado humano. O crédito nunca será apenas um conjunto de dados numa plataforma.

Enquanto existir um sonho por trás de uma decisão, uma família por trás de uma escolha, uma dúvida por trás de uma assinatura, haverá sempre lugar para alguém que interprete, que contextualize, que tranquilize.

Se alguém falar da RC Consultoria e Intermediação de Crédito como uma marca que fez a diferença, o que gostaria que dissessem?
Que estive lá quando era preciso, ajudei a tornar decisões difíceis mais leves, trouxe clareza quando havia dúvidas e tranquilidade quando havia receio. Que nunca tratei pessoas como processos, nem resultados como números e que fui parte de momentos felizes na vida de muitas famílias.

Se disserem que fui alguém em quem se confiava, com consistência, proximidade e verdade, isso valerá sempre mais do que qualquer resultado. Porque, no fim, o impacto que quero deixar é simples e profundamente humano: “Ainda bem que foi com ela”.