Uma liderança com identidade própria

Diana Pinheiro Lopes lidera a Pinheiro Lopes & Associados com uma visão assente na proximidade, na competência e na evolução, acreditando que um verdadeiro legado tem de saber crescer para continuar.

0
282

A Pinheiro Lopes & Advogados nasceu pela visão do seu pai. Para si o que representou assumir o papel de continuidade deste projeto e como tem procurado honrar esse legado?
É continuar um caminho que acompanhei desde pequena – desde os tempos em que ele me sentava ao balcão dos Tribunais até ao momento em que passei a acompanhá-lo como Advogada – faz parte da minha identidade. Desde muito cedo, o meu pai proporcionou-me o contacto com o funcionamento do escritório e o contacto com clientes, Tribunais e serviços públicos, o que hoje lhe agradeço profundamente.

Apesar de comemorar dez anos de inscrição como Advogada, o contacto com a profissão e o lidar com os seus desafios vão muito além disso. E sim, o escritório nasceu da visão do meu pai, que, ao longo de 35 anos, soube acompanhar os tempos, adaptar e melhorar a sua forma de trabalhar e as suas instalações, contratando e formando pessoas, dando espaço para crescerem e evoluírem profissionalmente.

Ter acompanhado esse percurso de perto – vê-lo dedicar-se de corpo e alma à profissão, assistir à sua evolução e, acima de tudo, testemunhar a sua capacidade de superação e a forma como enfrentou os diferentes desafios que foram surgindo – permitiu-me compreender melhor aquilo que eu esperava da profissão e também o que esperavam de mim, no papel de sucessora. Tudo isso foi essencial quando, de rompante, tive de assumir o leme, representando uma enorme responsabilidade: dar continuidade ao seu trabalho e manter, pelo menos, aquilo que tinha sido alcançado.

O meu primeiro passo para honrar este legado e concretizar a minha própria visão foi passarmos da prática individual, a dois – a Pinheiro Lopes & Advogados – para a prática societária, constituindo a PL&A – Pinheiro Lopes & Associados, recrutando e formando outros advogados associados para integrarem a nossa equipa e connosco exercerem a atividade. Procurando, assim, que a confiança associada à pessoa Pinheiro Lopes se estenda à nossasociedade e equipa, assegurando que o legado permaneça no tempo.

Em que momentos sentiu maior pressão para afirmar a sua identidade profissional e que lições marcaram o seu percurso enquanto ad vogada e líder?
Suceder, de repente, a alguém que deixou uma marca forte traz expectativas, comparações e o inevitável, “é tão nova!”. Houve momentos em que precisei de provar a mim própria e a outros, que era capaz de advogar e liderar à minha maneira, de resolver as questões que nos tinham sido confiadas, sem precisar de ser uma réplica do meu pai – de separar as águas.

As maiores lições que retirei ao longo destes três anos confirmam o que já havia aprendido ao observar o meu pai: a credibilidade e a confiança na advocacia conquistam-se diariamente, através do trabalho consistente, da proximidade, da competência e da capacidade de tomar decisões difíceis com serenidade.

E que as pessoas não ficarão necessariamente a trabalhar na PL&A para sempre. Também isso faz parte de um projeto que se quer maior do que qualquer uma das pessoas que dele fazem parte – a Pinheiro Lopes & Associados continuará o seu caminho.

Quais foram os obstáculos que encontrou e de que forma essas experiências moldaram a profissional que é hoje?
Um dos maiores desafios tem sido encontrar harmonia entre a exigência da nossa profissão e do cargo que ocupo com a vida pessoal e familiar, entre a realização e o propósito que encontro em ser mulher, sócia, gerente e mãe, lidando com a sensação de falha constante em qualquer um desses espaços, pela exigência que nos foi incutida e nos é questionada por quem nos rodeia. Além disso, muitas vezes, quem é sócio e tem de decidir ocupa uma posição muito solitária.

Todas as experiências permitiram-me, acima de tudo, valorizar mais o tempo, perceber que equilíbrio não significa fazer tudo ao mesmo tempo, que devemos estabelecer prioridades, estruturar e procedimentar, confiando na equipa para partilhar responsabilidades. Esta experiência – e também a maturidade que a idade vai trazendo – tornou-me mais consciente da importância de conciliar a ambição profissional com a vida pessoal.

Que mudanças considera terem sido determinantes na forma como exerce a liderança e quais os valores que procura transmitir às novas gerações de advogados?
Passei de acompanhar uma liderança mais individual para construir uma liderança mais próxima e colaborativa, baseada no respeito, na transparência e na confiança que fui testemunhando. Essa foi, sem dúvida, a mudança mais determinante: aprender que ouvir é tão importante como decidir e que a confiança se constrói na proximidade e – cada vez mais – no exemplo. Aos jovens Advogados procuro transmitir que o sucesso na profissão não depende apenas do nosso conhecimento técnico – sem o descurar, claro –, é necessário ter o espírito crítico e curioso, desenvolvermo-nos diariamente e que a Advocacia requer tempo.

E cada vez mais, é também necessária a capacidade de adaptação e de comunicação, pois acredito vivamente que, apesar do advento da IA e das transformações que a profissão atravessa, a nossa presença será cada vez mais necessária junto das pessoas e das empresas.

Que legado gostaria de deixar na Pinheiro Lopes & Advogados e que mensagem gostaria de transmitir a outras mulheres?
Gostaria de deixar uma sociedade sólida, inovadora e preparada para o futuro, sem perder os valores da sua origem. Quero que a Pinheiro Lopes & Associados seja reconhecida pela excelência técnica e pela forma como, quem nela exerce advocacia, trata e valoriza as pessoas. A minha visão é preservar a sua essência sem deixar de evoluir, mantendo-a uma referência pela qualidade e confiança, num projeto que continue para além do meu pai e de mim.

Às mulheres que ambicionam liderar diria: não precisamos de liderar todas da mesma forma. Autenticidade, competência e perseverança têm mais força do que estereótipos, sem esquecer que a credibilidade e a confiança requerem tempo! Vão aprender, errar e ajustar – fará parte do vosso caminho. E cada mulher que lidera deverá abrir caminho para outras que lhe sucedam.