As mulheres portuguesas optam, cada vez menos, por ficar em casa e viver do rendimento familiar, enquanto realizam tarefas domésticas e cuidam dos filhos.
Ao contrário da imagem que retrata a grande maioria da população feminina do século passado, as mulheres que estão, hoje, em idade ativa integram efetivamente o mercado de trabalho.
Portugal é, aliás, detentor de uma das maiores taxas de mulheres que detêm uma profissão, na União Europeia. A maioria delas tem um trabalho a tempo inteiro e assume, ainda as responsabilidades inerentes à lida doméstica e a grande parte da criação dos filhos.
No entanto, continua a ser de assinalar a grande precariedade que ainda existe relativamente aos contratos de trabalho: cerca de 1 em cada 5 mulheres tem um contrato precário de trabalho.
Além disso, importa continuar a destacar que, em todas as profissões, continua a existir uma disparidade salarial entre homens e mulheres, sendo que as profissionais femininas são sempre as que menos auferem.
As mulheres em Portugal ganham menos 16% que os homens, em média. Isso significa, de forma lata, uma diferença de 238 euros no valor mensal auferido pelas mulheres, versus os homens.
A desigualdade salarial aumenta com a progressão na carreira, e pode atingir uma diferença de 26% nas funções de topo, o que leva ao aumento da disparidade social. As mulheres podem chegar a ganhar, mensalmente, menos 760 euros do que os homens.
Embora aufiram menos, as mulheres estão menos presentes nos cargos hierarquicamente superiores. Nos quadros de administração das empresas, existia, em média 1 mulher para cada 4 homens. Portugal encontra-se em 22º lugar, de entre os países da União Europeia, no que se refere aos países com mais mulheres a ocuparem cargos de liderança.
Na Saúde, todas as questões levantadas atrás se mantêm. As mulheres estão muito presentes em todas as áreas da Saúde, mas o facto de que a maioria das administrações hospitalares é composta maioritariamente por homens continua a ser uma realidade.
Nesta edição, que retrata precisamente as Mulheres de Valor que já se encontram na Saúde, sejam elas empreendedoras com a sua própria clínica ou consultório, ou diretoras de espaços clínicos maiores, a verdade é que a marca feminina continua bem visível nos cuidados prestados à população, mas os desafios que estas mulheres enfrentam são de monta, diferenciados e exigem particular resiliência e superação.
Os dados mencionados acima integram um comunicado da PORDATA gerado por ocasião do Dia Internacional da Mulher 2025. Pode consultar os temas em maior detalhe aqui:
A LIDERANÇA FEMININA NO SETOR DA SAÚDE
As mulheres estão, efetivamente, ainda em desvantagem no que respeita à liderança. No entanto, um estudo do Movimento LIFE – Liderança no feminino na Saúde demonstra que a nova geração de profissionais do setor da Saúde está pouco motivada para assumir cargos de liderança.
O estudo “O que estamos a fazer para assegurar lideranças no futuro?” foi realizado com base em inquéritos a 500 profissionais até aos 40 anos que trabalham no setor da saúde (público e privado) em Portugal.
Segundo os resultados, 455 dos inquiridos que não ocupam cargos de liderança não desejam vir a fazê-lo. Quando divididos por géneros, nas mulheres apenas 32% assume que gostaria de vir a ser líder no seu setor profissional, enquanto que metade dos homens assumem esse desejo.
Quando questionados sobre o porquê de a liderança não parecer apetecível, algumas razões repetem-se: excesso de responsabilidade, sabendo que a capacidade de resposta é limitada; preferem o trabalho individual, sem terem de coordenar equipas; e demasiado stress.
A maioria dos inquiridos (60%) acredita que, no geral, há menos pessoas disponíveis para liderar. Isso deve-se ao excesso de responsabilidade, que não é compensado financeiramente, a exigência que um cargo de liderança implica e pouca motivação.
Outra questão importante é a falta de preparação formal para liderar. Só 14% dos inquiridos que já ocupam cargos de chefia afirmam ter um plano para formar novos líderes.
A maioria deles lidera, hoje, devido aos seus conhecimentos técnicos e da experiência acumulada, mas os jovens que têm aspirações a liderar pretendem preparar-se de outra forma, com formações sobre inteligência emocional, gestão de conflitos, e comunicação assertiva.
A maternidade é, ainda, outra questão que pesa muito quando se pensa na liderança em Saúde. 75% dos inquiridos acredita que a maternidade influencia mais a carreira das mulheres, mas quando são apenas as mulheres consultadas sobre isso a percentagem sobe para 88%.
Estes dados mostram que o ciclo se perpetua – se há menos mulheres em cargos de liderança, não há tantas referências, logo menos inspirações para liderar no futuro. Pode analisar estes dados aqui.














