O que vos levou a fundar a Delei? E porquê nesta área?
L.R.: Nós já éramos amigas há bastante tempo e eu já trabalhava na área. Quando soube que a empresa onde trabalhava estava à venda, a Fernanda sugeriu comprarmos a empresa e continuarmos o negócio, no entanto este não se concretizou. A ideia não morreu, contudo, e optámos por iniciar um projeto de raiz.
O processo de criação de uma empresa é sempre muito irregular. No vosso caso, sentiram dificuldades no plano geral, que engloba os aspetos diretos de criação da empresa? E no plano particular, no que respeita ao facto de serem mulheres?
F.M.: Inicialmente começámos em nome individual. Só mais à frente, quando as coisas evoluíram, é que criámos a empresa. No início, o que fizemos foi confiar no contabilista, que era a pessoa que percebia muito mais do que nós sobre este assunto. No que respeita à liderança, não creio que tenhamos sentido dificuldades por sermos mulheres, mas a nível de trabalho foi difícil.
L.R.: Esta é uma área em que temos de ser nós a procurar os clientes e a maior dificuldade foi exatamente essa: ter uma carteira de clientes, para depois esses próprios clientes aconselharem outros.
Passados 10 anos, como é que sentem que evoluíram enquanto mulheres e profissionais?
L.R.: Lidar com pessoas todos os dias ensina-nos muita coisa, principalmente a sermos muito ponderadas. E ganhámos uma confiança que, na altura, não tínhamos. Inclusivamente, a concorrência fez-nos duvidar muito daquilo que estávamos a fazer, porque punha em causa o nosso trabalho, e hoje em dia já não ligamos a nada disso.
O que vos distingue das restantes empresas?
F.M.: O facto de sermos muito próximos dos clientes e de atendermos sempre o telefone, ir sempre a mesma pessoa àquela empresa, coloca o empresário num lugar de segurança mais interessante e ele gosta disso. Essa proximidade
é de muita importância, porque faz com que nós cresçamos. É a proximidade que leva a que os clientes falem de nós a outros clientes. Por isso, a proximidade para nós é crucial e é algo que queremos manter, mesmo que venhamos a crescer mais acentuadamente.
“Confiar é muito importante, bem como manter a resiliência que tivemos”.
Como é que querem crescer? Isso virá para breve?
F.M.: Os últimos quatro foram aqueles em que mais crescemos. Há 10 anos começámos com segurança alimentar e controlo de pragas e depois evoluímos para disponibilizar também os serviços de Segurança no Trabalho, seguido de
Medicina no Trabalho. Queremos crescer mais um bocadinho, e nesse caso recrutando mais gente, mas sempre de forma sustentável e ponderar muito bem o passo seguinte.
Se pudessem dizer algo às mulheres que eram há 10 anos, o que diriam?
L.R.: Confiem. Confiar é muito importante, bem como manter a resiliência que tivemos. Fomos persistentes. Durante os primeiros três anos, não tínhamos nenhum lucro. No início, íamos um dia entregar 10 orçamentos e recebíamos 10 “Não”. Mas acredito que confiando e perseverando tudo se consegue.
F.M.: Com qualidade e com trabalho nós chegámos lá, por isso confiar é o segredo.










