A Ciência ao serviço da sociedade do futuro

O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) utiliza o conhecimento científico para potencializar os recursos energéticos e geológicos endógenos, de forma a contribuir para uma economia próspera, evoluída e sem carbono, como destaca a presidente desta instituição, Teresa Ponce de Leão.

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Teresa Ponce de Leão, presidente Foto: Agência de Comunicação ESTENDAL

O LNEG é um laboratório que utiliza o conhecimento científico para conhecer melhor o território e as suas potencialidades e apresentar soluções para uma sociedade sem carbono e uma economia próspera. Enquanto presidente desta instituição, como caracterizaria o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido?

Temos a missão de contribuir de forma independente para o desenvolvimento económico e melhoria da qualidade de vida, colocando o conhecimento ao serviço da sociedade. Contribuímos para aumentar a penetração de Renováveis e sua Integração no Sistema Energético e na implementação de soluções para a Transição Energética. Fazemo-lo em colaboração ao nível nacional e internacional, através dos Laboratórios Colaborativos, na “European Energy Research Alliance“ ou nos EuroGeoSurveys. Orientamos estrategicamente a atividade para apoio às políticas públicas.

Portugal é um país com forte potencial, no que respeita à produção de energias renováveis. Como se comporta o país no que respeita à integração destas energias em sistemas energéticos?

Portugal tem apostado nas energias renováveis já desde o final da década de 90, início dos anos 2000. Tem sido uma estratégia consistente que nos permite que neste momento mais de 60 por cento da produção nacional seja renovável e que em 2020 as renováveis abasteceram o consumo em cerca de 55 por cento.

Portugal está, atualmente, a apostar fortemente no hidrogénio, enquanto energia limpa. Qual o papel do LNEG nesta nova aposta nacional?

Trata-se do vetor energético que traz a complementaridade e a flexibilidade que ainda falta para assegurar a total descarbonização do sistema de energia. No LNEG criamos um grupo de trabalho transversal que tem vindo a trabalhar em toda a cadeia de valor com resultados no apoio à Estratégia para o Hidrogénio, no apoio a empresas do setor e ainda na preparação de um Atlas para o H2 que cruza de forma georreferenciada a informação disponível nos diversos parceiros públicos e privados com competências relevantes para o efeito. Prevemos que este instrumento de trabalho seja um guia importante para o investimento no setor.

Os materiais para o armazenamento da energia estão em plena mudança, considerando o avanço na investigação que tem existido nos últimos anos. Como participa o LNEG neste avanço de investigação?

É uma área transversal. Tem focado as suas competências no desenvolvimento de novos materiais p. ex., para os painéis fotovoltaicos, para os eletrolisadores, nos sectores do hidrogénio e das baterias elétricas. Também na reutilização e reciclagem de materiais críticos para a energia assim como em aspetos de durabilidade e proteção anticorrosiva.

O LNEG é o Serviço Geológico Português responsável pelo mapeamento e investigação diretamente relacionados com os recursos geológicos nacionais, nomeadamente, riscos geológicos, geotermia, recursos minerais … Como pode Portugal exponenciar estes seus recursos?

Os recursos endógenos fazem parte do nosso capital natural. Temos vindo a estudar a sustentabilidade dos materiais críticos para a energia assim como o potencial geotérmico ou a capacidade de armazenamento geológico de gases renováveis. Temos ainda mapeado a perigosidade geológica resultado das alterações climáticas.

O LNEG tem também uma grande presença em Angola. Considerando as relações bilaterais existentes entre estes países, que destacaria dos trabalhos onde o LNEG já esteve envolvido, em Angola?

Para o desenvolvimento sustentável temos que atuar a nível global pois o nosso planeta é único. O projeto de cartografia geológica em território angolano é uma forma de levarmos o nosso conhecimento, enquanto serviço geológico, e o transferirmos para a sociedade angolana ao nível dos projetos, mas também da formação das pessoas.

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