Como advogada, consultora, formadora e docente, que mensagem passa a esta nova geração que aspira alcançar o mesmo sucesso?
À nova geração que inicia agora o seu percurso profissional gostava de dizer que ser mulher não é um limite e que as vossas capacidades não dependem do género, não tentem ser como os homens ou ceder aos papéis ou estereótipos sociais, nem nunca permitam que vos neguem oportunidades ou sonhos “apenas por serem mulheres”.
Nunca deixem de acreditar nos vossos sonhos e lutem para os alcançar, acreditando que isso só depende da vossa competência, capacidade, trabalho, disciplina e resiliência. No vosso percurso tratem sempre os outros com respeito e gentileza, ajudem e deixem-se ajudar, celebrem genuinamente as conquistas dos vossos colegas de trabalho e acreditem que as boas relações profissionais são uma mais-valia. Que as barreiras que as mulheres enfrentam não sejam erguidas por outras mulheres!
No meu caso, a minha realização profissional advém do facto de ser profundamente apaixonada pelo meu trabalho, trabalhar nas áreas que adoro e me sentir realizada sempre que melhoro a vida das outras pessoas. Tenho também a felicidade de o meu trabalho me ter aproximado de pessoas fantásticas, com quem aprendi muito, e que em alguns casos se tornaram grandes amigos.
Na vida, todos somos como um malabarista que tenta manter no ar os seus papéis, sonhos, projetos e objetivos. Este foi o meu maior desafio, mas, quando aceitei que a perfeição não existe e defini as minhas prioridades, com disciplina, foco, resiliência, organização e apoio familiar, consegui conciliar todos os meus papéis e é neste equilíbrio que sou feliz e realizada na vida e no trabalho e encaro a vida com leveza, alegria e empatia.
“Nunca deixem de acreditar nos vossos sonhos e lutem para os alcançar, acreditando que isso só depende da vossa competência, capacidade, trabalho, disciplina e resiliência”
Que obstáculos elenca ao longo da sua carreira, para chegar à posição em que se encontra hoje?
O maior obstáculo que tive que ultrapassar resultou, sem dúvida, da parentalidade que fez com que tivesse enfrentado barreiras na minha profissão, barreiras que optei por ultrapassar e não permitir que me desanimassem ou fizessem recuar nos meus projetos e objetivos e limitar os sonhos, mas sim que servissem como desafios para alcançar os meus objetivos.
Que medidas devem ser implementadas em Portugal para fomentar o empreendedorismo da Mulher?
A resposta mais fácil seria dizer que tudo se resolveria com mais e melhores leis. Todavia, não acho que esta seja a resposta correta, pois os direitos só conseguem dar frutos num terreno preparado para os respeitar e a nossa sociedade ainda reserva para a mulher um lugar menor. E por isso, acho que a primeira luta deveria ser para mudar as mentalidades e derrubar estereótipos e preconceitos, corrigir as diferenças entre homens e mulheres na linha de partida, facilitar o acesso ao conhecimento e formação, nas áreas onde as mulheres estão sub-representadas, e criar incentivos capazes de as atraírem para esses domínios, bem como uma rede de apoios que permita conciliar responsabilidades profissionais com a vida pessoal e familiar.










