“O mérito constrói-se com competência e consistência”

Daniela Correia, Advogada e Docente, acredita que o sucesso se conquista pela confiança, rigor e dedicação, independentemente da geografia ou do género.

0
168

Exerce advocacia em prática individual longe dos grandes centros urbanos. De que forma esse percurso em Seia moldou a sua identida de enquanto advogada?
Exercer advocacia em prática individual, no interior do país, ensinou-me que a essência da profissão está nas pessoas. Em Seia, a proximidade com a comunidade exige responsabilidade, rigor e humanidade, porque cada decisão tem impacto direto na vida de quem nos procura. Os desafios associados à desertificação, ao envelhecimento da população e ao menor dinamismo económico, obrigam, na prática, a uma constante adaptação e versatilidade. Vejo essas exigências como oportunidades para desenvolver uma advocacia próxima e personalipersonalizada. Aprendi que o sucesso não depende da dimensão da cidade, mas da confiança conquistada, da qualidade do trabalho e da diferença que fazemos na vida das pessoas. Escolher Seia foi também afirmar que o interior dispõe de profissionais capazes de prestar um serviço jurídico de excelência, garantindo o acesso ao Direito e à Justiça.

A sua experiência cruza a advocacia e o ensino. Como se complementam estas duas dimensões?
A advocacia e o ensino têm em comum as pessoas. O conhecimento técnico é essencial, mas ouvir, comunicar e compreender diferentes realidades faz toda a diferença. A docência, sobretudo no Curso de Técnico de Serviços Jurídicos, permitiu-me acompanhar o crescimento de muitos jovens, promovendo competências técnicas, responsabilidade e ética. A advocacia permitiu-me levar para a sala de aula exemplos reais, aproximando os alunos da realidade e sociedade. Já o ensino levou-me a comunicar melhor, a manter uma aprendizagem contínua e a olhar o Direito de forma mais reflexiva. Acredito que esta complementaridade me tornou uma profissional mais completa.

Grande parte do seu trabalho centra-se no Direito da Família e no Direito Criminal. Como equilibra o rigor jurídico e a dimensão humana?
Nunca vejo um processo apenas como um conjunto de factos e normas, mas também como histórias de vida. Nestas áreas, o rigor jurídico é indispensável, mas a empatia é igualmente essencial. Procuro defender os interesses dos meus clientes com objetividade, sem esquecer que cada decisão pode marcar profundamente a vida das pessoas. Exercer advocacia é unir competência técnica, sentido de justiça, humanidade e confiança.

As mulheres continuam a enfrentar barreiras para afirmar o seu mérito? Que mudanças são necessárias?
A sociedade evoluiu e há cada vez mais mulheres em profissões de elevada responsabilidade, mas persistem alguns estereótipos. Acredito, porém, que o mérito, a competência e a consistência acabam por prevalecer.

A mudança passa por garantir igualdade de oportunidades e um reconhecimento baseado exclusivamente no talento, na preparação e no compromisso. Ganham os profissionais e a sociedade como um todo.

Que momentos marcaram o seu percurso e que mensagem deixa às mulheres que procuram construir uma carreira sólida?
Os pontos de viragem foram os 20 anos de advocacia e os cerca de nove anos de docência. Cada caso reforçou a minha resiliência e sentido de responsabilidade, enquanto ensinar me obrigou a estudar continuamente e me deu a satisfação de contribuir para a formação de futuros profissionais. Às mulheres deixo uma mensagem: invistam no conhecimento, trabalhem com rigor e perseverança, assumam desafios e façam-se ouvir. Uma carreira constrói-se com competência, ética, coragem e dedicação.