Um a advocacia feita de confiança

Com uma prática assente na proximidade e numa visão abrangente do Direito, Carla Marques construiu o seu percurso acreditando que a confiança se conquista e que o futuro da advocacia exigirá cada vez mais pensamento crítico e adaptação.

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Enquanto mulher empreendedora, que desafios teve de ultrapassar para construir uma marca pessoal e que aprendizagens mais marcaram esse percurso?
A construção da minha carreira enquanto advogada surgiu de forma natural e intuitiva, acompanhando os objetivos profissionais que fui definindo. Como em qualquer projeto construído de raiz, foi necessário construir o meu próprio percurso, criar uma carteira de clientes assente em relações de confiança e aprender a acreditar nas minhas capacidades. Talvez a principal aprendizagem tenha sido perceber que essa confiança também se constrói com a experiência, com as decisões que tomamos e com os desafios que ultrapassamos.

O seu escritório presta apoio em áreas tão distintas como o Direito Comercial, Imobiliário, da Família, Imigração e Insolvência. Como consegue conciliar esta diversidade de serviços com um acompanhamento personalizado, e de que forma essa abordagem se tornou um fator diferenciador da sua prática profissional?
Para mim, a diversidade é compatível com um acompanhamento personalizado. Uma visão abrangente permite encontrar estratégias mais completas, analisar cada situação de forma integrada e antecipar problemas que poderiam passar despercebidos. Veja-se, por exemplo, a responsabilidade dos gerentes de sociedades comerciais, cuja análise pode implicar conhecimentos de Direito Comercial, Fiscal, Laboral ou da Insolvência. Esta atuação multidisciplinar, aliada a uma relação próxima e de confiança com os clientes, constitui um dos princípios que orientam a minha prática profissional.

A liderança no feminino tem vindo a ganhar maior expressão no setor jurídico. Na sua perspetiva, que características distinguem uma liderança com identidade própria e de que forma procura inspirar confiança?
Vejo com satisfação a crescente afirmação das mulheres nas diferentes profissões jurídicas. É interessante verificar, por exemplo, a presença muito expressiva de mulheres no último concurso de ingresso para conservadores dos registos e notariado, sinal de uma realidade que se tem vindo a consolidar.

Na advocacia, lidamos com pessoas que nos confiam questões relevantes das suas vidas. Para mim, liderar implica saber ouvir e compreender, mas também ter segurança para indicar um caminho e tomar decisões, mesmo quando não correspondem ao que o cliente gostaria de ouvir. Acredito numa liderança assente no equilíbrio entre proximidade e firmeza, capacidade de ouvir e de decidir.

Como antecipa o futuro da profissão e quais serão as competências indispensáveis para os advogados que pretendem afirmar-se nos próximos anos?
A advocacia atravessa um período de profunda transformação. A evolução tecnológica, em particular a inteligência artificial, está a alterar a forma como trabalhamos e exigirá uma permanente capacidade de adaptação.

Não acredito, contudo, que a tecnologia diminua a importância do advogado. Pelo contrário, tornará ainda mais relevantes competências como o pensamento crítico, a negociação e a compreensão das necessidades de cada cliente. O conhecimento técnico continuará a ser essencial, acompanhado pelo uso responsável das novas ferramentas ao dispor.