“A Educação é um fator de estabilidade social”

A Fundação Joaquim Chissano conta com 15 anos de atividade, em prol do desenvolvimento cultural e económico de Moçambique. Leonardo Simão, diretor executivo deste organismo, salienta o papel da Fundação nas áreas fundamentais para o desenvolvimento deste país africano.

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Leonardo Simão, diretor executivo

Que análise faz do trabalho até agora desenvolvido pela Fundação?

Ao longo destes anos, a Fundação liderada pelo Presidente Joaquim Chissano esteve envolvida em missões de restauro da paz, através do seu engajamento na busca de soluções para conflitos políticos em alguns países, como a Guiné-Bissau, República Democrática do Congo, Uganda, Madagáscar, bem como na disputa fronteiriça opondo a Tanzânia e o Malawi, no Lago Niassa. Esta abordagem decorre da visão da Fundação, segundo a qual a paz e o desenvolvimento são duas faces da mesma moeda, que se reforçam mutuamente. Na frente do desenvolvimento, a Fundação, com apoio dos seus parceiros, tem construído e gere uma rede crescente de jardins de infância, salas de aula de ensino primário, um pequeno centro de formação agrícola e fontes de abastecimento de água para essas unidades de ensino e comunidades circunvizinhas.

Que ações levou a cabo a Fundação Joaquim Chissano com vista a ajudar a dinamizar o desenvolvimento económico entre Portugal e Moçambique?

A Fundação é uma instituição filantrópica e, como tal, não realiza atividades empresariais. Contudo, através da sua participação em vários eventos, de carácter bilateral, no âmbito da CPLP e outras organizações, a nossa instituição tem incentivado os empresários dos dois países a realizar iniciativas e projetos conjuntos de carácter económico, com benefícios mútuos.

Quais as principais ações levadas a cabo atualmente para a manutenção da Paz no território moçambicano, que gostaria de destacar?

A Fundação tem-se envolvido, ativamente, em ações de promoção e restauração deste bem público, através de mediação de conflitos. A ação da Fundação não consiste apenas no fazer coisas, mas sobretudo em promover e encorajar iniciativas e parcerias. Neste quadro, a Fundação, através do Presidente Chissano, encorajou o diálogo entre o Governo e a Renano, que culminou com a assinatura, a 6 de agosto de 2019, do Acordo Definitivo de Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

A Educação é uma das áreas que mais pode contribuir para o desenvolvimento de um país e o Dr. Joaquim Chissano está intimamente ligado à importância da Educação. Como vê o papel desta Fundação nesta área?

A Fundação Joaquim Chissano olha para Educação como um fator de estabilidade social, de paz. Isto justifica as ações que têm sido levadas a cabo, de construção de jardins de infância, escolas primárias, projetos que, no futuro breve, se pretendem complementados com ações de formação técnico-profissional. Através desta formação, a Fundação pretende contribuir, ativamente, na capacitação dos jovens a serem bons cidadãos.

Quais as áreas que, a seu ver, ainda faltam dinamizar em Moçambique, para que o país possa beneficiar de um ainda maior desenvolvimento?

Como ficou dito, uma das áreas a desenvolver é a Educação, mas uma educação que capacita os jovens, tendo em conta os desafios de desenvolvimento, bem como as potencialidades e oportunidades que o país oferece. Para além da Educação, fazem falta esquemas acessíveis de financiamento de projetos do setor privado, sobretudo de projetos de jovens. Há também necessidade de apoios na capacitação em gestão empresarial, com o desenvolvimento de empresários dotados de uma mentalidade que conduza ao crescimento das suas unidades económicas e criação de postos de trabalho.

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